Traduzi e adaptei um texto do Bob Lefsetz que eu recebi hoje e que, eu acho, que tem tudo a ver com as discussões que já estão rolando por aqui:
"Você tem que parar de gravar álbuns.
No NYT de hoje tem uma história sobre a indústria dos games que afirma que os suspeitos de sempre, PlayStation 3, Xbox360 e até o Wii, estão sendo obscurecidos pelo iPhone/iPod Touch. Os jogos para esta nova plataforma móvel são baratos, quando não gratuitos, e você não precisa comprar um console caro.
O custo de criação de um jogo para os consoles antigos é de $25 milhões e só 16 em 486 geraram esse faturamento. Quase tão ruim quanto o lançamento de álbuns das majors.
Há duas razões para o fracasso dos álbuns. Uma, os Beatles fizeram um statement artístico e as gravadoras descobriram que havia muito mais lucro nos discos cheios que nos singles.
De alguma forma, nas décadas seguintes os artistas passaram a ver os álbuns como seu “cálice sagrado”, como um direito adquirido. E o ouvinte foi completamente ignorado.
O Napster separou o single do álbum – que era longo e caro demais - e agora o público tem a opção de só ter o que quer - e as pessoas não querem gastar tempo e dinheiro no pacote.
Não exclusivamente. Há alguns artistas que fazem statements que precisam de um álbum. Mas ele tem que ser entregue do mesmo jeito antigo?
Um fã de verdade quer mais e mais musica do seu artista favorito, mas ele não o quer despejado em sua cabeça como uma bomba, tudo num dia só. Ele quer receber novidade o tempo todo. Os músicos têm que entender que o mundo mudou.
Os selos odeiam isso, assim como os grandes fabricantes de games. O preço é muito baixo. Como competir com um garoto que cria um jogo no porão de casa? É exatamente o que está acontecendo com o iPhone/iPod Touch.
Os selos deveriam ter agido como a Apple que fica com 30% de todas as vendas de aplicativos. Ela verifica o produto para o consumidor e garante o pagamento ao criador. Esse é o papel de uma major no futuro, um portal de produtos pré-aprovados. Mas para isso acontecer teríamos que acreditar que as gravadoras aceitariam trocar dólares por centavos.
O público deu a sua palavra. “Nós não queremos nos sentar no sofá para ouvir sua grande obra, nós queremos exatamente o que queremos enquanto surfamos na Web, enquanto fazemos ginástica, enquanto levamos a vida.”
Se você quer ter uma carreira deve focar nos singles. E cada um deles deve ser atraente para o seu público. Se você quer atingir a massa de ouvintes casuais, empregos “ganchos” e truques. Mas se você quiser ter um público fiel, arrisque-se. Acredite em mim, se o The Doors gravasse “The End” hoje e lançasse só essa faixa ela se espalharia por toda a rede. Mas se lançassem “The End” com outras nove faixas num pacote de uma hora, não só as pessoas não a encontrariam, mas muitos fãs jamais chegariam a ouví-la. Eles sairiam para comprar um cachorro quente na hora que a banda tocasse algo do meio do álbum.
As pessoas estão soterradas e a solução da indústria tem sido dar ainda mais. Ao ponto das pessoas terem desistido.
Se você está gravando um álbum hoje eu dou risadas. Crie uma canção que prenda a minha atenção e deixe-me querendo mais. Estou falando de ser especial e não sobre valor. Estou falando de música e não de comércio."
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30 de mar. de 2009
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