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19 de jan. de 2010

Música gravada: uma bolha no tempo

www.michaelspornanimation.com/splog/?p=1251

Brian Eno:

"Acho que discos foram apenas uma bolhinha no tempo e aqueles que conseguiram seu sustento com eles foram uns sortudos. Não há razão por que se ganhe tanto dinheiro vendendo discos , exceto quando tudo estava certo naquele período de tempo. Eu sempre soube que iria dar errado cedo ou tarde. Não podia durar muito, e agora está dando errado. Não me importo particularmente que seja assim e gosto da forma que as coisas vão indo. A era do disco foi apenas uma piscadela. Era com se você tivesse banha de baleia nos anos 1840 e a utilizasse como combustúvel. Antes de aparecer a gasolina, se o seu negócio fosse banha de baleia você seria o homem mais rico da Terra. Aí veio a gasolina e você ficou para trás com sua banha de baleia. Foi mal, parceiro – a história continua. Música gravada é igual a banha de baleia. No fim, outra coisa a substituirá."

Do original no Guardian:

“I think records were just a little bubble through time and those who made a living from them for a while were lucky. There is no reason why anyone should have made so much money from selling records except that everything was right for this period of time. I always knew it would run out sooner or later. It couldn’t last, and now it’s running out. I don’t particularly care that it is and like the way things are going. The record age was just a blip. It was a bit like if you had a source of whale blubber in the 1840s and it could be used as fuel. Before gas came along, if you traded in whale blubber, you were the richest man on Earth. Then gas came along and you’d be stuck with your whale blubber. Sorry mate – history’s moving along. Recorded music equals whale blubber. Eventually, something else will replace it.’’

20 de mai. de 2009

O renascimento de uma arte viva


Tradução de um artigo do Brian Eno (sim, ele mesmo!).

A indústria do disco está estagnada porque as vendas estão despencando. A tecnologia digital tornou mais fácil fazer e copiar música, resultando que a música gravada é tão prontamente disponível como água, e nem um pouco mais excitante.

Isso pode parecer uma má notícia, até que pegamos um número da Time Out. Aí você percebe que a cena ao vivo está explodindo, porque, incapazes de ganhar a vida a partir das vendas de discos, mais e mais bandas estão tocando ao vivo. Essa experiência não pode ser carregada num cartão de memória – e as pessoas estão a fim de pagar po ela, e bastante. O público dos concertos está alto como nunca: as gravações funcionam cada vez mais como anúncios para shows, e os shows se tornaram novamente a coisa real, o induplicável.

De forma similar, os festivais ao vivo têm surgido como cogumelos. Há mais deles do que nunca, e se tornaram comunidades temporárias – algo entre circos e comunas e escolas de verão, oferecendo debates politicos, oficinas, aulas de tai-chi, comédia, artes visuais, teatro, livrarias e, mais importante, a chance de pessoas se encontrarem, se medirem e trocarem ideias. A música é quase uma desculpa para a consolidação de uma nova sociedade. O que, afinal de contas, é a tarefa principal da música pop, e é bom vê-la de volta.

A duplicabilidade das gravações produziu um outro efeito inesperado. A pressão está em desenvolver conteúdo que não seja facilmente copiável – tanto que tudo que não seja música gravada está se tornando valioso para os artistas venderem. Claro que eles também querem vender sua música, mas agora eles embutirão este produto relativamente sem valor em peças dífíceis de copiar (portanto, mais valiosas). Gente que não pagaria 15 libras por um CD pagará 150 pela edição limitada com itens adicionais, fotos, booklet e DVDs. Geralmente eles já possuem a música, baixada – mas agora querem a arte. Estão comprando a arte, de uma nova maneira. Isso me sugere a possibilidade de um mercado de arte refrescantemente democrático: uma nova maneira de artistas visuais, designers, animadores e cineastas ganharem a vida. Pois quando um negócio fecha, outros abrem.