10 de fev. de 2011
26 de jul. de 2009
Então você quer fazer sucesso no mundo da música? Aqui estão as novas regras.
"A indústria da música em geral tem sido lenta para se adaptar às ferramentas da nova mídia. Enquanto gravadoras e editoras ainda estão brigando para manter o controle de suas propriedades, existe um mundo novo onde uma elite da nova mídia está trabalhando para encontrar ferramentas para possibilitar aos músicos a construção de uma ponta entre a nova e a velha mídia.
Seja oferecendo música de graça na rede, trabalhando para construir uma comunidade online, ou simplesmente começando um dialogo, os que procuram respostas estão rapidamente substotuindo os antigos jogadores.
Eu decidi conferir o New Music Seminar em Nova Iorque essa semana para descobrir como os músicos estão sendo “armados”.
O principal mentor dessa conferência, Tom Silverman, fundador da Tommy Boy Entertainment, começou esse Seminário em 1980 para discutir o futuro do mercado já naquela época.
Ele começou esses encontros para tocar uma indústria que era historicamente resistente a mudanças. Serviu como um fórum para jovens empreendedores lançarem seus negócios e fazer contatos e virou um modelo para novas conferências como a South by Southwest.
Desde 2000, as receitas da indústria da música vêm decrescendo regularmente. No ano que vem, pela primeira vez, as receitas com as vendas digitais devem ultrapassar as físicas. Até 2013 a conta será 80% digital e 20% física.
“A mudança não virá se você esperar pelas gravadoras”, disse Silverman. “Nós somos quem nós esperávamos.” A conferência quer ensinar artistas como fazer mais dinheiro e menos bobagens.
Não importa se você quer ser um artista, um empresário, um divulgador ou um empreendedor, aqui estão as regras para ser bem sucedido no negócio:
• O futuro é DIY (Do It Yourself – Faça Você Mesmo). Aprenda a usar ferramentas baratas ou gratuitas, mas lembre-se que o importante é o seu trabalho. Software não vai resolver seus problemas.
• O melhor marketing é informado pela arte. Você não pode criar um vídeo viral; tudo depende da audiência. Mas você pode chamar a atenção.
• Se você é um artista, não peça dinheiro emprestado. Só se mantêm o controle artístico mantendo-se o controle financeiro. O oposto se você for um empreendedor. Tim Westergren, fundador da Pandora estourou um dúzia de cartões de crêdito e devia dinheiro a todo mundo antes de fazer seu negócio decolar.
• Existem muitos lugares para vender sua música online: Amazon, MySpace, iTunes e TuneCore para iniciantes. Mas não subestime o poder de dar sua música. Lil Wayne ofereceu sua música gratuitamente por mais de um ano antes de lançar seu álbum. Ele trabalhou antes para construir sua base de fãs antes de pedir qualquer dinheiro.
• Os fãs são a nova gravadora. No negócio agora tudo depende da relação entre o artista e seus fãs, especialmente os “uber” fãs, aqueles que compram todo o merchandise, vão a todos os shows e divulgam suas bandas favoritas.
• A chave para estabelecer o contato com os fãs é o e-mail, o dado mais importante que você pode coletar. Tenha uma folha para isso em todos os shows. Peça à audiência para mandar uma mensagem de texto com seus e-mails para o celular do seu produtor e prometa manter pessoalmente esse contato. Dessa forma você terá e-mails e códigos de área. Construa uma comunidade online através de webcasts, fotos, entrevistas e vídeos de shows.
• Engaje seus fãs de uma maneira que faça sentido, nada forçado ou fingido. A banda We The Kings lançou uma série semanal na internet que teve mais de 300 milhões de views. Eles venderam 100.000 discos antes das músicas chegarem no iTunes.
• É perigoso que um artista gaste muito tempo com coisas que não são artísticas. Crie um time de empresariamento para tomar conta das ferramentas, marketing e tecnologia. Se você está começando convoque um amigo que adore música para desenvolver sua marca com você.
• Só assine contratos de curto prazo e se eles forem te dar muita visibilidade. Caso contrário você vai ficar fora do radar.
• Comece localmente, comece com uma tribo. As melhores histórias de sucesso de bandas começaram com uma cena musical. A internet tem permitido que tribos aumentem muito de tamanho. Entre em contato com bandas similares e divida shows com elas. Construam uma cena e trabalhem para que o sucesso aconteça para todo mundo ao mesmo tempo.
Se você perdeu o seminário de Nova Iorque, fique atento porque vai haver outra conferência esse ano em Chicago. Fique ligado no WalletPop para mais informações sobre a nova música."
7 de jul. de 2009
Gravadoras e Web Radios chegam a um acordo sobre royalties

Deu hoje no Pitchfork e no New York Times.
Gravadoras e rádios de internet chegaram a um acordo sobre royalties nos Estados Unidos. Desta vez agradou às webradios, praticamente com o pé na cova, pois as taxas dos acordos anteriores as obrigariam a cair fora do mercado. Elas teriam que pagar 0,19 centavos de dólar por stream, já em 2010.
O novo acordo é muito mais flexível e leva em conta o tamanho e modelo de negócio de cada rádio. A Pandora, que tem muita renda vinda de anúncios, pagará 25% desta renda ou uma taxa por música ouvida via stream, começando com 0,08 cents em 2006, aumentando para 0,14 em 2015.
Os sites ainda se comprometeram a fornecer informações mais detalhadas sobre as músicas e sobre os ouvintes para a SoundExchange, o ECAD de lá.
Para as rádios, é um alívio, talvez temporário, que ao menos permite a sua sobrevivência.
Já as gravadoras acham que a briga anterior era "justa e apropriada", segundo um executivo da SoundExchange, e que o acordo recém fechado tem "approach experimental", permitindo aos webcasters "oportunidade de testar vários modelos de negócio e aos criadores de música a oportunidade de partilhar do sucesso que suas gravações geram."
21 de mai. de 2009
Novo programa de Canções Patrocinadas no ReverbNation - $$$
O site ReverbNation anunciou hoje que 1000 dos seus quase 400.000 artistas serão escolhidos para participar de um novo Programa de Canções Patrocinadas. Isso vai possibilitar artistas independentes terem uma relação semelhante à dos artistas contratados pelas majors.
Vamos torcer para o Ultraje a Rigor entrar nessa!!!
O foco mudou da venda para novas formas de receitas – assim como na Trama – que transformem os artistas em marcas. Os artistas receberão cinquenta centavos de dólar por cada download gratuito – cada faixa terá incorporada uma mensagem publicitária incorporada na arte da capa digital que aparecerá cada vez que a canção for executada.
Os downloads serão todos em MP3 e M4A e a capa digital prossegue com o arquivo quando ele é passado da fã para fã, criando uma propaganda viral.
A primeira campanha começará no meio de junho e vai durar 90 dias. As estatísticas das bandas no site é que vão determinar os escolhidos.
Mais notícias em duas semanas. Mais informações para o programa, mande um e-mail para sponsoredsongs@reverbnation.com
19 de mai. de 2009
Aldus Manutius e a música hoje

O software do New York Times mostrado pelo Leoni aqui embaixo parece sensacional, não? Torço para que a coisa dê certo.
O mercado editorial, em especial o jornalístico, é a bola da vez a passar pelo cataclisma que acometeu a indústria do disco. O New York Times está em situação quase desesperadora e se aguenta até 2011. Deu n'O Globo de hoje que a revista Newsweek passou por uma reformulação, oferecendo mais conteúdo, a um preço maior, mas mirando um público mais exclusivo.
O curioso é que, desde os anos 90, os jornais já sabiam que essas mudanças viriam e pensaram em mais de uma estratégia para se adaptar, sem sucesso. Uma delas era conteúdo free, baseado em anúncios. Como se vê, nem de longe compensou a queda das vendas e de anúncios da versão impressa.
Talvez um dos grandes erros deles tenha sido a suposição de que o "velho" necessariamente se adapte ao "novo". Muitas vezes não é o que acontece. As revoluções, antes de se estabilizarem, antes que uma nova ordem se estabeleça, passam por períodos de transição caóticos, confusos.
Assim foi com a invenção do tipo móvel. Uma ordem cultural inteira foi varrida do mapa, criando um estado de insegurança enorme, mas estabilizado décadas depois: o fim do poder da Igreja sobre a cultura, a ascenção das línguas vernaculares em detrimento do latim, a alfabetização, o fim de muitas certezas. É assim com revoluções: o antigo é destruído antes que o novo seja criado. Só com Aldus Manuntius (quem é designer, conhece), é que o livro passou para o formato e proporções próximas às de hoje, se tornou portátil, caiu de preço e foi popularizado.
Isso me faz pensar que o impensável às vezes pode acontecer. Tomorrow never knows. As tais cadeias produtivas podem sofrer mais mutações do que possamos imaginar. E mesmo que tenhamos uma enorme afeição pelo jornal do café da manhã (eu, ao menos, tenho), ele não é sinônimo de notícia, por mais que os vejamos como uma coisa só. E, no fim das contas, notícia de qualidade é o que realmente importa.
Vocês não acham que isso tem alguma coisa a ver com a indústria da música?
PS: O texto acima foi inspirado pela leitura deste aqui.
18 de mai. de 2009
Trama inicia transmissão ao vivo de seus estúdios

Recebi da Trama, via e-mail, a mensagem abaixo.
Hoje, a Trama dá início ao projeto Webcast, que prevê transmissões ao vivo do dia-a-dia nos estúdios. Estreando: Móveis Coloniais de Acaju com o pocket show C_mpl_te, às 16h.A Trama é um selo que está se notabilizando por lançar e deixar disponíveis no seu site - por algum tempo - álbuns virtuais de algumas bandas com a arte do encarte e também extras, como fotos em vídeos em alta definição. Artistas como Tom Zé (já expirado,) Ed Motta, Cansei de Ser Sexy, Macaco Bong e Móveis Coloniais de Acaju.
Para acompanhar é só acessar: www.trama.com.br/webcast
Esse será o primeiro show da banda após o lançamento do segundo álbum (C_mpl_te), que saiu no último dia 8, pelo Álbum Virtual Trama. http://www.albumvirtual.trama.com.br
O que será que eles estão tramando?
17 de mai. de 2009
Conteúdo como software
O New York Times está encontrando um jeito de sobreviver que já é uma tendência: entregar conteúdo como software. Já há bandas fazendo o mesmo através dos iPhone apps.
16 de mai. de 2009
De quem é o disco?

Texto novo do Beni Borja:
Para escrever um livro só é preciso lápis e papel. Autores de livros não precisam de editoras para escrever suas obras.
Só para fabricar e vender o livro é que o autor precisa de uma editora. Por isso o escritor é o único proprietário da sua obra.
Para fazer um disco, um artista de música necessitava de um estúdio com equipamentos caríssimos.
Essa dependência de uma tecnologia inacessível determinou que as gravadoras pudessem exigir a propriedade da música gravada, pagando ao artista um percentual das vendas. A mesma lógica que se aplicou ao cinema.
Esse era o negócio da música gravada: A gravadora é dona da gravação porque ela banca os elevados custos de produção.
Com o advento da gravação digital essa lógica ficou obsoleta. Hoje, teoricamente, qualquer um pode produzir um disco em casa.
Então, a única razão que justificava um artista ceder a propriedade da sua obra em disco para uma gravadora, era o fato de que só ela podia lhe dar acesso aos grandes meios de divulgação. Só com o apoio de uma grande gravadora se poderia fazer sucesso de massa.
O monopólio do sucesso popular que as gravadoras detinham já era. Os sucessos populares de hoje no Brasil, as duplas de sertanejo universitário, as cantoras de axé, os Mcs de funk, as bandas de forró e calipso, todos se criaram à margem do sistema de divulgação das gravadoras.
Alguns optam pelo conforto de serem contratados por uma gravadora, já que discos são apenas uma parte quase ínfima do seu faturamento, outros constroem modelos de negócio totalmente independentes. Mas nenhum deles depende da gravadora para nada.
Essa nova correlação de forças exige uma nova mentalidade tanto de artistas quanto de gravadoras , e mudar a cabeça é o mais difícil.
A indústria do livro todo dia nos dá prova que é possível ganhar dinheiro sem que a empresa seja proprietária das obras que distribui.
Então, as gravadoras estão esperando o que?
14 de mai. de 2009
Música por streaming se populariza
A matéria foca no site brasileiro Sonora e no sueco Spotify.

Desde fevereiro deste ano o Sonora está com o conteúdo aberto, de grátis. Tem 200 mil assinantes e cresce numa base de 2.500 por dia. Isso no modelo gratuito, pois há três planos pagos, de 9,90 a 19,90 reais por mês. O plano grátis, pelo que vi, dá direito a 20 horas por mês - e anúncios entre as músicas. Nos planos pagos é possível baixar, mas ainda com os indefectíveis DRMs. A remuneração varia, mas de uma forma geral os lucros são repassados para as gravadoras de acordo com o número de vezes que a música foi ouvida. E da gravadora para o artista. Lucro? Dizem os caras do Sonora que ele é lucrativo desde o início, por ter herdado patrocinadores do portal Terra.
Eles têm um acervo até grandinho. Mas fiz uma pesquisa e não têm Beatles ou The Who, por exemplo. Estão lutando para tocar a Warner também.

O Spotify tem mais de 1 milhão de usuários só na Inglaterra e cresce a uma base de 20 mil pessoas assinantes diários. Lá já estão Caetano, Chico e até uns sertanejos. Há bons nomes de música clássica também - isso, no Sonora, nem em sonho. Uma coisa bacana é que, assim como a Last.fm, ele contextualiza os artistas, com dados sobre biografia e discografia. O Sonora não tem isso.
O site tem três pacotes de acesso. Para o Brasil só é possível acessar o último, pago.
Aqui abaixo vai uma comparação entre os recursos dos dois sites:
Acervo
Sonora: 1 milhão de músicas
Spotify: 3 milhões de músicas
Rádio
Os dois têm, mas o Spotify oferece seleção combinada de ano e ritmo.
Playlist
Em ambos as playlists personalizadas ficam memorizadas
Download
O Sonora tem planos de downloads ilimitados, o Spotify não.
Acordos com gravadoras
O Spotify tem com todas as grandes, o Sonora não tem a Warner.
Biografias e informações
Só no Spotify.
Acesso no Brasil
O Sonora tem acesso gratuito e assinaturas. O Spotify, só assinaturas.
Histórico do usuário
No Sonora, de até seis meses atrás
6 de mai. de 2009
Será a ponta do iceberg musical?

Parece que estamos começando a descobrir outros artistas que estão obtendo algum resultado com táticas alternativas de divulgação e distribuição de música. O Roger do Ultraje vai escrever um texto sobre o que eles andam fazendo no ReverbNation – que ele está adorando -, quero um depoimento do Teatro Mágico – que faz muito show, onde aproveita para vender muito CD, tem um super esquema de merchandising e dá músicas na internet - e, por indicação do Beni, vou procurar saber mais sobre o Móveis Coloniais de Acaju.
Alguém tem mais alguma dica?
Não precisa ser um estouro, mas tem que ser alguma ideia diferente que ajude a manter e esquentar a carreira da banda ou do artista.
Só quero saber se esses casos são a ponta do iceberg ou honrosas exceções.
4 de mai. de 2009
Mais sobre Trent Reznor e mais sobre bandas novas
Quem tiver mais dicas sobre como se financiar nos dias de hoje sendo músico, está já convidado a postar.
Em breve quero postar um texto sobre O Teatro Mágico, uma banda 2.0. Ela não existe no mainstream e sobrevive luxuosamente agradando apenas seus fãs.
Alguém aqui conhece?
Bem vamos ao vídeo:
Leadership Music Digital Summit 2009 - Mike Masnick keynote address, 3/25/09 from Leadership Music Digital Summit on Vimeo.
29 de abr. de 2009
As loucuras imperdíveis de Josh Freese

Josh Freese é um grande baterista. Já gravou e tocou com Devo, NIN, Sting, Guns and Roses, The Offspring, Avril Lavigne e muitos outros artistas. Agora resolveu lançar seu segundo disco solo de uma forma inteiramente nova, adaptado que está aos novos tempos de Música 2.0.
Sua estratégia foi a de conseguir atrair a atenção – atenção é a nova distribuição – inovando inteiramente nos pacotes possíveis para se adquirir seu novo trabalho. As idéias são tão inusitadas que muita gente resolveu conferir aquela insanidade.
Querem ver?
Os preços variam de $ 7,00 a $ 75.000,00! Pagando menos você recebe os arquivos das canções e três vídeos filmados e dirigidos pelo próprio. Por $ 15,00 além dos arquivos você recebe um CD e um DVD. As inovações começam quando se paga $ 50,00: além do pacote anterior, você recebe uma camiseta, seu CD vem autografado e o próprio artista liga para sua casa para agradecer a compra - e você tem 5 minutos para perguntar qualquer coisa que desejar sobre ele ou qualquer artista com quem ele já trabalhou. Num pulo rápido para $ 250,00 – que já vendeu os 25 pacotes disponíveis – ao invés do telefonema, o artista vai almoçar com você em um dos dois restaurantes que ele indica e te dá baquetas e peles de bateria autografadas. Dos 10 pacotes de $ 500,00 metade já foi para quem quer encontrar com Josh em Venice para flutuarem num tanque de privação sensorial e, depois, jantar no Sizzler.
E aí? Está achando que é muita loucura? Pois tem muito mais.
Os preços vão subindo e junto a proximidade. Ele pode te dar aulas de bateria, lavar seu carro ou sua roupa, sair para encher a cara com você, cortar seu cabelo, fazer massagem, escrever uma canção sobre você (além de gravá-la e produzir um clipe dela com a sua co-direção), passear com você na Disneylândia e deixar você dirigir o seu Volvo na volta, te levar para jogar mini-golfe com os integrantes do DEVO, te deixar escolher qualquer peça em seu guarda-roupa até chegar ao pacote de $ 75.000,00 que inclui te levar na turnê por alguns dias, compor, gravar e lançar um EP de 5 canções sobre a sua vida, escolher uma de suas baterias para levar de presente – qualquer uma! -, se você tiver uma banda ele pode se transformar num integrante por um mês, se você não tiver ele pode ser seu assistente pessoal por um mês e mais algumas loucuras que vale a pena ler em seu site.
Vamos aos fatos:
Ele vendeu 25 pacotes de $ 250,00, cinco de $ 500,00, cinco de $ 1.000,00, dois de $ 2.500,00, dois de $ 5.000,00 e um de $ 20.000,00!! São $ 48.750,00 de receita bruta – mas o cara vai ter despesa! – com 40 pacotes vendidos. Ele conseguiu vender seu trabalho por mais de $ 1000,00 por pessoa.
Ele disse que nem se importa com quantos CDs ele vai vender – pacotes de $ 15,00. Também pudera. Para chegar a esses valores ele teria que vender mais de 3.000 cópias de um produto que muito pouca gente vai querer. Ainda mais de um artista novo. Ele está oferecendo o que ninguém nunca vai poder digitalizar: presença, bastidores, loucura e criatividade. Não é à toa que ele é o baterista do NIN. Trent Reznor está fazendo escola. Quem quer se matricular?
Vejam o próprio falando sobre suas invenções
26 de abr. de 2009
24 de abr. de 2009
Artista financiado pelo fã - Billy Corgan

Agora chegou a vez do Billy Corgan – ex-Smashing Pumpkins – ir direto aos fãs em busca de financiamento. Segundo o próprio, os detalhes do negócio serão decididos junto com os fãs. Mas em princípio ele vai cobrar $ 40,00 para fãs que queiram assistir a vídeos das gravações de seu próximo álbum.
Durante 12 semanas – quanto tempo de estúdio! Já é quase uma novela musical – serão 5 vídeos por semana, postados no dia seguinte às gravações, de no mínimo 5 minutos de duração. Seriam então $ 40,00 por 5 horas de acesso ao backstage das gravações que fariam parte de um futuro filme de arte.
Parece que esse modelo de oferecer conteúdo exclusivo ao fã em troca de financiamento para seus projetos está, aos poucos, se tornando padrão no mercado.
O que falta é centralização dessas atividades. Os músicos estão agindo por sua conta. E, como bem disse o Beni, músicos querem tocar, não administrar negócios.
Acho $ 40,00 um pouco salgado, mas já imaginaram se 3.000 pessoas resolverem aderir à assinatura dele? Serão $ 120.000 arrecadados antes de colocar o CD à venda. E ele tem condições de conseguir muito mais que isso.
Fiquemos atentos aos resultados. Contra fatos não há argumentos.
23 de abr. de 2009
Algumas respostas

Depois do bode criado pelos posts discutindo O Culto do Amador, me penitencio aqui com um revigorante trecho de um artigo do Gerd Leonhard sobre, entre outras coisas, quais serão os fatores que determinarão valor no mundo digital. Vai em inglês mesmo, ok?
So what are those future value-determining factors? Here are a few from a long list that I have been compiling:
- The best quality experience, at the perfect time. Compare listening to a low quality audio-stream on your mobile, in the train, to enjoying an HD recording on your living room (or car?) sound system. The first one could be feels-like-free or bundled, the other one could be a premium, paid-for service. The difference is just my particular use case, not the 0s and 1s.
- A new, attractive and convenient package (or shall we say, alternate user interface?) A powerful and very recent example is 'The Presidents of The United States of America' iPhone app: the user pays a one-time fee of $3 for free, on-demand streams and videos from the last 4 albums, and lots of up-selling is built right into the app. iPhone users that are fans are very likely to shell out $3 to get this cool widget, and in a way I guess they are now actually paying for what they would otherwise have gotten for free, anyway (i.e. to listen to their favorite music, on-demand). Plus, the band now has a direct and totally unique path to their biggest fans - and that is the new gold, in my opinion. Sounds like a great deal to me: package it nicely and it will sell regardless of free alternatives.
- Also note that this same phenomena is what still sells printed books. The words i.e. the content anyone can probably get for free, somewhere, but the feel and smell of the paper, the physical format, the touch, the familiar and comfortable user-interface (UI) is what I am actually paying for when I buy the good old, dead-tree version. In other words, I pay for the design, the printing and shipping, and only implicitly for the 'words'. It is important to note, though, that nice user interfaces will soon be available on electronic reading devices, as well, therefore leading us to that very same, original question: what will we pay for when we buy content, ultimately? We may soon enter the age of content-as-software-packages: many of us may soon no longer order the printed versions of books (last not least because of environmental concerns) but we may happily pay a few Euros a month for a digital book subscription, or add it in a bundle via our mobile phone bill, only to then buy the 20 Euro multimedia / virtual world edition of a book we really like - except that it won't be printed and shipped but also downloaded to my mobile device.
- Authenticity and timeliness. I foresee a future where I will gladly pay a bit more to make sure that what I get is the bona-fide real thing, from the actual creator, in its correct version and without any shortcuts or changes. An authorized, paid-for English translation of the new Paulo Coelho book (digital or otherwise) would certainly be more enticing to me than 'free' copy that is not stamped with his approval. And if I can get it the moment that it's finished, even better (and I pay another premium).
- Selection, expert curation, filtering, culling, context, annotation. In my experience, few people have time to find the best music for a specific occasion. Why would I bother looking for a great selection of ambient 'space music' for my yoga sessions when a true, bona-fide authority such as Stephen Hill (Producer of the superb Hearts of Space / HOS online radio show) has already done this for me? My payment to HOS would therefore be not so much for the actual songs, it's more for the service of having them filtered and annotated by a real expert.
Google passa a dar música de graça... na China
O Google está liberando arquivos mp3 legais e de alta qualidade na China. É uma estratégia para abocanhar uma fatia maior do mercado chinês, que hoje é de 28%. Eles pretendem gerar receita a partir de anúncios.
Há um artigo no Media Futurist comentando este importante passo rumo à liquidifcação da música. Será?
17 de abr. de 2009
Outro jogo

Recebemos o texto abaixo do Beni Borja, pensador da música e amigo do blog. Ao relacionar o momento atual com o processo revolucionário histórico, propõe boas reflexões. O título é um jogo com outro texto dele postado aqui.
* * *
Morreu o rei. Viva o rei!
Normalmente quando um rei morre, o povo já conhece o seu sucessor. Não há nenhuma confusão, nenhuma inquietação. O povo dá quinze minutos de atenção ao novo rei, e segue sua vida sem maiores sobressaltos.
Numa revolução, ninguém substitui imediatamente o rei destronado . Há sempre um momento de vazio de poder. Ninguém sabe quem manda , ninguém sabe a quem recorrer. Durante essa transição vive-se numa total incerteza sobre o futuro. Uma situação muito estressante, mesmo para não quer mandar em ninguém.
Nesse momento de confusão, os revolucionários proclamam que o poder acabou, que agora viveremos como cidadãos livres, independentes do poder dos outros. O povo se agita , cada um toma um partido, mas inevitávelmente o poder se reorganiza. E por fim um novo mandatário tomará o lugar do antigo.
Essa pequena lição básica de ciencia política pode ter alguma serventia , num momento como o atual.
Estamos vivendo tempos revolucionários no negócio da música.
Os reis (gravadoras) foram destronados. Antes elas tinham o poder de decidir quem ia ser popular e quem ia ficar tocando para as paredes. Não mais. No vácuo do poder, os revolucionários ( os "geeks" da vida) proclamam que viveremos todos felizes para sempre, sem poderosos. Cada um por si, numa família feliz.
Não creio.
Nessa altura do campeonato , imaginar que cada um de nós ,criadores de música ,vai se relacionar diretamente com seus fãs ,sem nenhuma intermediação corporativa, me parece uma visão de um inferno medieval. Para quem se preparou a vida toda para fazer música, ficar administrando "amigos" nos myspaces e orkuts da vida, parece uma condenação a um purgatório infinito.
Músicos querem fazer música, não querem administrar negócios.
A especialização do trabalho é um fato inescapável da vida econômica no nosso tempo. Quem faz arte ,se puder, se ocupará só de criar. Quem gerencia os negócios que surgem à partir da arte , tenderá a se ocupar exclusivamente de fazer dinheiro com a criação dos outros. Essa divisão de trabalho é um avanço da civilização, que não vai desaparecer só porque apareceu um novo modelo de negócios. Passado o momento de confusão , continuaremos tendo empresários e artistas.
Rezo e torço para que tenhamos no futuro um sistema de comercialização de música melhor do que aquele do qual ,sem nenhuma tristeza, agora nos despedimos . Um sistema mais inclusivo, mais respeitoso, que entenda os prazos e os compromissos da arte. Não sei o que o futuro nos reserva. Mas não é difícil enxergar que o poder está migrando dos detentores de música gravada para os promotores de música ao vivo.
Se o dinheiro está na música ao vivo , é de lá que devem sair os futuros poderosos fazedores de sucesso, que inevitávelmente surgirão.
Saudações musicais ,
Beni
14 de abr. de 2009
O modelo do NIN para bandas novas!!!!
O primeiro serve de introdução, o segundo explica e o terceiro e quarto são de perguntas do público.
Para quem não conseguir visualizar os vídeos - eu não consegui -, vai o link
8 de abr. de 2009
Mais sobre o modelo de negócios do Trent Reznor
Vale a pena. Tenho seguido o Michael Masnick no Twitter e tem sempre alguns insights interessantes.
7 de abr. de 2009
Trent Reznor fala sobre seu modelo de negócio
Ninguém melhor que ele para dar o caminho das pedras. Ninguém foi tão bem sucedido quanto ele nesse novo mundo.
Ouçamos respeitosamente.