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11 de dez. de 2009

Criando uma nova cena musical alternativa



Estou ajudando a organizar um debate, ou melhor, um diálogo sobre a criação de uma nova cena musical alternativa. "Alternativa" deixou de ser uma expressão para designar o que não alcançou a grande mídia para recuperar seu sentido de “outra solução”, “outro caminho”. Talvez a grande resposta quando se está sem caminhos.

Pensando grande, vamos nos reunir, Tico Santa Cruz, O Teatro Mágico, For Fun, Bruno Levinson da MPB FM e alguns outros artistas, pensadores e produtores e imaginar formas de juntar esforços e públicos, independente dos estilos musicais e criar festivais e outros eventos que chamem a atenção de forma mais impactante.

Todo o diálogo será transmitido via internet. O encontro será na quinta-feira, às 16:00h na UFRJ da Urca. Vejam os detalhes:

“Diálogo: Como construir uma cena da música independente sustentável?

A partir da afirmação, "Um mundo acabou. Viva o mundo novo!" presente no manifesto música para baixar, é que devemos refletir, aprofundar e projetar uma nova cena da música independente no Brasil, que se adapte às novas tecnologias e reúna criadores, produtores e usuários da música, com disposição e atitude para coletivamente construir novos modelos de negócios viáveis e sustentáveis para os tempos em que vivemos.

As ideias que apoiamos necessitam de tempo para se disseminar, e nós, que vivemos de música, não podemos esperar de braços cruzados enquanto a indústria e as leis não se adaptam à nova realidade. Baseados nos preceitos do movimento Música Para Baixar, temos que criar, hoje, uma cena alternativa. Como o antigo sistema ruiu e não funciona mais para ninguém, sejamos os criadores da nova realidade, os líderes da viagem ao novo mundo, a alternativa real. A tecnologia nos deu as ferramentas necessárias para essa tarefa, que, cada vez menos, necessita de intermediários entre artistas e público. Temos feito isso sozinhos. Agora, vamos fazê-lo juntos.

Vamos reunir ideias de artistas, produtores, consumidores e pensadores para formar novos públicos e oferecer outras formas de criação e consumo de música. Queremos fortalecer uma nova cena que seja economicamente sustentável para se contrapor ao modelo que recebemos.

Para esse diálogo estão convidados:

- Leoni / Movimento MPB
- Tico Santa Cruz / Detonautas
- Fernando Anitelli / Movimento MPB / Teatro Mágico
- Everton Rodrigues / Movimento MPB, Software Livre / Teatro Mágico
- Marcos Sketch / Forfun
- Adriano Belisário - Pontão de Cultura ECO/UFRJ
- Bruno Levinson / Rádio MPB fm
- Walter Abreu - Showlivre.com

Mediação: Professora Ivana Bentes, Diretora ECO/UFRJ

Data: 17 de dezembro
Horário: 16h
Endereço: Av. Venceslau Bras, n° 71, Fundos - Botafogo. Escola de Comunicação da UFRJ - Campus Praia Vermelha - Mapa - http://pontaodaeco.org/como-chegar

O evento é aberto para todos os interessados

Transmissão ao vivo (streaming) - pontaodaeco.org

Realização: Movimento Música para Baixar

Apoio: Pontão de Cultura ECO/UFRJ”

26 de mai. de 2009

A Maravilhosa História do Teatro Mágico - 1ª parte



Gustavo, o empresário do Teatro Mágico e irmão do Fernando Anitelli - compositor e cantor da trupe circense/musical -, vai nos contar em capítulos a bem sucedida história deles. Talvez a mais impressionante carreira alternativa do país. Eu só li o primeiro capítulo e já estou muito curioso para saber como a aventura continua.

"Há pouco tempo atrás tomei contato com este blog através de colegas de bandas independentes do Paraná – em especial, o pessoal da banda “Nuvens”. Participei de um seminário sobre comunicação livre, e lá procurávamos encontrar agentes na música que pudessem ter um discurso parecido conosco; a afirmação de um modelo alternativo à cadeia atual monopolista da música....pois bem aqui estou eu.

Nesta difícil tarefa de resumir em um texto a conjuntura da música nacional e internacional, e nós dentro disso tudo, vou contar a primeira parte desta história, quando decidimos se era a pílula azul ou a vermelha.


Há 15 anos eu era uma criança, ainda não havia entrado na adolescência, já era muito próximo de Fernando, meu irmão, figura que futuramente eu iria empresariar no ramo musical. Naquela época, me lembro de participar de algumas viagens com a banda dele, meu pai sempre nos acompanhava, eu de longe também ouvia as histórias que enchiam todos de esperança: “o cara é amigo do primo de um funcionário da Globo!!!”, “disse que vai levar nossa fita para a produção do Faustão!!!” ; “O produtor deste show disse que não tem cachê, mas que pode nos apresentar para um locutor da radio 89FM!!!”

Eram estas notícias que alimentavam nossos sonhos, nos mantinha aquecidos para uma possível oportunidade, e assim vivíamos a ingênua ilusão de que, um dia, seríamos premiados com um contrato em uma gravadora, como um presente que viria do céu, que nem um disco voador, um estrela cadente, um eclipse da lua e de marte ao mesmo tempo, o tipo de coisa que só acontece uma vez na vida, em 1 milhão de vidas.

Bem, vivemos assim durante cerca de 8 anos, esperando, esperando, esperando, esperando...até que a esperança foi ficando lá trás. Após perder dinheiro na mão de picaretas dizendo que tinham contatos, que nos levariam para turnês no exterior - pasmem, meu pai desesperado colocou a mão no bolso pra isso -, depois de uma série de engodos, o fato era que a gravadora não contratava mais quem não tivesse o investimento inicial no Álbum, o amigo do primo que trabalhava na Globo era só um auxiliar administrativo da segurança e disco voador não existia .....estava tudo acabado, não havia mais espaço para gente nova e sem dinheiro na música brasileira.... até que uma pequena luz no fim do túnel se acendera: uma gravadora aceitou gravar as músicas de Fernando!

No inicio comemoramos muito, era a entrada no “ main stream”, fomos gravar no Beebop. Chegamos por lá e nos disseram que o Zezé de Camargo tinha saído há pouco tempo porque estava gravando uma música lá também!!! Meu Deus, a gente nem gostava de sertanejo, mas estava de igual pra igual ali.

Este foi nosso segundo erro ingênuo, o primeiro foi ficar esperando o contrato de uma gravadora, o segundo foi assinar.
Depois de alguns dias e algumas horas de estúdio o dono da gravadora avalia que nossa música estava brasileira demais, a moda que estava começando a pegar era o ska, e portanto, teríamos que refazer tudo. Fernando, na sua inocência e coragem, não entende e não aceita modificar todos os nossos arranjos de uma hora para outra - e o dono da gravadora cancela o projeto.

Mas a novela não acaba aqui, o pior ainda estava por vir. O que foi mais dolorido foi, na assinatura do contrato com a companhia, com toda a empolgação, demos todos os direitos de todas as músicas que Fernando poderia gravar nos próximos 5 anos, ou seja, além de acabar com todas as nossas esperanças, Fernando ainda ficou trancado, silenciado, sem poder sequer fazer um CDzinho demo pra mostrar pros amigos.


Isso criou as bases para o nosso pensamento, perseguimos por anos respostas para um sistema engessado, onde os definidores da música são os atravessadores, negociantes de terno e gravata. Foi a partir deste tombo que chegamos a seguinte conclusão: Independência ou morte! Não vamos mais depender de contato de rádio, gravadora, TV, empresário. Chega, acabou, vamos começar a estabelecer um contato com 1 agente somente, o público, é ele que importa, é ele quem interessa!!!!


Vou continuar a história no próximo post. Por enquanto, o leitor que não conhece nosso trabalho só esta tomando contato com mais uma lenda urbana social comum em cada esquina. Posteriormente vamos narrar como que, a partir disso, pudemos vender mais de 160 mil cópias de nosso CD enquanto estas mesmas gravadoras vendem 30, 40 mil de seus principais artistas. Também vamos narrar como podemos colocar 6 mil pessoas em um show de bilheteria, sendo que estes mesmos empresários não conseguem colocar 1500 pessoas - depois de muito jabá pago.
"

Para conhecer um pouco do som da banda:

Ana E O Mar - Fernando Anitelli - O Teatro Mágico

6 de mai. de 2009

Será a ponta do iceberg musical?


Parece que estamos começando a descobrir outros artistas que estão obtendo algum resultado com táticas alternativas de divulgação e distribuição de música. O Roger do Ultraje vai escrever um texto sobre o que eles andam fazendo no ReverbNation – que ele está adorando -, quero um depoimento do Teatro Mágico – que faz muito show, onde aproveita para vender muito CD, tem um super esquema de merchandising e dá músicas na internet - e, por indicação do Beni, vou procurar saber mais sobre o Móveis Coloniais de Acaju.

Alguém tem mais alguma dica?

Não precisa ser um estouro, mas tem que ser alguma ideia diferente que ajude a manter e esquentar a carreira da banda ou do artista.

Só quero saber se esses casos são a ponta do iceberg ou honrosas exceções.

4 de mai. de 2009

Mais sobre Trent Reznor e mais sobre bandas novas

Para quem já viu o vídeo do MIDEM esse é um complemento que inclui soluções para artistas novos.
Quem tiver mais dicas sobre como se financiar nos dias de hoje sendo músico, está já convidado a postar.
Em breve quero postar um texto sobre O Teatro Mágico, uma banda 2.0. Ela não existe no mainstream e sobrevive luxuosamente agradando apenas seus fãs.
Alguém aqui conhece?

Bem vamos ao vídeo:

Leadership Music Digital Summit 2009 - Mike Masnick keynote address, 3/25/09 from Leadership Music Digital Summit on Vimeo.