
Em um artigo presente aqui no blog, Beni Borja comentou que
A especialização do trabalho é um fato inescapável da vida econômica no nosso tempo. Quem faz arte, se puder, se ocupará só de criar. Quem gerencia os negócios que surgem à partir da arte, tenderá a se ocupar exclusivamente de fazer dinheiro com a criação dos outros.
Essa divisão de trabalho é um avanço da civilização, que não vai desaparecer só porque apareceu um novo modelo de negócios. Passado o momento de confusão, continuaremos tendo empresários e artistas.
Em O Culto do amador, que leio em pílulas, achei um trecho que complementa o que Beni disse acima:
No século XIX, essa divisão do trabalho não se refere apenas à decomposição de tarefas numa fábrica manufatureira ou numa linha de montagem. Ela inclui o trabalho daqueles que escolhem uma profissão ou campo, adquirem educação ou treinamento, ganham experiência e desenvolvem suas habilidades dentro de uma meritocracia complexa. Todos eles têm o mesmo objetivo: adquirir expertise.
Numa sessão famosa de A ideologia alemã, Karl Marx tentou seduzir o leitor com um mundo pós-capitalista idílico onde todo mundo pode "caçar de manhã, pescar de tarde, criar gado ao entardecer e criticar após o jantar". Mas se todos nós podemos ser simultaneamente caçadores, pescadores, criadores de gado e críticos, pode algum de nós realmente sobressair em alguma coisa, seja na pesca, na criação de gado ou na crítica?
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O que será que isso tem a ver com o estado atual do mundo da música?
