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14 de mai. de 2009

Música por streaming se populariza

A revista Época desta semana tem uma reportagem sobre a popularização de sites de música por streaming. O simples fato do assunto aparecer na revista já é um sinal importante. O crescimento de gente acessando a web via I-Phone e outros gadgets móveis só faz aumentar a tendência ao streaming, em detrimento do mp3.

A matéria foca no site brasileiro Sonora e no sueco Spotify.


Desde fevereiro deste ano o Sonora está com o conteúdo aberto, de grátis. Tem 200 mil assinantes e cresce numa base de 2.500 por dia. Isso no modelo gratuito, pois há três planos pagos, de 9,90 a 19,90 reais por mês. O plano grátis, pelo que vi, dá direito a 20 horas por mês - e anúncios entre as músicas. Nos planos pagos é possível baixar, mas ainda com os indefectíveis DRMs. A remuneração varia, mas de uma forma geral os lucros são repassados para as gravadoras de acordo com o número de vezes que a música foi ouvida. E da gravadora para o artista. Lucro? Dizem os caras do Sonora que ele é lucrativo desde o início, por ter herdado patrocinadores do portal Terra.

Eles têm um acervo até grandinho. Mas fiz uma pesquisa e não têm Beatles ou The Who, por exemplo. Estão lutando para tocar a Warner também.


O Spotify tem mais de 1 milhão de usuários só na Inglaterra e cresce a uma base de 20 mil pessoas assinantes diários. Lá já estão Caetano, Chico e até uns sertanejos. Há bons nomes de música clássica também - isso, no Sonora, nem em sonho. Uma coisa bacana é que, assim como a Last.fm, ele contextualiza os artistas, com dados sobre biografia e discografia. O Sonora não tem isso.

O site tem três pacotes de acesso. Para o Brasil só é possível acessar o último, pago.

Aqui abaixo vai uma comparação entre os recursos dos dois sites:

Acervo
Sonora: 1 milhão de músicas
Spotify: 3 milhões de músicas

Rádio
Os dois têm, mas o Spotify oferece seleção combinada de ano e ritmo.

Playlist
Em ambos as playlists personalizadas ficam memorizadas

Download
O Sonora tem planos de downloads ilimitados, o Spotify não.

Acordos com gravadoras
O Spotify tem com todas as grandes, o Sonora não tem a Warner.

Biografias e informações
Só no Spotify.

Acesso no Brasil
O Sonora tem acesso gratuito e assinaturas. O Spotify, só assinaturas.

Histórico do usuário
No Sonora, de até seis meses atrás

29 de abr. de 2009

As loucuras imperdíveis de Josh Freese


Josh Freese é um grande baterista. Já gravou e tocou com Devo, NIN, Sting, Guns and Roses, The Offspring, Avril Lavigne e muitos outros artistas. Agora resolveu lançar seu segundo disco solo de uma forma inteiramente nova, adaptado que está aos novos tempos de Música 2.0.

Sua estratégia foi a de conseguir atrair a atenção – atenção é a nova distribuição – inovando inteiramente nos pacotes possíveis para se adquirir seu novo trabalho. As idéias são tão inusitadas que muita gente resolveu conferir aquela insanidade.

Querem ver?

Os preços variam de $ 7,00 a $ 75.000,00! Pagando menos você recebe os arquivos das canções e três vídeos filmados e dirigidos pelo próprio. Por $ 15,00 além dos arquivos você recebe um CD e um DVD. As inovações começam quando se paga $ 50,00: além do pacote anterior, você recebe uma camiseta, seu CD vem autografado e o próprio artista liga para sua casa para agradecer a compra - e você tem 5 minutos para perguntar qualquer coisa que desejar sobre ele ou qualquer artista com quem ele já trabalhou. Num pulo rápido para $ 250,00 – que já vendeu os 25 pacotes disponíveis – ao invés do telefonema, o artista vai almoçar com você em um dos dois restaurantes que ele indica e te dá baquetas e peles de bateria autografadas. Dos 10 pacotes de $ 500,00 metade já foi para quem quer encontrar com Josh em Venice para flutuarem num tanque de privação sensorial e, depois, jantar no Sizzler.

E aí? Está achando que é muita loucura? Pois tem muito mais.

Os preços vão subindo e junto a proximidade. Ele pode te dar aulas de bateria, lavar seu carro ou sua roupa, sair para encher a cara com você, cortar seu cabelo, fazer massagem, escrever uma canção sobre você (além de gravá-la e produzir um clipe dela com a sua co-direção), passear com você na Disneylândia e deixar você dirigir o seu Volvo na volta, te levar para jogar mini-golfe com os integrantes do DEVO, te deixar escolher qualquer peça em seu guarda-roupa até chegar ao pacote de $ 75.000,00 que inclui te levar na turnê por alguns dias, compor, gravar e lançar um EP de 5 canções sobre a sua vida, escolher uma de suas baterias para levar de presente – qualquer uma! -, se você tiver uma banda ele pode se transformar num integrante por um mês, se você não tiver ele pode ser seu assistente pessoal por um mês e mais algumas loucuras que vale a pena ler em seu site.

Vamos aos fatos:

Ele vendeu 25 pacotes de $ 250,00, cinco de $ 500,00, cinco de $ 1.000,00, dois de $ 2.500,00, dois de $ 5.000,00 e um de $ 20.000,00!! São $ 48.750,00 de receita bruta – mas o cara vai ter despesa! – com 40 pacotes vendidos. Ele conseguiu vender seu trabalho por mais de $ 1000,00 por pessoa.

Ele disse que nem se importa com quantos CDs ele vai vender – pacotes de $ 15,00. Também pudera. Para chegar a esses valores ele teria que vender mais de 3.000 cópias de um produto que muito pouca gente vai querer. Ainda mais de um artista novo. Ele está oferecendo o que ninguém nunca vai poder digitalizar: presença, bastidores, loucura e criatividade. Não é à toa que ele é o baterista do NIN. Trent Reznor está fazendo escola. Quem quer se matricular?

Vejam o próprio falando sobre suas invenções