Perambulando pelo Music Think Tank, achei este resumo das ideias expostas em uma entrevista dada à BBC por Andrew Dubber e Bruce Warila.
1) Descontextualize primeiro, divulgue depois.
Artistas adoram suas música e suas cançnoes, e deveriam mesmo. Entretanto, antes de se atirar em um ano se promovendo, se esforce em ter um feedback anônimo de pelo menos trinta amigos, vinte artistas e de dez profissionais da indústria da música. Se a maioria gostar de suas canções, aí divulgue-as. Caso contrário, volte para as aulas/estúdio e aprenda primeiro como fazer música "melhor".
2) Não dê atenção a divulgadores que fizeram sucesso em 1999.
Ninguém tem a resposta de como obter e manter uma exposição no mercado de massa. Ninguém! Não me importo sobre o que alguém diz que conseguiu no passado; faça-o demonstrar o sucesso que conseguiu seis meses atrás.
3) Procure por produtores experientes.
Quando o negócio é fazer música, experiência é subestimada nesse meio. Os estúdios estão fora do negócio porque todo mundo é produtor/engenheiro de som. Encontre os mais experientes/bem sucedidos produtores, engenheiros de som e compositores que você puder achar. Dinheiro gasto num produtor bem sucedido ou num grande compositor lhe levará mais longe que gastar com um "expert" em divulgação.
4) Não siga sozinho.
É quase sempre perda de tempo! (Tradução: divulgue e colabore com outros artistas)
5) Aja como uma empresa de software.
Expanda sua definição de "banda" para incluir pessoas que cuidem de coisas como mídias sociais, produção de vídeo e desenvolvimento de software. Encontre alguém para ajudá-lo a usar a justa medida em seu negócio para compensar todos os envolvidos.
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12 de fev. de 2010
7 de fev. de 2010
Rio Music Conference 2010

De 10 a 16 de fevereiro vai acontecer na Marina da Glória a Rio Music Conference, evento dedicado à música eletrônica.
Nos dias 10 e 11 serão palestras, painéis, workshops e feira de negócios. Dos dias 12 ao 16, uma programação variada de música. Eletrônica, claro.
Pelo que vi na programação, estão na pauta dos debates muitos dos assuntos que temos discutido por aqui. Vou tentar assistir a pelo menos um dia de palestras.
Veja a programação e outras informações neste link.
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2 de fev. de 2010
Discos voadores
Deu n'O GLobo deste sábado:
* * *
Com o pé no freio, gravadoras procuram novos modelos para o negócio da música
Antônio Carlos Miguel
Os números divulgados na semana passada, em Londres, pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI na sigla em inglês), são dramáticos: entre 2004 e 2008, o mercado de disco no Brasil teve queda de 80%. Uma das consequências dessa crise é o menor investimento na produção de música brasileira por parte das gravadoras multinacionais aqui instaladas, que, juntas com a Som Livre, integram a Associação Brasileira de Produtores de Disco (ABPD) e ainda responderiam por 80% do mercado brasileiro.
No entanto, correndo por fora, selos independentes ou artistas — muitos organizados na Associação Brasileira da Música Independente (ABMI), com 113 afiliados — continuam produzindo e lançando. Muito, mesmo que suas tiragens sejam quase sempre pequenas. Ainda aguardando o fechamento dos números de 2009, o diretor executivo da ABMI, José Celso Guida, estima em cerca de 800 títulos nacionais editados. A Biscoito Fino, sozinha, por exemplo, no ano passado, botou 98 títulos no mercado, mais que a soma do que as quatro multinacionais, EMI, Sony, Universal e Warner, lançaram no mesmo período.
Em bom português, as grandes botaram o pé no freio. Mas, segundo os executivos do meio ouvidos pelo GLOBO, o pior passou, e o momento é de encontrar novos modelos para a música, que não parou.
Marcelo Castello Branco, presidente da EMI (também responsável pela companhia na América do Sul e Central), garante que a fase negativa é passado. Entre seus argumentos, está o lançamento de 31 artistas brasileiros em 2009: 19 deles gravados pela própria EMI, sete licenciados (com a empresa assumindo o marketing) e cinco apenas com contratos de distribuição.
— Continuamos arriscando, apesar de sermos mais seletivos. E a música brasileira ainda representa 70% de nosso negócio. Aprendemos a conviver com os problemas e estamos mais proativos — assegura Castello Branco, que também diz que mesmo com o crescimento da venda digital, principalmente para celulares, o produto físico, CD ou DVD, ainda é o que move o setor. Isenção de imposto para CD não veio Desde 2008 líder no mercado brasileiro, a Sony Music, segundo seu presidente, Alexandre Schiavo, ainda banca 90% das produções nacionais que lança.
— Cada vez mais, artistas chegam com discos gravados; gente como Roberto Carlos, Jota Quest e Skank, por exemplo, têm seus estúdios.
Mas, na maioria dos casos, pagamos os custos dessas produções.
E, quando isso não acontece, o que investimos em marketing ainda é muito mais alto do que a gravação em si — diz Schiavo, que lançou apenas 13 títulos novos brasileiros no ano passado. — Sim, estamos investindo menos, mas tivemos lucros nos dois últimos anos. Após perdas seguidas, fizemos o enxugamento necessário.
A Sony também conseguiu outras fontes de renda por meio de seu braço no ramo de shows, a Day 1 Entertaiment, mas o executivo pede mais ajuda do governo: — Reduziram impostos de carros, eletrodomésticos, material de construção; o livro é isento, enquanto isso, a nossa rica produção musical não tem incentivo algum.
Pelo depoimento do presidente da Universal Music, José Antônio Éboli, essa ajuda é urgente. Segundo ele, os dados da IFPI sobre o Brasil são reais.
— A proporção entre produtos nacionais e estrangeiros deve voltar aos níveis do passado, com predominância do catálogo internacional.
Discos de artistas como Lady Gaga, Rihanna, U2 chegam ao Brasil como sucessos, já têm suas fatias do mercado garantidas. Enquanto isso, perdemos o mercado nordestino; depois, o do axé; e, agora, estamos perdendo os sertanejos, eles mesmos se autopirateiam, fabricando até 20 mil discos por mês para distribuírem nas cidades onde fazem seus shows.
Para compensar a perda dos grandes filões populares, a Universal se volta para setores segmentados e, como suas concorrentes, disputa hoje o circuito das livrarias com títulos diferenciados.
Uma das estratégias é relançar em versão “premium”, com faixas bônus e eventuais vídeos, os discos de 2009 de Nando Reis, Zélia Duncan, Titãs e Mariana Aydar, que chegarão às lojas em março.
— Há um consumidor que quer qualidade e não foi seduzido pela pirataria física, nem baixa música ilegalmente. Mas a indústria perdeu o público jovem, aquele que sempre fez diferença no nosso negócio, e reverter isso é muito difícil — lamenta-se Éboli.
O quadro pintado por Wagner Vianna, diretor artístico da multinacional que faltava, Warner Music, é menos pessimista, mas ele confirma que é o catálogo internacional predomina.
— Recebemos do mundo inteiro e já vêm prontos, alguns com sucessos.
No caso de artistas nacionais, nossos contratos agora são de 360 graus, com direito de imagem, digital e agenciamento de shows.
Lançamos seis artistas em 2009 dentro desse modelo, mas há exceções, e boas, como Gilberto Gil, que produz em seu próprio selo.
Gil diz que os muitos anos “de casa e o bom relacionamento” que sempre teve com a Warner influíram na decisão de fazer um acordo de distribuição com a empresa.
— As grandes gravadoras têm muita experiência com o mercado, além do fato de que é reduzido o número de distribuidores independentes com porte para trabalhar na escala requerida para todo o país, quando falamos do disco ou do DVD físico. Mesmo para as majors, a distribuição sempre foi o maior problema — responde, por e-mail, o cantor e ex-ministro.
Entre as afiliadas à ABPD, a Som Livre foi a que mais acreditou na música brasileira — e em nichos rentáveis, como o religioso, de padres católicos a pastores evangélicos.
Seu presidente, Leonardo Ganem, comemora o fato de, a partir de 2007, ter voltado a investir e contratar artistas, criando até subselos, como o Som Livre Apresenta, que lançou no ano passado a cantora e compositora Maria Gadú.
— Seu disco já bateu 50 mil cópias, e agora, com música na novela, começa a crescer no resto do Brasil — conta Ganem.
Diretora artística da Biscoito Fino, a também cantora Olívia Hime conta que, para chegar aos 98 títulos editados em 2009, tanto produziu no estúdio que mantém em sua sede no Rio, quanto licenciou discos que chegaram prontos.
— Há muita música boa sendo feita pelo Brasil todo. Mas, hoje, o negócio do CD é na base dos tostões, só recuperamos o investimento lentamente. Menos pessoas compram discos, mas essas ainda compram muito — diz Olívia, que, para atender esse público, conta com a rede de quiosques em shoppings montada pela gravadora e uma loja na internet, mas também disputa espaço nas livrarias, para onde migrou o que restou do mercado de CD/DVD.
* * *
— Prefiro esse momento do que no início da década, quando a indústria do disco vivia a euforia das vendas astronômicas e dava todas as cartas, sem apostar em nada que não desse lucro imediato — diz Valle, que, nos últimos anos, tem gravado bastante, seja bancado pelo selo inglês Far Out ou por patrocinadores. — Tanto em “Jet samba” quanto em “Página central”, este em dupla com Celso Fonseca, tive investidores e depois negociei o lançamento.
Lulu Santos, também com muita estrada, diz preferir se concentrar na sua música: “Não sou alheio nem alienado, mas o assunto não me excita”.
Por isso mesmo, após produzir o recente CD “Singular”, assinou um contrato de licenciamento com a EMI.
— Quero imaginar que o grupo empresarial que me representa no mercado gasta mais tempo e energia buscando essas soluções com mais competência. O que fazemos é contornar as dificuldades na prática, principalmente não deixando faltar música, que sempre está em demanda.
À frente da empresa RWR, o diretor de TV Roberto de Oliveira tem apostado pesado na produção independente, que depois negocia com diferentes parceiros. Nos últimos cinco anos, foi o responsável por DVDs de medalhões e novos: Chico Buarque, Rita Lee, Marcos Valle, Dona Ivone Lara, Mart’nália, Malu Magalhães, Silvia Machete... Para ele, as mudanças no setor de entretenimento serão bem maiores: — As gravadoras estão sofrendo o impacto da mudança de tecnologia, a distribuição digital, que é mais grave que os prejuízos causado por CDs e DVDs piratas, pois deve acabar com o suporte físico — diz o produtor, que faz um exercício de futurologia. — Em breve, os consumidores vão pagar pouco ou nada pelos conteúdos, que serão bancados por patrocinadores, que por sua vez só pagarão pelas mensagens efetivamente clicadas.
Conteúdos mais sofisticados serão cobrados, e estas receitas e as verbas publicitárias vão pagar a conta do conteúdo fornecido gratuitamente e a remuneração de produtores e artistas. (A.C.M.)
* * *
Com o pé no freio, gravadoras procuram novos modelos para o negócio da música
Antônio Carlos Miguel
Os números divulgados na semana passada, em Londres, pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI na sigla em inglês), são dramáticos: entre 2004 e 2008, o mercado de disco no Brasil teve queda de 80%. Uma das consequências dessa crise é o menor investimento na produção de música brasileira por parte das gravadoras multinacionais aqui instaladas, que, juntas com a Som Livre, integram a Associação Brasileira de Produtores de Disco (ABPD) e ainda responderiam por 80% do mercado brasileiro.
No entanto, correndo por fora, selos independentes ou artistas — muitos organizados na Associação Brasileira da Música Independente (ABMI), com 113 afiliados — continuam produzindo e lançando. Muito, mesmo que suas tiragens sejam quase sempre pequenas. Ainda aguardando o fechamento dos números de 2009, o diretor executivo da ABMI, José Celso Guida, estima em cerca de 800 títulos nacionais editados. A Biscoito Fino, sozinha, por exemplo, no ano passado, botou 98 títulos no mercado, mais que a soma do que as quatro multinacionais, EMI, Sony, Universal e Warner, lançaram no mesmo período.
Em bom português, as grandes botaram o pé no freio. Mas, segundo os executivos do meio ouvidos pelo GLOBO, o pior passou, e o momento é de encontrar novos modelos para a música, que não parou.
Marcelo Castello Branco, presidente da EMI (também responsável pela companhia na América do Sul e Central), garante que a fase negativa é passado. Entre seus argumentos, está o lançamento de 31 artistas brasileiros em 2009: 19 deles gravados pela própria EMI, sete licenciados (com a empresa assumindo o marketing) e cinco apenas com contratos de distribuição.
— Continuamos arriscando, apesar de sermos mais seletivos. E a música brasileira ainda representa 70% de nosso negócio. Aprendemos a conviver com os problemas e estamos mais proativos — assegura Castello Branco, que também diz que mesmo com o crescimento da venda digital, principalmente para celulares, o produto físico, CD ou DVD, ainda é o que move o setor. Isenção de imposto para CD não veio Desde 2008 líder no mercado brasileiro, a Sony Music, segundo seu presidente, Alexandre Schiavo, ainda banca 90% das produções nacionais que lança.
— Cada vez mais, artistas chegam com discos gravados; gente como Roberto Carlos, Jota Quest e Skank, por exemplo, têm seus estúdios.
Mas, na maioria dos casos, pagamos os custos dessas produções.
E, quando isso não acontece, o que investimos em marketing ainda é muito mais alto do que a gravação em si — diz Schiavo, que lançou apenas 13 títulos novos brasileiros no ano passado. — Sim, estamos investindo menos, mas tivemos lucros nos dois últimos anos. Após perdas seguidas, fizemos o enxugamento necessário.
A Sony também conseguiu outras fontes de renda por meio de seu braço no ramo de shows, a Day 1 Entertaiment, mas o executivo pede mais ajuda do governo: — Reduziram impostos de carros, eletrodomésticos, material de construção; o livro é isento, enquanto isso, a nossa rica produção musical não tem incentivo algum.
Pelo depoimento do presidente da Universal Music, José Antônio Éboli, essa ajuda é urgente. Segundo ele, os dados da IFPI sobre o Brasil são reais.
— A proporção entre produtos nacionais e estrangeiros deve voltar aos níveis do passado, com predominância do catálogo internacional.
Discos de artistas como Lady Gaga, Rihanna, U2 chegam ao Brasil como sucessos, já têm suas fatias do mercado garantidas. Enquanto isso, perdemos o mercado nordestino; depois, o do axé; e, agora, estamos perdendo os sertanejos, eles mesmos se autopirateiam, fabricando até 20 mil discos por mês para distribuírem nas cidades onde fazem seus shows.
Para compensar a perda dos grandes filões populares, a Universal se volta para setores segmentados e, como suas concorrentes, disputa hoje o circuito das livrarias com títulos diferenciados.
Uma das estratégias é relançar em versão “premium”, com faixas bônus e eventuais vídeos, os discos de 2009 de Nando Reis, Zélia Duncan, Titãs e Mariana Aydar, que chegarão às lojas em março.
— Há um consumidor que quer qualidade e não foi seduzido pela pirataria física, nem baixa música ilegalmente. Mas a indústria perdeu o público jovem, aquele que sempre fez diferença no nosso negócio, e reverter isso é muito difícil — lamenta-se Éboli.
O quadro pintado por Wagner Vianna, diretor artístico da multinacional que faltava, Warner Music, é menos pessimista, mas ele confirma que é o catálogo internacional predomina.
— Recebemos do mundo inteiro e já vêm prontos, alguns com sucessos.
No caso de artistas nacionais, nossos contratos agora são de 360 graus, com direito de imagem, digital e agenciamento de shows.
Lançamos seis artistas em 2009 dentro desse modelo, mas há exceções, e boas, como Gilberto Gil, que produz em seu próprio selo.
Gil diz que os muitos anos “de casa e o bom relacionamento” que sempre teve com a Warner influíram na decisão de fazer um acordo de distribuição com a empresa.
— As grandes gravadoras têm muita experiência com o mercado, além do fato de que é reduzido o número de distribuidores independentes com porte para trabalhar na escala requerida para todo o país, quando falamos do disco ou do DVD físico. Mesmo para as majors, a distribuição sempre foi o maior problema — responde, por e-mail, o cantor e ex-ministro.
Entre as afiliadas à ABPD, a Som Livre foi a que mais acreditou na música brasileira — e em nichos rentáveis, como o religioso, de padres católicos a pastores evangélicos.
Seu presidente, Leonardo Ganem, comemora o fato de, a partir de 2007, ter voltado a investir e contratar artistas, criando até subselos, como o Som Livre Apresenta, que lançou no ano passado a cantora e compositora Maria Gadú.
— Seu disco já bateu 50 mil cópias, e agora, com música na novela, começa a crescer no resto do Brasil — conta Ganem.
Diretora artística da Biscoito Fino, a também cantora Olívia Hime conta que, para chegar aos 98 títulos editados em 2009, tanto produziu no estúdio que mantém em sua sede no Rio, quanto licenciou discos que chegaram prontos.
— Há muita música boa sendo feita pelo Brasil todo. Mas, hoje, o negócio do CD é na base dos tostões, só recuperamos o investimento lentamente. Menos pessoas compram discos, mas essas ainda compram muito — diz Olívia, que, para atender esse público, conta com a rede de quiosques em shoppings montada pela gravadora e uma loja na internet, mas também disputa espaço nas livrarias, para onde migrou o que restou do mercado de CD/DVD.
* * *
Conteúdo é mais importante do que formato
Para Marcos Valle, com a crise, grandes gravadoras estão revendo o conceito de só apostar no lucro imediato.
A maré pode andar difícil para os peixes graúdos, mas há quem enxergue possibilidades na crise sem fim. É o caso de Marcos Valle, que em quatro décadas de carreira já experimentou diversos formatos.— Prefiro esse momento do que no início da década, quando a indústria do disco vivia a euforia das vendas astronômicas e dava todas as cartas, sem apostar em nada que não desse lucro imediato — diz Valle, que, nos últimos anos, tem gravado bastante, seja bancado pelo selo inglês Far Out ou por patrocinadores. — Tanto em “Jet samba” quanto em “Página central”, este em dupla com Celso Fonseca, tive investidores e depois negociei o lançamento.
Lulu Santos, também com muita estrada, diz preferir se concentrar na sua música: “Não sou alheio nem alienado, mas o assunto não me excita”.
Por isso mesmo, após produzir o recente CD “Singular”, assinou um contrato de licenciamento com a EMI.
— Quero imaginar que o grupo empresarial que me representa no mercado gasta mais tempo e energia buscando essas soluções com mais competência. O que fazemos é contornar as dificuldades na prática, principalmente não deixando faltar música, que sempre está em demanda.
À frente da empresa RWR, o diretor de TV Roberto de Oliveira tem apostado pesado na produção independente, que depois negocia com diferentes parceiros. Nos últimos cinco anos, foi o responsável por DVDs de medalhões e novos: Chico Buarque, Rita Lee, Marcos Valle, Dona Ivone Lara, Mart’nália, Malu Magalhães, Silvia Machete... Para ele, as mudanças no setor de entretenimento serão bem maiores: — As gravadoras estão sofrendo o impacto da mudança de tecnologia, a distribuição digital, que é mais grave que os prejuízos causado por CDs e DVDs piratas, pois deve acabar com o suporte físico — diz o produtor, que faz um exercício de futurologia. — Em breve, os consumidores vão pagar pouco ou nada pelos conteúdos, que serão bancados por patrocinadores, que por sua vez só pagarão pelas mensagens efetivamente clicadas.
Conteúdos mais sofisticados serão cobrados, e estas receitas e as verbas publicitárias vão pagar a conta do conteúdo fornecido gratuitamente e a remuneração de produtores e artistas. (A.C.M.)
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28 de out. de 2009
Minha posição em relação à música gratuita
Acho que preciso esclarecer algumas coisas em relação ao que eu penso sobre música gratuita na internet:
1) Não faço parte de nenhuma das duas torcidas mais comuns. Não acho que tudo tem que ser gratuito e acabou, nem posso concordar com que se tente punir quem baixa música de graça.
2) Não acho que a gratuidade seja uma meta. Ela é um mal irreversível para os artistas em atividade, contra o qual é tão inútil lutar, como não concordar com a lei da gravidade.
3) A música tem custo e valor, ela não é feita de graça. A música grátis tem que fazer parte de uma estratégia para divulgar e vender - seja música, ingressos de shows ou merchandising.
Digo essas coisas porque sinto que preciso me posicionar para não ser colocado como exemplo de posturas que não tenho.
Faço parte do Música Para Baixar porque acredito que não haja como controlar o compartilhamento de música pela internet. E que, em diversos casos, o controle seria péssimo para a cultura. Vejam os casos de discos que estão fora de catálogo. O desinteresse de uma gravadora em lançar o repertório de determinado artista colocava-o no ostracismo irreversível. Que direito têm as gravadoras de impedirem a sociedade de ter acesso a um bem cultural? Quantas jóias ficavam trancadas nos cofres dos detentores de direitos autorais e agora circulam livremente pela rede, beneficiando artistas e público? Processar os fãs, ou impedir que eles tenham acesso ao que desejam, nunca me pareceu uma estratégia muito inteligente para se conquistar mais fãs. Outro dia – outubro de 2009! - vi um advogado da indústria do disco dizer que a forma de se controlar os downloads “ilegais” é usando de tecnologia e que o DRM é uma forma eficiente de fazê-lo. Em que mundo essa pessoa vive? Todo mundo desistindo do DRM e ele achando que é solução!
Quais a principal vantagem da gratuidade? Divulgação. A música gratuita chega muito mais facilmente às pessoas, já que elas podem conhecê-la antes de se decidir a gastar dinheiro. Se você não der, a possibilidade de que as pessoas queiram se arriscar no escuro é infinitamente menor. Se compararmos ao preço do jabá para ter execução em rádio, o compartilhamento de arquivos é uma bênção para os artistas. Os fãs fazem o trabalho que precisamos, sem cobrar, e gratos pela nossa generosidade. Daí o mote do Música Para Baixar: Fã não é pirata! É divulgador. E esse quer nos ajudar financeiramente para que continuemos a dar o que ele quer: música de qualidade.
Quando as rádios começaram a executar música as gravadoras acharam que ela seria danosa para as vendas, porque ninguém compraria algo que estava sendo entregue de graça nas casas das pessoas. E nada foi tão importante para divulgar e vender música quanto o rádio. Estamos no mesmo caso. Nada divulga e populariza tanto a música quanto o acesso gratuito à mesma.
Por outro lado, não quero o fim do direito de autor – embora ache que ele precise ser revisto -, não acho que a cultura é social e gratuita por princípio, não quero o fim das gravadoras. E quero ganhar dinheiro sem culpas esquerdistas.
Resumindo, não há negócio nem profissão que seja totalmente gratuito. Alguém tem que pagar alguma coisa em algum momento para que haja profissionais sobrevivendo daquele negócio. Mas a proibição de compartilhamento de música na rede, além de impossível, não vai ser o esteio financeiro dessa história. Quero que abracemos a gratuidade como uma das ferramentas para nos aproximarmos do nosso público e criarmos uma outra forma mais inteligente e contemporânea de ganharmos a vida fazendo música. Dialogando o @penas, música é profissão, sim. Mas muito diferente do que já foi.
1) Não faço parte de nenhuma das duas torcidas mais comuns. Não acho que tudo tem que ser gratuito e acabou, nem posso concordar com que se tente punir quem baixa música de graça.
2) Não acho que a gratuidade seja uma meta. Ela é um mal irreversível para os artistas em atividade, contra o qual é tão inútil lutar, como não concordar com a lei da gravidade.
3) A música tem custo e valor, ela não é feita de graça. A música grátis tem que fazer parte de uma estratégia para divulgar e vender - seja música, ingressos de shows ou merchandising.
Digo essas coisas porque sinto que preciso me posicionar para não ser colocado como exemplo de posturas que não tenho.
Faço parte do Música Para Baixar porque acredito que não haja como controlar o compartilhamento de música pela internet. E que, em diversos casos, o controle seria péssimo para a cultura. Vejam os casos de discos que estão fora de catálogo. O desinteresse de uma gravadora em lançar o repertório de determinado artista colocava-o no ostracismo irreversível. Que direito têm as gravadoras de impedirem a sociedade de ter acesso a um bem cultural? Quantas jóias ficavam trancadas nos cofres dos detentores de direitos autorais e agora circulam livremente pela rede, beneficiando artistas e público? Processar os fãs, ou impedir que eles tenham acesso ao que desejam, nunca me pareceu uma estratégia muito inteligente para se conquistar mais fãs. Outro dia – outubro de 2009! - vi um advogado da indústria do disco dizer que a forma de se controlar os downloads “ilegais” é usando de tecnologia e que o DRM é uma forma eficiente de fazê-lo. Em que mundo essa pessoa vive? Todo mundo desistindo do DRM e ele achando que é solução!
Quais a principal vantagem da gratuidade? Divulgação. A música gratuita chega muito mais facilmente às pessoas, já que elas podem conhecê-la antes de se decidir a gastar dinheiro. Se você não der, a possibilidade de que as pessoas queiram se arriscar no escuro é infinitamente menor. Se compararmos ao preço do jabá para ter execução em rádio, o compartilhamento de arquivos é uma bênção para os artistas. Os fãs fazem o trabalho que precisamos, sem cobrar, e gratos pela nossa generosidade. Daí o mote do Música Para Baixar: Fã não é pirata! É divulgador. E esse quer nos ajudar financeiramente para que continuemos a dar o que ele quer: música de qualidade.
Quando as rádios começaram a executar música as gravadoras acharam que ela seria danosa para as vendas, porque ninguém compraria algo que estava sendo entregue de graça nas casas das pessoas. E nada foi tão importante para divulgar e vender música quanto o rádio. Estamos no mesmo caso. Nada divulga e populariza tanto a música quanto o acesso gratuito à mesma.
Por outro lado, não quero o fim do direito de autor – embora ache que ele precise ser revisto -, não acho que a cultura é social e gratuita por princípio, não quero o fim das gravadoras. E quero ganhar dinheiro sem culpas esquerdistas.
Resumindo, não há negócio nem profissão que seja totalmente gratuito. Alguém tem que pagar alguma coisa em algum momento para que haja profissionais sobrevivendo daquele negócio. Mas a proibição de compartilhamento de música na rede, além de impossível, não vai ser o esteio financeiro dessa história. Quero que abracemos a gratuidade como uma das ferramentas para nos aproximarmos do nosso público e criarmos uma outra forma mais inteligente e contemporânea de ganharmos a vida fazendo música. Dialogando o @penas, música é profissão, sim. Mas muito diferente do que já foi.
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18 de mai. de 2009
Trama inicia transmissão ao vivo de seus estúdios

Recebi da Trama, via e-mail, a mensagem abaixo.
Hoje, a Trama dá início ao projeto Webcast, que prevê transmissões ao vivo do dia-a-dia nos estúdios. Estreando: Móveis Coloniais de Acaju com o pocket show C_mpl_te, às 16h.A Trama é um selo que está se notabilizando por lançar e deixar disponíveis no seu site - por algum tempo - álbuns virtuais de algumas bandas com a arte do encarte e também extras, como fotos em vídeos em alta definição. Artistas como Tom Zé (já expirado,) Ed Motta, Cansei de Ser Sexy, Macaco Bong e Móveis Coloniais de Acaju.
Para acompanhar é só acessar: www.trama.com.br/webcast
Esse será o primeiro show da banda após o lançamento do segundo álbum (C_mpl_te), que saiu no último dia 8, pelo Álbum Virtual Trama. http://www.albumvirtual.trama.com.br
O que será que eles estão tramando?
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Trama
23 de abr. de 2009
Google passa a dar música de graça... na China
O Google está liberando arquivos mp3 legais e de alta qualidade na China. É uma estratégia para abocanhar uma fatia maior do mercado chinês, que hoje é de 28%. Eles pretendem gerar receita a partir de anúncios.
Há um artigo no Media Futurist comentando este importante passo rumo à liquidifcação da música. Será?
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14 de abr. de 2009
Férias e Dicas de Sobrevivência
Fiquei sem colocar nenhuma notícia por aqui esses dias por conta de umas mini-férias em Búzios. Li pouco e pensei em outras coisas. Por conta disso deixei acumular muita informação. Espero poder dar conta de tudo e recomeçar nossos embates musicais.
Antes de qualquer coisa, gostaria de dizer que terminei de corrigir meu novo livro, “Dicas de Sobrevivência do Músico no Mundo Digital”, que estará disponível no meu site em breve como e-book para download gratuito - é claro.
Ele fala desde repertório, ensaios e shows até como escrever um blog e que tipo de site vale a pena ter.
Eu adoraria lançá-lo também no mundo físico - cross-promotion do "20 things...", portanto, se alguém souber de uma editora interessada num “manual” esquisito como esse é só me avisar.
São 42 páginas de dicas, links, experiências, histórias etc.
Antes de qualquer coisa, gostaria de dizer que terminei de corrigir meu novo livro, “Dicas de Sobrevivência do Músico no Mundo Digital”, que estará disponível no meu site em breve como e-book para download gratuito - é claro.
Ele fala desde repertório, ensaios e shows até como escrever um blog e que tipo de site vale a pena ter.
Eu adoraria lançá-lo também no mundo físico - cross-promotion do "20 things...", portanto, se alguém souber de uma editora interessada num “manual” esquisito como esse é só me avisar.
São 42 páginas de dicas, links, experiências, histórias etc.
28 de mar. de 2009
20 coisas que você tem que saber sobre música online

O livro 20 Things You Must Know About Music Online, de Andrew Dubber, é um guia de estratégias para músicos se posicionarem na internet - pensando bem, não apenas para músicos. É escrito, e editado de forma clara e concisa. Direto ao ponto. Pragmatismo na veia.
Um bom recurso do Dubber é resumir logo no início as tais 20 coisas que desenvolverá ao longo do livro. Aqui abaixo vai a minha tradução para este resumo. As falhas de estilo e as imprecisões vocês podem creditar a mim.
1. Don’t Believe the hype
Sandi Tom, Artic Monkeys e Lily Allen não são superfamosos, ricos e bem sucedidos só por causa do MySpace ou porque eles milagrosamente atraíram uma multidão de milhares para o seu site caseiro. Ralações públicas, mídia tradicional, gravadoras e dinheiro estiveram todos envolvidos.
2. Ouvir / Gostar / Comprar
É a regra de ouro. Pessoas ouvem música, então elas gostam da música e aí elas compram a música. É a única ordem que rola. Se você tenta fazer em qualquer outra sequência, simplesmente não funciona.
3. Formadores de opinião é que mandam
Sabemos da importância do rádio e da mídia impressa. Existem agora novos formadores de opinião que vão contar a sua história com credibilidade. Você precisa descobrir quem eles são – ou melhor ainda, tornar-se um deles.
4. Customize
Uma solução sob medida, ou pelo menos algo pré fabricado adaptado à sua presença na web, é crucial. Uma solução “de prateleira” irá praticamente garantir seu anonimato.
5. A Cauda Longa
Chris Anderson provou cabalmente que o varejo do futuro é vender menos de mais. Ponha tudo online. Expanda seu catálogo. Você fará mais dinheiro vendendo um grande número de produtos de nicho do que uns poucos hits.
6. Web 2.0
Não tente ser um destino – torne-se um ambiente. Seu website não é uma publicação – é um lugar onde pessoas se encontram e conectam-se com você e umas com as outras.
7. Conecte-se
Seu website não é uma estratégia promocional. Aprenda como contar uma história e como contá-la da maneira adequada para comunicação na web. Pense como poderia ser traduzida seja para mídias novas ou tradicionais.
8. Cross-promote
Suas coisas online não são um substituto para suas coisas offline, assim como não existem independentes delas. Descubra como fazer interseções entre as duas.
9. Menos clicks
Isso é especialmente verdadeiro se você quer que alguém compareça com dinheiro. Se eu tenho que preencher um formulário, navegar por três camadas de menu e aí então digitar uma senha, não vou querer mais a sua música.
10. Profissionalismo
Se esse é o seu negócio, você precisa transparecer isso. Trate seu perfil online da mesma forma que trataria suas demais peças de comunicação comercial.
11. A morte da escassez
A economia da internet é fundamentalmente diferente da economia do mundo das estantes e dos estoques limitados. Você pode dar um milhão de cópias de seu disco para vender mil.
12. Identidade distribuída
De uma perspectiva de relações públicas, é melhor você se espalhar pela internet do que permanecer em um lugar. Comunidades, perfis, comentários e redes são incrivelmente úteis.
13. O.M.B.
Você precisa entender como a Otimização de Mecanismos de Busca funciona e como maximizar suas chances de ser encontrado. Seja achável e procurável.
14. Permissão
Sua mensagem deve ser bem vinda, relevante e pessoalmente útil. Deixar as pessoas escolherem se juntar a você é uma estratégia muito mais efetiva do que mandar spams.
15. RSS
Disponibilize-o, use-o e ensine-o. RSS é o elemento mais importante do seu site. Trate-o como tal – mas lembre-se que é ainda novo para a maioria das pessoas. Ajude seu público a adotá-lo.
16. Acessibilidade
Nem todo mundo tem computador rápido ou acesso banda larga. Nem todo mundo tem o dom da visão. Faça de modo que tudo o que você fizer online seja acessível. É fácil, é importante e evita que as pessoas desistam logo na porta.
17. Recompense e incentive
Agora tudo é acessível o tempo todo. Dê às pessoas um motivo para considerar você como parte do envolvimento econômico delas com a música.
18. Frequência é tudo
“Repeat business” é uma das mais bem sucedidas estratégias comerciais na indústria cultural. Você quer que as pessoas voltem? Dê-lhes algo para retornar que elas não tenham visto antes.
19. Seja viral
Seja lá o que você fizer, faça de forma que as pessoas queiram enviar para outras pessoas. Sua melhor propaganda é o boca a boca, porque online o boca a boca é exponencialmente mais poderoso.
20. Esqueça o produto – venda relacionamento
O antigo modelo de negócio da música é dominado pela venda de artefatos individuais por uma soma estabelecida de dinheiro. O novo modelo tem a ver com iniciar um contínuo relacionamento econômico com uma comunidade de fãs.
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