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6 de nov. de 2009

Paul McCartney dá música e vídeo via Topspin












Esse vídeo faz parte dos presentes do mítico Paul McCartney para divulgar seus novos CD e DVD, gravados ao vivo em Nova Iorque. Através do Twitter recebi a informação de que canção e vídeo estavam disponíveis gratuitamente em seu site.

Para os que ainda acham que têm que proibir o compartilhamento de arquivos musicais, aí vai uma lição de um dinossauro que está se adaptando para não entrar em extinção.

O e-mail que recebi para confirmar meu interesse em baixar os presentes veio da Topspin. Para quem ainda não conhece, é uma plataforma que promete revolucionar o mercado musical e municiar todos os artistas com as ferramentas necessárias para se divulgar e distribuir online, conecetando-se diretamente com os fãs.

A Berklee, tradicional escola de música americana está abrindo um curso só sobre marketing online com essa plataforma. Veja o vídeo:












Esse é um negócio a se observar. Quando conversei na terça-feira em Sampa com Juliano Polimeno da Phonobase, ele me falou muito da Topspin, especialmente do seu foco em dados. Eles teriam como saber exatamente como são cada um dos fãs que cruzam seu caminho! Parece um caminho importante.

Vou fazer um levantamento sobre o assunto para um próximo post.

Por enquanto, divirtam-se com o material inédito do meu Beatle favorito.

28 de out. de 2009

Minha posição em relação à música gratuita

Acho que preciso esclarecer algumas coisas em relação ao que eu penso sobre música gratuita na internet:

1) Não faço parte de nenhuma das duas torcidas mais comuns. Não acho que tudo tem que ser gratuito e acabou, nem posso concordar com que se tente punir quem baixa música de graça.

2) Não acho que a gratuidade seja uma meta. Ela é um mal irreversível para os artistas em atividade, contra o qual é tão inútil lutar, como não concordar com a lei da gravidade.

3) A música tem custo e valor, ela não é feita de graça. A música grátis tem que fazer parte de uma estratégia para divulgar e vender - seja música, ingressos de shows ou merchandising.

Digo essas coisas porque sinto que preciso me posicionar para não ser colocado como exemplo de posturas que não tenho.

Faço parte do Música Para Baixar porque acredito que não haja como controlar o compartilhamento de música pela internet. E que, em diversos casos, o controle seria péssimo para a cultura. Vejam os casos de discos que estão fora de catálogo. O desinteresse de uma gravadora em lançar o repertório de determinado artista colocava-o no ostracismo irreversível. Que direito têm as gravadoras de impedirem a sociedade de ter acesso a um bem cultural? Quantas jóias ficavam trancadas nos cofres dos detentores de direitos autorais e agora circulam livremente pela rede, beneficiando artistas e público? Processar os fãs, ou impedir que eles tenham acesso ao que desejam, nunca me pareceu uma estratégia muito inteligente para se conquistar mais fãs. Outro dia – outubro de 2009! - vi um advogado da indústria do disco dizer que a forma de se controlar os downloads “ilegais” é usando de tecnologia e que o DRM é uma forma eficiente de fazê-lo. Em que mundo essa pessoa vive? Todo mundo desistindo do DRM e ele achando que é solução!

Quais a principal vantagem da gratuidade? Divulgação. A música gratuita chega muito mais facilmente às pessoas, já que elas podem conhecê-la antes de se decidir a gastar dinheiro. Se você não der, a possibilidade de que as pessoas queiram se arriscar no escuro é infinitamente menor. Se compararmos ao preço do jabá para ter execução em rádio, o compartilhamento de arquivos é uma bênção para os artistas. Os fãs fazem o trabalho que precisamos, sem cobrar, e gratos pela nossa generosidade. Daí o mote do Música Para Baixar: Fã não é pirata! É divulgador. E esse quer nos ajudar financeiramente para que continuemos a dar o que ele quer: música de qualidade.

Quando as rádios começaram a executar música as gravadoras acharam que ela seria danosa para as vendas, porque ninguém compraria algo que estava sendo entregue de graça nas casas das pessoas. E nada foi tão importante para divulgar e vender música quanto o rádio. Estamos no mesmo caso. Nada divulga e populariza tanto a música quanto o acesso gratuito à mesma.

Por outro lado, não quero o fim do direito de autor – embora ache que ele precise ser revisto -, não acho que a cultura é social e gratuita por princípio, não quero o fim das gravadoras. E quero ganhar dinheiro sem culpas esquerdistas.

Resumindo, não há negócio nem profissão que seja totalmente gratuito. Alguém tem que pagar alguma coisa em algum momento para que haja profissionais sobrevivendo daquele negócio. Mas a proibição de compartilhamento de música na rede, além de impossível, não vai ser o esteio financeiro dessa história. Quero que abracemos a gratuidade como uma das ferramentas para nos aproximarmos do nosso público e criarmos uma outra forma mais inteligente e contemporânea de ganharmos a vida fazendo música. Dialogando o @penas, música é profissão, sim. Mas muito diferente do que já foi.

3 de ago. de 2009

As críticas mais frequentes ao download gratuito - e algumas ponderações

Com o artigo sobre o Música Para Baixar no Globo e sua sequência no blog do Jamari França senti que muitas críticas são repetidas por falta de informação e que a conversa não pode passar para um outro nível no qual possamos colaborar efetivamente porque temos que explicar tudo de novo sobre alguns assuntos que se tornaram motivo de brigas. Temos que sair do confronto para podermos entrar na colaboração e negociação.

Baseado no que foi escrito por lá, resolvi escrever uma pequena cartilha de Críticas Frequentes. Acho que será útil para enriquecer nossas discussões.

Lá vai:

Gravar custa dinheiro, portanto o download não pode ser gratuito – dizer que não pode é feito brigar contra a Lei da Gravidade. No mundo digital todo o cuidado é inútil, a música vai vazar e ser gratuita - o mesmo já acontece com jornais, filmes, livros etc. Mas isso não significa que não haja outras formas de se ganhar dinheiro além do CD e do download. Tentar controlar só vai gerar uma internet vigiada, diminuir nossa privacidade e conduzir toda a população conectada para a ilegalidade.

Os artistas não estão tão preocupados por que podem fazer shows, mas e o compositor? Esse não pode permitir o download gratuito – O compositor vai continuar ganhando onde o artista ainda ganha – shows e execução pública – e vai perder onde o artista já perdeu – venda de CDs. E não há muito mais que possa ser feito. A receita de todo mundo diminuiu e o compositor vai ter que se adequar a essa realidade.

Baixar música de graça é o mesmo que entrar numa loja e roubar uma calça – na internet o que você está baixando é uma cópia que não custou nenhum centavo à gravadora. E que vai ser distribuída sem custo para as mesmas. Quanto a dizer que se perde venda com cada download, posso dizer que nem sempre é verdade. Pelo menos não vejo como provar. As pessoas baixam muito mais músicas do que comprariam, mesmo se tivessem dinheiro para tal. Elas querem conhecer antes de gastar dinheiro. Esse busca pode acabar gerando vendas.

Ninguém vai continuar fazendo música sem ser remunerado – Desse jeito só os amadores, realmente. Só vai continuar na profissão quem estiver atento aos novos modelos e possibilidades e encontrar um jeito de se financiar, seja através dos fãs – o que inclui shows, merchandising, vendas de música etc. -, seja com anúncios, patrocinadores etc. Os outros vão abandonar o barco, com certeza. Essa, inclusive, será uma forma de filtrar essa avalanche de artistas que a democratização das novas mídias criou.

A pirataria existe porque o CD é caro – não era caro quando não tínhamos outra opção. É mais barato do que sair para jantar com a namorada e dura mais – às vezes até mais que o namoro! A escassez faz o preço subir. O problema é que hoje existem muitas outras formas de se chegar à música. Ela não é mais escassa e aí quem determina o preço é o consumidor – e esse não quer pagar por um produto ruim como o CD. Melhorando a embalagem uma parte dos consumidores pode retornar.

Compartilhar arquivos digitais é pirataria – Pirataria é obter vantagens financeiras com o trabalho de outras pessoas sem compensá-las por isso. Essa é a opinião dos advogados do site Consultor Jurídico. Fã não é pirata, é divulgador.

Isso tudo é muito bonito mas esses negócios na internet não se sustentam ou são passageiros – é, em grande parte, verdade. A maioria não se sustenta mesmo, mas alguns se sustentam muito bem como o Google – que é gratuito e ganha uma fortuna com anúncios. É uma época de experimentação e muita coisa ainda vai dar errado. Mas é melhor experimentar que tentar manter um modelo que já não se sustenta faz tempo. Por isso é preciso se informar e aprender com o que vem dando resultado, ao invés de tentar segurar o tempo com as mãos. Um importante motivo para que esses novos negócios não se desenvolvam é a ação da RIAA e das editoras. Elas querem recuperar de uma vez a queda de suas receitas e acabam estrangulando o que poderia ser sua galinha dos ovos de ouro como o YouTube, MySpace, iMeem, Pandora, Spotify etc. Cobrar menos de muito mais gente é bem mais sensato que tentar criar uma escassez artificial e cobrar muito de poucos.

Se vocês tiverem mais dessas Críticas Frequentes, por favor, nos enviem para que possamos anexar à cartilha.

7 de jul. de 2009

Olha isso @ticostacruz: Moby mostra, mais uma vez, que música grátis não canibaliza a música paga

Ontem o cantor Tico Santa Cruz, como estratégia para divulgar o novo trabalho de sua banda, Detonautas, liberou um link para download de uma canção inédita no Twitter. Em um de seus posts ele já previa uma reação de sua gravadora. Dito e feito. Recebeu um e-mail da mesma pedindo que ele retirasse o link.
Mandei uma mensagem para o Tico com o e-mail do Moby para Bob Lefsetz contradizendo inteiramente a teoria das gravadoras de que a música oferecida de graça diminui as vendas.
Hoje apareceu esse texto num blog que acompanho e achei muito apropriado reproduzí-lo aqui, até para dar munição ao Tico para argumentar com sua gravadora.


tradução de texto publicado em TechDirt


Ouvindo a indústria da música você pensaria que música de graça significa que os músicos não têm mais nada para vender. Isso é, obviamente, falso já que vemos repetidamente que músicos que se conectam com os fãs (ao invés de processá-los) e dão a eles algo de valor para comprar (ao invés de forçar as mesmas coisas sobre eles) não têm problemas para vender bastante, a despeito de qualquer “pirataria”. Na verdade, existe cada vez mais evidência de que música gratuita não é nem mesmo uma substituta real para música paga. Há alguns meses escrevemos sobre Corey Smith e sua experiência do verão passado. Smith oferece todas as suas canções de graça em seu site e, ainda assim, continua vendendo faixas no iTunes. A experiência consistiu em remover os downloads gratuitos do site e descobrir que as vendas no iTunes despencaram. Exatamente o oposto do que a indústria da música insiste em dier que vai acontecer.

Parece que algo semelhante aconteceu com Moby. Em um e-mail para Bob Lefsetz ele ressalta que a música que ele vem dando em seu site é a que tem gerado mais vendas no iTunes:

Como vão as coisas?
O álbum acabou de sair e lideraria a parada européia se não fosse pelos relançamentos do Michael Jackson.
Então, está indo bem.
Mas tem algo engraçado acontecendo: a faixa que mais tem vendido no iTunes é “Shot In The Back Of The Head”.
Por que é engraçado?
Porque é a faixa que eu venho dando há dois meses e que eu ainda estou dando.
Estranho.
Como vai você?
Moby

É claro que deve ajudar o fato de Moby não tratar seus fãs como criminosos.

6 de jul. de 2009

Moonalice - Uma banda de veteranos dá exemplo de comunicação com os fãs


Eu fiquei tão impressionado que tinha que dividir com vocês. Enquanto muita gente reclama, tem artista cuidando de conquistar os fãs dando a eles muito mais do que eles esperam.

O Moonalice é uma banda formada por grandes músicos. O guitarrista G. E. Smith já acompanhou grandes nomes da música como Bob Dylan, Tina Turner, Mick Jagger, Tracy Chapman e Hall And Oates e foi diretor musical da orquestra do Saturday Night Live. Jack Casady foi baixista do Jefferson Airplane e tecladista do Hot Tuna. Pete Sears já tocou e gravou com Rod Stewart, Jerry Garcia e Los Lobos, entre muitos outros. John Molo foi baterista do Bruce Hornsby e do John Fogerty. Pelas minhas contas a maioria está na casa dos 60 anos. Apesar desse timaço eu nunca tinha ouvido falar da banda.

Outro dia recebi no Twitter uma mensagem de alguém que eu nem conhecia me recomendando essa banda. Ouvi, gostei e recomendei. Daqui a pouco recebi uma mensagem da banda agradecendo a recomendação junto com um link para uma versão ao vivo de uma das canções do primeiro álbum deles. A canção era boa, muito bem tocada, mas não me chamou a atenção até a hora dos solos. Sim, eu disse “solos”, substantivo plural. O primeiro, de teclado, é enorme e maravilhoso, o segundo, de guitarra, também é empolgante. Depois disso ainda tem uma longa parte instrumental sem solo. Ou, como se dizia antigamente, um solo de base. Quando acabou é que eu fui me dar conta que a música tinha mais de 8 minutos de duração. Me ganharam para sempre. Que coragem! E quanto talento.

Comentei sobre a música no Twitter e recebi uma mensagem pedindo para que eu os seguisse porque eles queriam me mandar uma mensagem direta – daquelas que os outros usuários do site não podem visualizar. Avisei que já os estava seguindo e recebi uma mensagem em português pedindo para que eu mandasse meu endereço para um determinado e-mail para que eles me enviarem um disco!!! Quase não acreditei. Mandei um e-mail incrédulo para o guitarrista base – um dos fundadores da Wikipédia! -, achando que quando ele visse que era no Brasil me daria uma desculpa cordial e não me enviaria nada.

Recebi então esse e-mail (em inglês):

“Caro Leoni, Vou te mandar um álbum. Ele foi produzido por T Bone Burnett e inclui 5 versões diferentes das músicas, otimizado para soar como vinil em vários aparelhos diferentes. A versão do DVD é 96/24, com posters para cada canção. Se você tiver bons falantes ligados ao seu aparelho de DVD é a melhor forma de ouvir. (o Álbum também inclui versões otimizadas em mp3, AAC e FLAC; sinta-se à vontade para compartilhar com seus amigos) Cuide-se Chubby Wombat Moonalice”

Ainda estou incrédulo – o disco ainda não chegou -, mas fiquei realmente impressionando com o esforço que foi feito para conquistar um fã que provavelmente não vai gerar receita para eles pois dificilmente eles virão tocar no Brasil.

Recado para os artistas brasileiros: chegou a hora de parar de brincar de superstar e começar a correr atrás de fãs antes que eles não tenham mais tempo de prestar atenção em mais nada.

Parabéns, Moonalice, pelo excelente trabalho de divulgação da música de vocês – caso eles consigam ler esse texto com o tradutor que eles usam para se comunicar com os fãs brasileiros.

PS: Outro e-mail que eu recebi

“Dear Leoni, Moonalice is an experiment. We are musicians from the 60s, trying to create a new band with an old feel. It thrills me that you like what we are doing. I wish I spoke Portuguese. The translation software in TweetDeck isn’t very good. I have two friends who speak Portuguese, so I will try to get their help. Let us know how we can help you. We are delighted to send whatever materials will help you spread the word. Take care, CWM”

UAU!

PS2: Vez por outra o Moonalice faz um Twittercast que consiste em dar todas as canções captadas em um show através do Twitter. Liberando aos poucos, uma cancão a cada três minutos, é como se você fosse ouvindo o show via internet. Inovação é isso!

19 de mai. de 2009

Aldus Manutius e a música hoje


O software do New York Times mostrado pelo Leoni aqui embaixo parece sensacional, não? Torço para que a coisa dê certo.

O mercado editorial, em especial o jornalístico, é a bola da vez a passar pelo cataclisma que acometeu a indústria do disco. O New York Times está em situação quase desesperadora e se aguenta até 2011. Deu n'O Globo de hoje que a revista Newsweek passou por uma reformulação, oferecendo mais conteúdo, a um preço maior, mas mirando um público mais exclusivo.

O curioso é que, desde os anos 90, os jornais já sabiam que essas mudanças viriam e pensaram em mais de uma estratégia para se adaptar, sem sucesso. Uma delas era conteúdo free, baseado em anúncios. Como se vê, nem de longe compensou a queda das vendas e de anúncios da versão impressa.

Talvez um dos grandes erros deles tenha sido a suposição de que o "velho" necessariamente se adapte ao "novo". Muitas vezes não é o que acontece. As revoluções, antes de se estabilizarem, antes que uma nova ordem se estabeleça, passam por períodos de transição caóticos, confusos.

Assim foi com a invenção do tipo móvel. Uma ordem cultural inteira foi varrida do mapa, criando um estado de insegurança enorme, mas estabilizado décadas depois: o fim do poder da Igreja sobre a cultura, a ascenção das línguas vernaculares em detrimento do latim, a alfabetização, o fim de muitas certezas. É assim com revoluções: o antigo é destruído antes que o novo seja criado. Só com Aldus Manuntius (quem é designer, conhece), é que o livro passou para o formato e proporções próximas às de hoje, se tornou portátil, caiu de preço e foi popularizado.

Isso me faz pensar que o impensável às vezes pode acontecer. Tomorrow never knows. As tais cadeias produtivas podem sofrer mais mutações do que possamos imaginar. E mesmo que tenhamos uma enorme afeição pelo jornal do café da manhã (eu, ao menos, tenho), ele não é sinônimo de notícia, por mais que os vejamos como uma coisa só. E, no fim das contas, notícia de qualidade é o que realmente importa.

Vocês não acham que isso tem alguma coisa a ver com a indústria da música?

PS: O texto acima foi inspirado pela leitura deste aqui.

18 de mai. de 2009

Trama inicia transmissão ao vivo de seus estúdios


Recebi da Trama, via e-mail, a mensagem abaixo.
Hoje, a Trama dá início ao projeto Webcast, que prevê transmissões ao vivo do dia-a-dia nos estúdios. Estreando: Móveis Coloniais de Acaju com o pocket show C_mpl_te, às 16h.

Para acompanhar é só acessar: www.trama.com.br/webcast

Esse será o primeiro show da banda após o lançamento do segundo álbum (C_mpl_te), que saiu no último dia 8, pelo Álbum Virtual Trama. http://www.albumvirtual.trama.com.br
A Trama é um selo que está se notabilizando por lançar e deixar disponíveis no seu site - por algum tempo - álbuns virtuais de algumas bandas com a arte do encarte e também extras, como fotos em vídeos em alta definição. Artistas como Tom Zé (já expirado,) Ed Motta, Cansei de Ser Sexy, Macaco Bong e Móveis Coloniais de Acaju.

O que será que eles estão tramando?

14 de mai. de 2009

Música por streaming se populariza

A revista Época desta semana tem uma reportagem sobre a popularização de sites de música por streaming. O simples fato do assunto aparecer na revista já é um sinal importante. O crescimento de gente acessando a web via I-Phone e outros gadgets móveis só faz aumentar a tendência ao streaming, em detrimento do mp3.

A matéria foca no site brasileiro Sonora e no sueco Spotify.


Desde fevereiro deste ano o Sonora está com o conteúdo aberto, de grátis. Tem 200 mil assinantes e cresce numa base de 2.500 por dia. Isso no modelo gratuito, pois há três planos pagos, de 9,90 a 19,90 reais por mês. O plano grátis, pelo que vi, dá direito a 20 horas por mês - e anúncios entre as músicas. Nos planos pagos é possível baixar, mas ainda com os indefectíveis DRMs. A remuneração varia, mas de uma forma geral os lucros são repassados para as gravadoras de acordo com o número de vezes que a música foi ouvida. E da gravadora para o artista. Lucro? Dizem os caras do Sonora que ele é lucrativo desde o início, por ter herdado patrocinadores do portal Terra.

Eles têm um acervo até grandinho. Mas fiz uma pesquisa e não têm Beatles ou The Who, por exemplo. Estão lutando para tocar a Warner também.


O Spotify tem mais de 1 milhão de usuários só na Inglaterra e cresce a uma base de 20 mil pessoas assinantes diários. Lá já estão Caetano, Chico e até uns sertanejos. Há bons nomes de música clássica também - isso, no Sonora, nem em sonho. Uma coisa bacana é que, assim como a Last.fm, ele contextualiza os artistas, com dados sobre biografia e discografia. O Sonora não tem isso.

O site tem três pacotes de acesso. Para o Brasil só é possível acessar o último, pago.

Aqui abaixo vai uma comparação entre os recursos dos dois sites:

Acervo
Sonora: 1 milhão de músicas
Spotify: 3 milhões de músicas

Rádio
Os dois têm, mas o Spotify oferece seleção combinada de ano e ritmo.

Playlist
Em ambos as playlists personalizadas ficam memorizadas

Download
O Sonora tem planos de downloads ilimitados, o Spotify não.

Acordos com gravadoras
O Spotify tem com todas as grandes, o Sonora não tem a Warner.

Biografias e informações
Só no Spotify.

Acesso no Brasil
O Sonora tem acesso gratuito e assinaturas. O Spotify, só assinaturas.

Histórico do usuário
No Sonora, de até seis meses atrás

23 de abr. de 2009

Algumas respostas


Depois do bode criado pelos posts discutindo O Culto do Amador, me penitencio aqui com um revigorante trecho de um artigo do Gerd Leonhard sobre, entre outras coisas, quais serão os fatores que determinarão valor no mundo digital. Vai em inglês mesmo, ok?

So what are those future value-determining factors? Here are a few from a long list that I have been compiling:

  • The best quality experience, at the perfect time. Compare listening to a low quality audio-stream on your mobile, in the train, to enjoying an HD recording on your living room (or car?) sound system. The first one could be feels-like-free or bundled, the other one could be a premium, paid-for service. The difference is just my particular use case, not the 0s and 1s.
  • A new, attractive and convenient package (or shall we say, alternate user interface?) A powerful and very recent example is 'The Presidents of The United States of America' iPhone app: the user pays a one-time fee of $3 for free, on-demand streams and videos from the last 4 albums, and lots of up-selling is built right into the app. iPhone users that are fans are very likely to shell out $3 to get this cool widget, and in a way I guess they are now actually paying for what they would otherwise have gotten for free, anyway (i.e. to listen to their favorite music, on-demand). Plus, the band now has a direct and totally unique path to their biggest fans - and that is the new gold, in my opinion. Sounds like a great deal to me: package it nicely and it will sell regardless of free alternatives.
  • Also note that this same phenomena is what still sells printed books. The words i.e. the content anyone can probably get for free, somewhere, but the feel and smell of the paper, the physical format, the touch, the familiar and comfortable user-interface (UI) is what I am actually paying for when I buy the good old, dead-tree version. In other words, I pay for the design, the printing and shipping, and only implicitly for the 'words'. It is important to note, though, that nice user interfaces will soon be available on electronic reading devices, as well, therefore leading us to that very same, original question: what will we pay for when we buy content, ultimately? We may soon enter the age of content-as-software-packages: many of us may soon no longer order the printed versions of books (last not least because of environmental concerns) but we may happily pay a few Euros a month for a digital book subscription, or add it in a bundle via our mobile phone bill, only to then buy the 20 Euro multimedia / virtual world edition of a book we really like - except that it won't be printed and shipped but also downloaded to my mobile device.
  • Authenticity and timeliness. I foresee a future where I will gladly pay a bit more to make sure that what I get is the bona-fide real thing, from the actual creator, in its correct version and without any shortcuts or changes. An authorized, paid-for English translation of the new Paulo Coelho book (digital or otherwise) would certainly be more enticing to me than 'free' copy that is not stamped with his approval. And if I can get it the moment that it's finished, even better (and I pay another premium).
  • Selection, expert curation, filtering, culling, context, annotation. In my experience, few people have time to find the best music for a specific occasion. Why would I bother looking for a great selection of ambient 'space music' for my yoga sessions when a true, bona-fide authority such as Stephen Hill (Producer of the superb Hearts of Space / HOS online radio show) has already done this for me? My payment to HOS would therefore be not so much for the actual songs, it's more for the service of having them filtered and annotated by a real expert.

Google passa a dar música de graça... na China



O Google está liberando arquivos mp3 legais e de alta qualidade na China. É uma estratégia para abocanhar uma fatia maior do mercado chinês, que hoje é de 28%. Eles pretendem gerar receita a partir de anúncios.

Há um artigo no Media Futurist comentando este importante passo rumo à liquidifcação da música. Será?

6 de abr. de 2009

Mais música de graça



Os debates que vêm antecedendo o lançamento do novo livro do Chris Anderson, "FREE: the past and future of a radical price", estão quentes na rede.
No Hypebot, mesmo site que serviu de fonte para o post anterior, rolou uma semana de discussões.
Para quem lê bem em inglês vai o link.
Para os outros, vou ver se consigo colocar alguma coisa por aqui em breve.
Aliás, se alguém quiser fazer o "trabalho de sujo" de traduzir alguns textos, fique à vontade.
Depois é só enviar para: leoni@otrofuturo.com.br

31 de mar. de 2009

Bandcamp - sites gratuitos para bandas


Já que ter um site é importante, essa pode ser uma ferramenta interessante. Alguém conhece?

Bandcamp, um serviço grátis de criação de sites para bandas

by Miguel Caetano on Setembro 18, 2008

Sinceramente, já fazia falta algo assim: um serviço inteiramente gratuito que permite que qualquer banda ou músico monte a sua própria presença online em poucos minutos através de um site próprio com um aspecto limpo e profissional. Se tivesse que resumir a plataforma do Bandcamp, diria que se trata de uma espécie de Wordpress.com para artistas independentes, só que em vez de blogs cria sites de música para quem está à procura de algo mais do que uma página no MySpace ou noutra rede social/plataforma de promoção de bandas.

Streaming e downloads a partir de um interface limpo, simples, rápido e eficaz com a possibilidade dos fãs acederem às capas dos discos, consultar notas ou mesmo letras. Assim como cada banda tem direito ao seu próprio subdomínio em bandcamp.mu, também cada disco e cada música têm direito a endereços próprios. Tudo numa perspectiva de optimização para motores de busca (SEO), para que o vosso site apareça nos lugares de destaque nos resultados do Google.

O melhor de tudo é que cada banda pode decidir de que modo é que pretende disponibilizar as músicas: grátis, a um preço fixo ou “à vontade do freguês”. Se optarem por vender os temas, os utilizadores podem logo ali efectuar a transacção via Paypal. A única exigência que os responsáveis pela plataforma fazem é que as bandas não podem limitar o streaming das faixas a miseráveis excertos de 30 segundos. Faixas completas ou nicles!

Outra coisa boa é que depois de feito o upload, eles encarregam-se de fazer o transcoding automático das músicas para nada menos do que NOVE formatos à escolha, desde MP3s de qualidade medíocre (128 Kbps) até a formatos lossless como FLAC e Apple Lossless. Todas as faixas descarregadas vêm com os metadados correctos (capa do disco e nome do álbum, banda e faixa).

Os utilizadores podem também, por seu lado, inserir um widget com um leitor para poder ouvir as músicas da banda no seu site, blog ou perfil de rede social. Os tarados por estatísticas e métricas têm acesso a uma panóplia de dados sobre de onde é que os vossos visitantes vêm, que sites ou blogs vos linkam, em que sítios é que os vossos widgets foram inseridos, quais são as músicas mais populares, o número de vezes que elas foram tocadas até ao fim, escutadas parcialmente ou saltadas, etc.

Quem abrir um site no Bandcamp não só não precisa de pagar absolutamente nada à partida, como mantém todos os seus direitos e pelo menos até Março de 2009 terá direito a 100 por cento das receitas geradas com as vendas de downloads. Embora a partir daí, os responsáveis pelo serviço possam começar a cobrar uma percentagem sobre essas receitas, eles prometem que essa percentagem nunca será superior a 15 por cento. Nos planos da empresa está também o recurso a publicidade, mas eles garantem que o dinheiro será sempre dividido com as bandas.

Os criadores do Bandcamp são Ethan Diamond e Shawn Grunberger, que foram também os fundadores do Oddpost, um dos primeiros serviços de Webmail concebidos em Flash que foi posteriormente comprado pela Yahoo!. Leiam a entrevista que Diamond deu a Andy Baio do Waxy. Se é certo que a TopSpin Media do ex-Yahoo! Ian Rogers oferece uma plataforma algo semelhante para artistas que pretendem fazer uma carreira sem um contrato com uma editora discográfica, a verdade é que os serviços da TopSpin apenas se encontram ainda acessíveis a um grupo restrito de artistas. Por outro lado, se o Bandcamp é grátis, é bem provável que a TopSpin cobre umas boas centenas de dólares por cada site.

30 de mar. de 2009

Bob Dylan de graça. Só hoje.

Leoni me avisou: Bob Dylan está disponibilizando no seu site uma música inédita. Mas só hoje. Vejam só a mensagem que eles mandam para os cadastrados:

Dear Friends,

We are excited to offer you a free download of BEYOND HERE LIES NOTHIN' from Bob Dylan's new album TOGETHER THROUGH LIFE.

BEYOND HERE only hints at the variety of tone, mood and feeling on an album that critics are already buzzing about.

Pre-order the album now and get a great vintage Bob Dylan poster, only available from bobdylan.com.

Sorry to say that this download is only available for free for one day; from midnight Monday March 30th, through midnight, March 31st.

Enjoy!

your friends at bobdylan.com

27 de mar. de 2009

Gratuidade e os 1.000 fãs verdadeiros

Chris Anderson
Olha só que interessante:

O Chris Anderson – ex-editor da Wired e escritor da Cauda Longa, livro de referência em todo mundo sobre negócios nos tempos da internet - disse que a gratuidade é um elemento chave na construção de uma carreira em música e que converter os fãs para uma "versão premium" paga do que é oferecido gratuitamente é a chave para se conseguir ganhar dinheiro.

Ele acha que uma taxa de conversão de 5% é bastante razoável e que, então, para se conseguir os 1000 fãs verdadeiros necessários para sustentar uma carreira, um artista precisaria de 20.000 cadastradas na sua lista de e-mails!!!

Três coisas:

a) dos 23.500 cadastrados, mais de 18.000 me autorizam a mandar e-mails, então já estou quase lá;

b) preciso aprender a fazer dinheiro com isso;

c) eu deveria ser patrocinado para estudos como um “case” importante para a indústria, já que eu venho fazendo tudo que eles acham que deve ser feito, mesmo antes deles chegarem às mesmas conclusões que eu. Alguém se habilita? rsrs

Vamos a um vídeo sobre a economia da gratuidade ou "Free":

24 de mar. de 2009

Música de graça

Vamos discutir algumas ideias?

No meu site eu tenho dado uma canção inédita por mês para os cadastrados - que recebem um e-mail avisando que ela já está disponível. Além do arquivo em MP3 – nada de DRM, pelo amor de Deus! – de boa qualidade, eles encontram letra, cifras, ficha-técnica, textos sobre a composição e a gravação e uma foto para a capa virtual do single.

É tudo gratuito e oficial. Eu parti da idéia de que a venda de música já é algo insignificante e que, muito mais que vender, é importante ter a atenção das pessoas. A única coisa que eu peço em troca é o e-mail delas para que eu possa mandar outras canções, avisar quando eu lançar um show novo ou uma nova promoção etc.

Tenho procurado outros artistas que façam algo semelhante no Brasil mas ainda não encontrei. Adoraria trocar experiências e resultados.

O que vocês acham dessa estratégia? Conhecem alguém que tenha uma conduta semelhante?