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7 de fev. de 2010

Rio Music Conference 2010



De 10 a 16 de fevereiro vai acontecer na Marina da Glória a Rio Music Conference, evento dedicado à música eletrônica.

Nos dias 10 e 11 serão palestras, painéis, workshops e feira de negócios. Dos dias 12 ao 16, uma programação variada de música. Eletrônica, claro.

Pelo que vi na programação, estão na pauta dos debates muitos dos assuntos que temos discutido por aqui. Vou tentar assistir a pelo menos um dia de palestras.

Veja a programação e outras informações neste link.

20 de mai. de 2009

Festival de festivais



Da mesma forma que nos States e Europa, no Brasil os festivais também estão espocando por toda parte. Têm até uma associação, cujo site, aliás, é muito bacana.

Sobre este fenômeno, saiu na revista Bravo essa matéria aí embaixo.

No entanto, a reportagem não toca na questão comportamental/ comunitário dos festivais. Como tem sido isso? Vocês aí atrás do mouse têm alguma coisa a dizer sobre o aussunto? Já foram a algum festival por esse Brasil afora?

* * *

A nova era dos festivais


Como nos anos 60, os novos talentos da MPB explodem em shows coletivos pelo Brasil afora. Praticamente ignorado pela TV, o fenômeno arrasta um público estimado em 250 mil pessoas por ano


Por José Flávio Júnior

O editor de música José Flávio Junior apresenta
em seu podcast
as apostas para esse ano nos festivais


Exaltar a era dos festivais — onde surgiram grandes nomes da MPB como Caetano Veloso e Chico Buarque — é um argumento clássico dos saudosistas. Bem, agora eles não têm mais do que sentir saudade: a era dos festivais está de volta. Nunca houve tantos festivais de música popular no Brasil, nem mesmo no tempo em que Nara Leão usava saia acima do joelho e Sérgio Ricardo atirava o violão na plateia. Em geral realizados em capitais brasileiras fora do eixo Rio-São Paulo, pelo menos 38 são vinculados à Abrafin, Associação Brasileira de Festivais Independentes (sim, existe até uma entidade que reúne dados sobre o assunto). De acordo com a Abrafin, em 2008 cerca de 800 artistas se apresentaram em eventos como o Bananada — cuja próxima edição ocorrerá neste mês em Goiânia —, o Rec-Beat, em Recife, e o Calango, em Cuiabá. Estima-se que tenham reunido, ao todo, um público da ordem de 250 mil pessoas.

No essencial, os festivais do século 21 têm a mesma função dos realizados na década de 1960: revelar novos talentos. No restante, e a começar pelo fato de que não são competitivos, são completamente diferentes. Essas diferenças estão ligadas às mudanças que o mundo da música experimentou nos últimos anos. A década de 60 do século passado foi o período em que a televisão se consolidou como principal meio de divulgação de música popular, superando o rádio. Os festivais eram promovidos por emissoras como a Tupi e a Excelsior. Quando apareciam na televisão, artistas como Caetano Veloso e Chico Buarque passavam a fazer parte de uma espécie de mainstream da música e, assim, conseguiam contratos com grandes gravadoras. Hoje o conceito de mainstream não existe mais. A internet vem substituindo o rádio e a televisão como principal meio de divulgação de música. As gravadoras enfrentam dificuldades financeiras, e os artistas, novos ou não, sobrevivem sobretudo de shows. É justamente esta uma das principais funções dos novos festivais: ver quem se sai bem no teste do palco.


O presidente da Abrafin, Fabrício de Almeida Nobre, de 30 anos, é vocalista da banda de rock goiana MQN. Colocou de pé seu primeiro festival porque queria um palco para tocar. O evento que ele tinha como modelo era o pernambucano Abril pro Rock, uma espécie de precursor da nova era dos festivais, que acaba de realizar sua 18ª edição. Contemporâneo do movimento manguebit, o APR revelou de cara Chico Science e Mundo Livre S/A. Em anos seguintes, deu visibilidade a grupos como Mombojó e Los Hermanos. Hoje, o festival não atravessa sua melhor fase, apresentando uma programação bastante enxuta e menos atraente do que a dos "rivais" Rec-Beat e o No Ar Coquetel Molotov, ambos sediados em Recife.

Para Fabrício, uma das principais contribuições da Abrafin foi ajudar a formatar um calendário nacional de festivais. As datas dos eventos são publicadas no site da associação (www.abrafin.org), que também explica os conceitos de cada festival e informa quem são seus responsáveis. Ainda que a crise mundial tenha empurrado para o segundo semestre vários eventos que deveriam ocorrer no primeiro, ela não ameaça a continuidade dos que já estão estabelecidos. "A melhor definição para um festival independente é: independentemente do que aconteça, ele acontece", diz Fabrício.

Para uma banda iniciante, os festivais podem ser estratégicos, uma vez que reúnem tribos distintas na plateia. O grupo de rock Móveis Coloniais de Acaju, de Brasília, resolveu em 2005 que investiria tudo nesse circuito, com os nove integrantes custeando o alto preço das viagens. A banda começou tocando, nos piores horários, em festivais como o extinto Curitiba Rock Festival. Graças a performances interativas e arrebatadoras, o Móveis foi conquistando fãs e hoje é chamado para ser a atração principal em vários eventos. Os produtos com o logotipo do grupo disponíveis nas barraquinhas vão de abridores de garrafas até espelhinhos femininos. Tanto destaque nessa cena rendeu um contrato com a gravadora Trama, que lança o segundo álbum dos brasilienses neste mês (leia a resenha na página 49).

Muitos desses festivais nasceram totalmente dedicados ao rock. Mas outras expressões musicais — muitas regionais, caso do tecnobrega e da guitarrada no Se Rasgum, de Belém, e do siriri e do cururu no Calango, de Cuiabá — foram ganhando espaço, sem alienar os adeptos do som mais pesado. É o inverso do que aconteceu nos festivais dos anos 60, cuja audiência rechaçava flertes com a "música americana". No Festival Internacional da Canção de 1968, Caetano Veloso lançou uma diatribe contra os que o apupavam durante a execução de É Proibido Proibir, em ruidoso arranjo dos Mutantes. Ficou famosa a passagem "Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder? Vocês não estão entendendo nada!". Que bom que Caetano está vivo para ver que o futuro é muito melhor do que aquele previsto em seu discurso. A juventude entendeu tudo. E está fazendo acontecer.

Onde e quando
Festival Bananada. Centro Cultural Martim Cererê (rua 94-A, Setor Sul, Goiânia, GO, tel. 0++/62/212-5315), a partir das 17h. Dias 22, 23 e 24. R$ 20 (por dia). www.myspace.com/bananada

O renascimento de uma arte viva


Tradução de um artigo do Brian Eno (sim, ele mesmo!).

A indústria do disco está estagnada porque as vendas estão despencando. A tecnologia digital tornou mais fácil fazer e copiar música, resultando que a música gravada é tão prontamente disponível como água, e nem um pouco mais excitante.

Isso pode parecer uma má notícia, até que pegamos um número da Time Out. Aí você percebe que a cena ao vivo está explodindo, porque, incapazes de ganhar a vida a partir das vendas de discos, mais e mais bandas estão tocando ao vivo. Essa experiência não pode ser carregada num cartão de memória – e as pessoas estão a fim de pagar po ela, e bastante. O público dos concertos está alto como nunca: as gravações funcionam cada vez mais como anúncios para shows, e os shows se tornaram novamente a coisa real, o induplicável.

De forma similar, os festivais ao vivo têm surgido como cogumelos. Há mais deles do que nunca, e se tornaram comunidades temporárias – algo entre circos e comunas e escolas de verão, oferecendo debates politicos, oficinas, aulas de tai-chi, comédia, artes visuais, teatro, livrarias e, mais importante, a chance de pessoas se encontrarem, se medirem e trocarem ideias. A música é quase uma desculpa para a consolidação de uma nova sociedade. O que, afinal de contas, é a tarefa principal da música pop, e é bom vê-la de volta.

A duplicabilidade das gravações produziu um outro efeito inesperado. A pressão está em desenvolver conteúdo que não seja facilmente copiável – tanto que tudo que não seja música gravada está se tornando valioso para os artistas venderem. Claro que eles também querem vender sua música, mas agora eles embutirão este produto relativamente sem valor em peças dífíceis de copiar (portanto, mais valiosas). Gente que não pagaria 15 libras por um CD pagará 150 pela edição limitada com itens adicionais, fotos, booklet e DVDs. Geralmente eles já possuem a música, baixada – mas agora querem a arte. Estão comprando a arte, de uma nova maneira. Isso me sugere a possibilidade de um mercado de arte refrescantemente democrático: uma nova maneira de artistas visuais, designers, animadores e cineastas ganharem a vida. Pois quando um negócio fecha, outros abrem.