Tempos interessantes. Artistas descobrindo novas formas de se relacionar com os fãs, novos modelos de negócio espocando, e agora essa: as gravadoras querem emplacar um novo formato de música digital. Será que recuperarão o atraso de uma década? Como se não bastasse, a Apple também vai lançar o seu próprio formato.
Deu na coluna Digital, de O Globo:
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As quatro grandes gravadoras (Sony, Warner, EMI e Universal) estão desenvolvendo um formato de arquivo de áudio para lançar álbuns digitais, numa nova (e tardia) tentativa de controlar o mercado de downloads de músicas. Segundo o The Times, o novo formato, batizado de CMX, trará uma "versão computadorizada dos encartes que vêm em CDs tradicionais, com letras, arte e até mesmo vídeos". O plano é lançar os primeiros produtos em CMX em novembro, possivelmente com um novo album do U2.
- Quando você clicar no nosso arquivo ele trará um visual totalmente novo, com uma página de abertura e todas as opções. Você não terá acesso apenas às dez faixas, mas também à arte do album, vídeos e conteúdo de plataformas móveis - disse uma fonte das gravadoras ao Times.
Além da da desconfiança de um público hostilizado pela indústria há 10 anos e da ubiquidade do mp3, o domínio da Apple no mercado de tocadores digitais será um desafio para a popularização do CMX.
Segundo o Times, as gravadoras chegaram a conversar com a Apple há cerca de 18 meses sobre a criação do novo formato. A fabricante dos iPods não aceitou a parceria e pouco tempo depois anunciou que criaria o seu próprio formato, que está sendo chamado de Coquetel e deve ser lançado em setembro.
A indústria diz que não pretende "empurrar" o novo produto e fará pequenos lançamentos para estudar a reação do público. Um acordo com a Apple, para que o produto funcione nos iPods e iPhones certamente será crucial. Se não for assim, as pessoas terão apenas de converter os arquivos para mp3 e seguir sua vida normalmente. Algum software para isso será criado, com certeza.
O CMX é uma tentativa de reanimar o mercado de álbuns, que perdeu força com a chegada da era digital. A transição dos CDs para os downloads representou um retorno ao mundo dos "compactos". Dados da Entertainment Retailers Association revelam que apenas 10,3 milhões dos 139,8 milhões de álbuns vendidos no ano passado foram downloads.
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16 de ago. de 2009
14 de jul. de 2009
Trent Reznor, Gene Simmons e pílulas amargas

Deparei com um link para esta entrevista no velho e bom Pitchfork.
Entre outras coisas, Trent Reznor comenta uma possível parada do Nine Inch Nails para se dedicar a outros projetos, alguns extra-musicais. Saiu-se com esta pérola:
"(...) I’d never want to be Gene Simmons, an old man who puts on makeup to entertain kids, like a clown going to work ... In my paranoia, I fear that if I don’t stop this, it could become that. Because it’s nice to get a paycheck, and now the only way to get a paycheck is to play live, so it’s all those things swirling around in my head."
Mas o que ele gosta mesmo é de falar, e com propriedade, do estado atual do negócio da música. Aqui vai o trecho da entrevista em que ele desenvolve o tema:
***
You’ve been very vocal about the state of the record industry and how labels have been greedy about the whole business. How do you think it can be improved, if at all?
It’s a kind of Mafia-type run business .. They have systematically taken advantage of artists over the years from The Beatles onwards. You [the artists] do all the work, they loan you money to make records, then you pay them back and they own everything. To see that system collapse is an exciting thing. There isn’t a clear answer on what the right thing to do is right now, and as a musician you’re up against a pretty difficult scenario: most kids feel it’s OK to steal music, and do freely ... The good news is that people are excited and interested in music ...
As an artist it’s your job to capitalize on that. It means generally swallowing a bitter pill and saying, ‘Hey, people don’t want to buy music, so let me give it to you. I’ll find another way to make money but I want you on my side and hearing my music. So let’s get rid of this walled garden of having to pay to hear it, here it is, give it to your friends. Hey, try to come to our show if you can, or you can buy this T-shirt of ours if you like, and that will help us out. Or, here’s a nice version of our album that we put in a cool package for a premium price and we’re only selling a couple thousands of them.’
There are ways that you can monetize your business, but the traditional way of going to a record store and having to pay for it, those days are over. In the States, there aren’t any record stores left. The only place ... is like a Best Buy where you go to buy a washing machine and there’s a tiny rack of DVDs and CDs. I think we’re in between business models right now ...
I’m trying everything I can to contribute to when that next model does come up, whatever it might be, whether it’s subscriptions or whatever, where the artist is more fairly represented and has a say and is compensated, and you’re not paying for jets for record label CEOs ... They’re in their last moments of death and I’m happy to see them go ’cause they’re all thieves and liars.
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18 de jun. de 2009
Virgin e Universal anunciam download ilimitado de música
A música-como-comodity-streaming avança. Deu no clicRBS:
***
Virgin e Universal anunciam download ilimitado de música
Descarga livre de arquivos do catálogo vai custar cerca de € 17
A operadora de televisão a cabo britânica Virgin Media e a maior produtora musical do mundo, a Universal, anunciaram esta semana a criação conjunta de uma loja online que permite aos assinantes descarregarem um número ilimitado de músicas.
O serviço permitirá que, por um preço que rondará as € 17, os assinantes ouçam ou descarreguem todas as músicas da Universal que pretendam. Será, assim, um concorrente direto do iTunes, a loja de música online da Apple que cobra por cada faixa ou álbum.
O serviço deverá estar disponível até ao final do ano, apenas no Reino Unido.
Como parte de um acordo entre ambas as empresas, a Virgin irá também combater a partilha ilegal de conteúdos detidos pela Universal, podendo chegar mesmo a suspender por tempo limitado as ligações dos piratas que utilizam o seu serviço de acesso à internet.
A medida poderá ser polêmica, já que, na semana passada, o Conselho Constitucional francês chumbou uma muito controversa lei que pretendia criar uma entidade não judicial para cortar o acesso a quem descarregasse ficheiros ilegalmente.
O anúncio do acordo surge um dia antes do ministro das Comunicações britânico, Lord Carter, apresentar o Digital Britain, um relatório com várias propostas para lutar contra a pirataria digital.
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Virgin e Universal anunciam download ilimitado de música
Descarga livre de arquivos do catálogo vai custar cerca de € 17
A operadora de televisão a cabo britânica Virgin Media e a maior produtora musical do mundo, a Universal, anunciaram esta semana a criação conjunta de uma loja online que permite aos assinantes descarregarem um número ilimitado de músicas.
O serviço permitirá que, por um preço que rondará as € 17, os assinantes ouçam ou descarreguem todas as músicas da Universal que pretendam. Será, assim, um concorrente direto do iTunes, a loja de música online da Apple que cobra por cada faixa ou álbum.
O serviço deverá estar disponível até ao final do ano, apenas no Reino Unido.
Como parte de um acordo entre ambas as empresas, a Virgin irá também combater a partilha ilegal de conteúdos detidos pela Universal, podendo chegar mesmo a suspender por tempo limitado as ligações dos piratas que utilizam o seu serviço de acesso à internet.
A medida poderá ser polêmica, já que, na semana passada, o Conselho Constitucional francês chumbou uma muito controversa lei que pretendia criar uma entidade não judicial para cortar o acesso a quem descarregasse ficheiros ilegalmente.
O anúncio do acordo surge um dia antes do ministro das Comunicações britânico, Lord Carter, apresentar o Digital Britain, um relatório com várias propostas para lutar contra a pirataria digital.
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18 de mai. de 2009
Trama inicia transmissão ao vivo de seus estúdios

Recebi da Trama, via e-mail, a mensagem abaixo.
Hoje, a Trama dá início ao projeto Webcast, que prevê transmissões ao vivo do dia-a-dia nos estúdios. Estreando: Móveis Coloniais de Acaju com o pocket show C_mpl_te, às 16h.A Trama é um selo que está se notabilizando por lançar e deixar disponíveis no seu site - por algum tempo - álbuns virtuais de algumas bandas com a arte do encarte e também extras, como fotos em vídeos em alta definição. Artistas como Tom Zé (já expirado,) Ed Motta, Cansei de Ser Sexy, Macaco Bong e Móveis Coloniais de Acaju.
Para acompanhar é só acessar: www.trama.com.br/webcast
Esse será o primeiro show da banda após o lançamento do segundo álbum (C_mpl_te), que saiu no último dia 8, pelo Álbum Virtual Trama. http://www.albumvirtual.trama.com.br
O que será que eles estão tramando?
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14 de mai. de 2009
Música por streaming se populariza
A revista Época desta semana tem uma reportagem sobre a popularização de sites de música por streaming. O simples fato do assunto aparecer na revista já é um sinal importante. O crescimento de gente acessando a web via I-Phone e outros gadgets móveis só faz aumentar a tendência ao streaming, em detrimento do mp3.
A matéria foca no site brasileiro Sonora e no sueco Spotify.

Desde fevereiro deste ano o Sonora está com o conteúdo aberto, de grátis. Tem 200 mil assinantes e cresce numa base de 2.500 por dia. Isso no modelo gratuito, pois há três planos pagos, de 9,90 a 19,90 reais por mês. O plano grátis, pelo que vi, dá direito a 20 horas por mês - e anúncios entre as músicas. Nos planos pagos é possível baixar, mas ainda com os indefectíveis DRMs. A remuneração varia, mas de uma forma geral os lucros são repassados para as gravadoras de acordo com o número de vezes que a música foi ouvida. E da gravadora para o artista. Lucro? Dizem os caras do Sonora que ele é lucrativo desde o início, por ter herdado patrocinadores do portal Terra.
Eles têm um acervo até grandinho. Mas fiz uma pesquisa e não têm Beatles ou The Who, por exemplo. Estão lutando para tocar a Warner também.

O Spotify tem mais de 1 milhão de usuários só na Inglaterra e cresce a uma base de 20 mil pessoas assinantes diários. Lá já estão Caetano, Chico e até uns sertanejos. Há bons nomes de música clássica também - isso, no Sonora, nem em sonho. Uma coisa bacana é que, assim como a Last.fm, ele contextualiza os artistas, com dados sobre biografia e discografia. O Sonora não tem isso.
O site tem três pacotes de acesso. Para o Brasil só é possível acessar o último, pago.
Aqui abaixo vai uma comparação entre os recursos dos dois sites:
Acervo
Sonora: 1 milhão de músicas
Spotify: 3 milhões de músicas
Rádio
Os dois têm, mas o Spotify oferece seleção combinada de ano e ritmo.
Playlist
Em ambos as playlists personalizadas ficam memorizadas
Download
O Sonora tem planos de downloads ilimitados, o Spotify não.
Acordos com gravadoras
O Spotify tem com todas as grandes, o Sonora não tem a Warner.
Biografias e informações
Só no Spotify.
Acesso no Brasil
O Sonora tem acesso gratuito e assinaturas. O Spotify, só assinaturas.
Histórico do usuário
No Sonora, de até seis meses atrás
A matéria foca no site brasileiro Sonora e no sueco Spotify.

Desde fevereiro deste ano o Sonora está com o conteúdo aberto, de grátis. Tem 200 mil assinantes e cresce numa base de 2.500 por dia. Isso no modelo gratuito, pois há três planos pagos, de 9,90 a 19,90 reais por mês. O plano grátis, pelo que vi, dá direito a 20 horas por mês - e anúncios entre as músicas. Nos planos pagos é possível baixar, mas ainda com os indefectíveis DRMs. A remuneração varia, mas de uma forma geral os lucros são repassados para as gravadoras de acordo com o número de vezes que a música foi ouvida. E da gravadora para o artista. Lucro? Dizem os caras do Sonora que ele é lucrativo desde o início, por ter herdado patrocinadores do portal Terra.
Eles têm um acervo até grandinho. Mas fiz uma pesquisa e não têm Beatles ou The Who, por exemplo. Estão lutando para tocar a Warner também.

O Spotify tem mais de 1 milhão de usuários só na Inglaterra e cresce a uma base de 20 mil pessoas assinantes diários. Lá já estão Caetano, Chico e até uns sertanejos. Há bons nomes de música clássica também - isso, no Sonora, nem em sonho. Uma coisa bacana é que, assim como a Last.fm, ele contextualiza os artistas, com dados sobre biografia e discografia. O Sonora não tem isso.
O site tem três pacotes de acesso. Para o Brasil só é possível acessar o último, pago.
Aqui abaixo vai uma comparação entre os recursos dos dois sites:
Acervo
Sonora: 1 milhão de músicas
Spotify: 3 milhões de músicas
Rádio
Os dois têm, mas o Spotify oferece seleção combinada de ano e ritmo.
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Em ambos as playlists personalizadas ficam memorizadas
Download
O Sonora tem planos de downloads ilimitados, o Spotify não.
Acordos com gravadoras
O Spotify tem com todas as grandes, o Sonora não tem a Warner.
Biografias e informações
Só no Spotify.
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O Sonora tem acesso gratuito e assinaturas. O Spotify, só assinaturas.
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No Sonora, de até seis meses atrás
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23 de abr. de 2009
Algumas respostas

Depois do bode criado pelos posts discutindo O Culto do Amador, me penitencio aqui com um revigorante trecho de um artigo do Gerd Leonhard sobre, entre outras coisas, quais serão os fatores que determinarão valor no mundo digital. Vai em inglês mesmo, ok?
So what are those future value-determining factors? Here are a few from a long list that I have been compiling:
- The best quality experience, at the perfect time. Compare listening to a low quality audio-stream on your mobile, in the train, to enjoying an HD recording on your living room (or car?) sound system. The first one could be feels-like-free or bundled, the other one could be a premium, paid-for service. The difference is just my particular use case, not the 0s and 1s.
- A new, attractive and convenient package (or shall we say, alternate user interface?) A powerful and very recent example is 'The Presidents of The United States of America' iPhone app: the user pays a one-time fee of $3 for free, on-demand streams and videos from the last 4 albums, and lots of up-selling is built right into the app. iPhone users that are fans are very likely to shell out $3 to get this cool widget, and in a way I guess they are now actually paying for what they would otherwise have gotten for free, anyway (i.e. to listen to their favorite music, on-demand). Plus, the band now has a direct and totally unique path to their biggest fans - and that is the new gold, in my opinion. Sounds like a great deal to me: package it nicely and it will sell regardless of free alternatives.
- Also note that this same phenomena is what still sells printed books. The words i.e. the content anyone can probably get for free, somewhere, but the feel and smell of the paper, the physical format, the touch, the familiar and comfortable user-interface (UI) is what I am actually paying for when I buy the good old, dead-tree version. In other words, I pay for the design, the printing and shipping, and only implicitly for the 'words'. It is important to note, though, that nice user interfaces will soon be available on electronic reading devices, as well, therefore leading us to that very same, original question: what will we pay for when we buy content, ultimately? We may soon enter the age of content-as-software-packages: many of us may soon no longer order the printed versions of books (last not least because of environmental concerns) but we may happily pay a few Euros a month for a digital book subscription, or add it in a bundle via our mobile phone bill, only to then buy the 20 Euro multimedia / virtual world edition of a book we really like - except that it won't be printed and shipped but also downloaded to my mobile device.
- Authenticity and timeliness. I foresee a future where I will gladly pay a bit more to make sure that what I get is the bona-fide real thing, from the actual creator, in its correct version and without any shortcuts or changes. An authorized, paid-for English translation of the new Paulo Coelho book (digital or otherwise) would certainly be more enticing to me than 'free' copy that is not stamped with his approval. And if I can get it the moment that it's finished, even better (and I pay another premium).
- Selection, expert curation, filtering, culling, context, annotation. In my experience, few people have time to find the best music for a specific occasion. Why would I bother looking for a great selection of ambient 'space music' for my yoga sessions when a true, bona-fide authority such as Stephen Hill (Producer of the superb Hearts of Space / HOS online radio show) has already done this for me? My payment to HOS would therefore be not so much for the actual songs, it's more for the service of having them filtered and annotated by a real expert.
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Google passa a dar música de graça... na China
O Google está liberando arquivos mp3 legais e de alta qualidade na China. É uma estratégia para abocanhar uma fatia maior do mercado chinês, que hoje é de 28%. Eles pretendem gerar receita a partir de anúncios.
Há um artigo no Media Futurist comentando este importante passo rumo à liquidifcação da música. Será?
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22 de abr. de 2009
Mais que mil palavras

Andando por aí, deparei com a foto acima. Espelhada em vários sites, acabei descobrindo que é de de Gabriel Openshaw . É uma mulher da tribo Mursi, da Etiópia, nada amistosos com estranhos. Além dos paramentos tradicionais, está portando um AK-47 e (reparem) dinheiro na mesma mão que segura o iPod.
Como ela conseguiu o iPod? Ela compra músicas na loja virtual iTunes? E o dinheiro? Que músicas será que ela escuta?
18 de abr. de 2009
Desmaterializar: mudando as maneiras de nos relacionarmos com produto e propriedade

Tradução livre de um artigo de Chris Arkenberg em Urbeingrecorded.
Há uma imensa e rápida mudança ocorrendo no terreno das ferramentas & tecnologia. Cada vez mais, produtos estão se desmaterializando e transformando-se em serviços. Esta mudança é impulsionada em parte pelos crescentes custos de produção e pela consciência cada vez maior dos impactos ambientais reais de se produzir bens duráveis e depois descartá-los jogando-os em aterros sanitários. É também uma resposta à rápida digitalização da cultura, empurrando bens de consumo para trocas de informação menos tangíveis, geralmente mediados por aparelhos cada vez mais fetichizados. Portanto, o conteúdo está se afastando de suportes fixos como discos e papel e, em vez disso, fluindo por redes e aparelhos.
Talvez o exemplo mais icônico e revolucionário desta tendência seja a dupla da Apple iPod e seu serviço, o iTunes. Ao longo dos últimos 20 anos, milhões e milhões de Cds, DVDs, embalagens e encartes impressos consumiram recursos em hard media irrecuperável ou pouco reciclável e enchendo os lixões. A Apple fundamentalmente reescreveu seu paradigma ao desmaterializar o conteúdo – música e filmes – e conectá-los diretamente com o player. Os custos energéticos e materiais foram conjugados em um (espera-se) aparelho mais durável, liberando o conteúdo transacional de enorme volume de uma carga imensa de recursos. Enquanto há custos de fabricação associados ao aparelho, o impacto é reduzido ao subtrair esses custos do conteúdo.
Tem havido, desde então, um movimento cada vez maior dos produtos em direção aos serviços, o que é facilmente mostrado com a ascensão dos serviços online na era da Web 2.0. As câmeras digitais são outro exemplo que, como o iPod, desvincularam a incansável produção de conteúdo de um suporte tóxico e não-renovável – nesse caso, filme e papel fotográfico. Da mesma forma, a própria produção afastou-se de tintas e papéis caros, tóxicos e desperdiçadores e rumou para a onipresença das telas. Mais e mais conteúdo “impresso” - antes domínio de revistas, jornais, livros e publicidade em geral – se afasta dos suportes palpáveis. Novamente, o padrão mostra o conteúdo livre dos subtratos materiais para mover-se sem esforço através de redes e aparelhos.
Há alguns efeitos interessantes desta tendência. Claro, a pirataria do conteúdo se torna consideravelmente mais fácil e barata. Conteúdo pode ser movido e copiado através das redes sem esforço, e proteção a cópias é apenas um conjunto de bits a ser crackeado. Como Stewart Brand argutamente observou, “informação quer ser livre” e a rápida digitalização da cultura reforçou radicalmente esta proposição, forçando cada indústria pré web a reavaliar completamente seus modelos de negócio.
Por outro lado, a "bitificação" do conteúdo e a democratização de poderosas ferramentas desktop de autoração potencializaram e encorajaram a tentação histórica de remixar e revitalizaram maciçamente nossa criatividade cultural. Ironicamente, numa época que permitiu a tantos criar tanto, a noção de propriedade intelectual tem menos respeito do que nunca. Quando seu conteúdo contém bits de 10 outros pedaços de conteúdo, ele pertence a quem? Como foi notado por muitos autores e analistas, o gênio saiu da garrafa.
Mas talvez o mais interessante sejam as mudanças comportamentais e psicológicas em resposta a essas tendências. À medida que as coisas se transformam em bits intangíveis, o fato de que não podemos mais tocar o produto sutilmente enfraquece a nossa noção mesma de propriedade. Começamos a considerar nossa relação com as coisas mais como algo com que interagir do que possuir. Se por um lado isso é potencialmente libertador, também facilita aos provedores de conteúdo assegurar propriedade total perpetuamente: você está meramente pegando emprestado um conteúdo através de um serviço provido pelo “real” proprietário. Sem a propriedade direta, estamos protegidos e ainda temos o direito de compartilhar?
Em relação ao conteúdo, a propriedade pessoal passou para o aparelho – o cada vez mais fetichizado recipiente pelo qual o conteúdo está fluindo constantemente. Nossos smart phones são extensões incrivelmente potencializadas de nós mesmos, conferindo habilidades inimagináveis ao dono. O mais simples e mais intuitivo desses aparelhos tornam-se uma segunda natureza, extensões de nossos corpos, facilmente conectando-nos uns aos outros, a conteúdos, a vastos estoques de conhecimento. É claro que fetichizamos tais objetos e é claro que nos tornamos dependentes deles.
A industrialização lamentavelmente otimizou seu modelo de negócio através da obsolescência planejada, com muitos produtos projetados para quebrar, forçando um aumento das vendas do próximo modelo. Sem dúvida, os aparelhos em que hoje confiamos tanto têm suas próprias falhas embutidas, sejam intencionais ou apenas consequência da margem de lucro, que incentiva a não investir em mais qualidade do que seja absolutamente necessária. Então, serão os benefícios da desmaterialização dos conteúdos de suportes baratos anulados pelas exigências de recursos e quebra inevitável de nossos aparelhos? Terá o impacto energético e ambiental poupado pela não utilização de papel duplicado pelo simples custo de fabricar e manter vastas server farms globais?
Qualquer avaliação real da desmaterialização dos produtos para os serviços deve considerar o imenso impacto da infraestrutura que a suporta. Apesar disso, é para onde estamos indo. Os aparelhos portáteis serão cada vez mais dedicados a conteúdo e transient marketing. As telas continuarão a se multiplicar a uma velocidade exponencial, se encaixando em cada aspecto de nossas vidas. Fabricantes de hardware serão cada vez mais observados por comitês de padrões internacionais e acionistas, prestando contas dos impactos ambientais e de carbono de seus processos. E a noção de objeto e propriedade continuará a ser desafiada de formas ainda desconhecidas.
O que a indústria do conteúdo perde com a condenação do Pirate Bay
Tradução livre do blog da Wired
Sites como Pirate Bay ensinaram e continuam ensinando lições valiosas à indústria de conteúdo sobre como lidar como o mundo emergente da mídia social – Facebook, Orkut, MySpace, imeem, YouTube etc. - no qual as vendas formam uma pequena fatia das receitas, e no qual o que importa é quem gosta do quê e quem presta atenção a quê.
Dentre o que é mais importante temos as listas de amigos, os uploads dos usuários, os filtros de conteúdo dos mesmos usuários, marketing viral, conteúdo patrocinado por anúncios e a possibilidade de se garimpar muita informação valiosa.
As gravadoras sempre ficaram intrigadas com a quantidade impressionante de usuários que sites como Napster e Kazaa reuniam, embora ficassem reticentes em tirar vantagem disso.
Existe muita informação vital para as majors quando ela monitora a rede de compartilhamento de arquivos, como: a música mais baixada de um álbum que vazou pode dar a indicação de que single escolher; onde uma banda deve tocar pode vir dos IPs dos fãs; que artistas têm públicos semelhantes e podem dividir um show etc.
Vários sites foram “vencidos” pelas gravadoras e o Pirate Bay pode ser mais um. Mas nesse meio tempo novas formas de compartilhamento continuam a surgir, incluindo redes privadas e encriptadas. E com os espelhos que o Pirate Bay tem em outros paises, é provável que ele consiga continuar a operar. Alem disso, o Pirate Bay é só um engenho de busca focado em arquivos de filmes, música etc. Ele mesmo não tem conteúdo próprio. Google, Yahoo e MSN também levam a arquivos ilegais.
Mesmo com a indústria celebrando outra vitória sobre o compartilhamento de arquivos, o mundo está mudando rapidamente na direção de serviços on-demand, nas nuvens onde se pode ouvir música e ver vídeos de uma forma mais social e mais rápida que nos com bit torrent.
Os sites P2P criaram o DNA das redes sociais e dos novos negócios - mas são considerados inimigos. E os Facebooks da vida contêm mais dados dos usuários que os P2P aumentando as chances de se criar receitas através de publicidade, recomendações e, até, vendas ocasionais.
A vitória sobre o Pirate Bay, se ela realmente acontecer, só vai tirar a possibilidade de se conhecer melhor os hábitos e gostos de milhões de usuários – e potenciais consumidores.
A grande lição dos P2P é: Venda anúncios quando o conteúdo for gratuito e tente vender para as pessoas algo que elas não possam ter gratuitamente, seja algum bônus, acesso instantâneo, ingressos para show, boxes luxuosos, relacionamento etc.
Processos como esse contra o Pirate Bay fazem sentido na superfície, mas em outro nível são um jeito engraçado de dizer “Obrigado”.
Sites como Pirate Bay ensinaram e continuam ensinando lições valiosas à indústria de conteúdo sobre como lidar como o mundo emergente da mídia social – Facebook, Orkut, MySpace, imeem, YouTube etc. - no qual as vendas formam uma pequena fatia das receitas, e no qual o que importa é quem gosta do quê e quem presta atenção a quê.
Dentre o que é mais importante temos as listas de amigos, os uploads dos usuários, os filtros de conteúdo dos mesmos usuários, marketing viral, conteúdo patrocinado por anúncios e a possibilidade de se garimpar muita informação valiosa.
As gravadoras sempre ficaram intrigadas com a quantidade impressionante de usuários que sites como Napster e Kazaa reuniam, embora ficassem reticentes em tirar vantagem disso.
Existe muita informação vital para as majors quando ela monitora a rede de compartilhamento de arquivos, como: a música mais baixada de um álbum que vazou pode dar a indicação de que single escolher; onde uma banda deve tocar pode vir dos IPs dos fãs; que artistas têm públicos semelhantes e podem dividir um show etc.
Vários sites foram “vencidos” pelas gravadoras e o Pirate Bay pode ser mais um. Mas nesse meio tempo novas formas de compartilhamento continuam a surgir, incluindo redes privadas e encriptadas. E com os espelhos que o Pirate Bay tem em outros paises, é provável que ele consiga continuar a operar. Alem disso, o Pirate Bay é só um engenho de busca focado em arquivos de filmes, música etc. Ele mesmo não tem conteúdo próprio. Google, Yahoo e MSN também levam a arquivos ilegais.
Mesmo com a indústria celebrando outra vitória sobre o compartilhamento de arquivos, o mundo está mudando rapidamente na direção de serviços on-demand, nas nuvens onde se pode ouvir música e ver vídeos de uma forma mais social e mais rápida que nos com bit torrent.
Os sites P2P criaram o DNA das redes sociais e dos novos negócios - mas são considerados inimigos. E os Facebooks da vida contêm mais dados dos usuários que os P2P aumentando as chances de se criar receitas através de publicidade, recomendações e, até, vendas ocasionais.
A vitória sobre o Pirate Bay, se ela realmente acontecer, só vai tirar a possibilidade de se conhecer melhor os hábitos e gostos de milhões de usuários – e potenciais consumidores.
A grande lição dos P2P é: Venda anúncios quando o conteúdo for gratuito e tente vender para as pessoas algo que elas não possam ter gratuitamente, seja algum bônus, acesso instantâneo, ingressos para show, boxes luxuosos, relacionamento etc.
Processos como esse contra o Pirate Bay fazem sentido na superfície, mas em outro nível são um jeito engraçado de dizer “Obrigado”.
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17 de abr. de 2009
Fundadores e ex-CEO do Pirate Bay são condenados à prisão

Deu na Rolling Stone:
Três fundadores e um ex-CEO da primeira empresa de hospedagem do site The Pirate Bay, um dos maiores portais de download gratuito no mundo, foram condenados na última quinta, 16, pela justiça sueca, a um ano de prisão. Acusados de violar direitos autorais, Frederik Neij, Gottfrid Svartholm Warg, Peter Sunde e Carl Lundstrom (ex-CEO) terão ainda de pagar multa equivalente a R$ 7,75 milhões.
Após sabatina de duas semanas de interrogatório, dentro e fora dos tribunais, Sunde falou ao canal britânico BBC, na quarta, 15. "Estamos muito confiantes que vamos ganhar." Há poucas horas, o sueco mostrou em seu Twitter postura tranquila frente à decisão desfavorável ao quarteto. "Fiquem calmos - nada irá acontecer ao TPB. Conosco pessoalmente ou com a troca de arquivos. Isso é só teatro para a mídia."
Sunde achou graça, ainda, de ter tomado conhecimento da sentença antes mesmo do comunicado oficial. "Sério, é um tanto engraçado. Costumava acontecer apenas com filmes. Agora, até veredictos vazam antes do anúncio oficial", ironizou.
Ao descobrir que estava sendo processado, em 2008, Warg deu um recado às gravadoras em entrevista ao jornal sueco The Local: "Elas que se danem".
Em broadcast no TPB, Sunde afirmou preferir "queimar tudo o que tenho a pagar a multa". O caso, para ele, é coisa de cinema. Particularmente, da franquia Karate Kid. "Isso é como no filme. No começo, tem os valentões que implicam com Daniel San. Então ele apanha. É onde estamos agora. No final, teremos esta vitória épica. No final, iremos arrasar com eles."
Os réus foram acusados de prejuízos à indústria fonográfica, cinematográfica e de jogos eletrônicos por companhias como Sony BMG, EMI, Universal, Warner Bros, MGM, Columbia Pictures e 20th Century Fox Films. A ideia inicial era conseguir indenizações em torno de R$ 30 milhões pelos lucros não obtidos com os arquivos baixados gratuitamente desde a criação do site, em 2003.
Os advogados de defesa, que vão apelar contra o veredicto, partem do seguinte raciocínio: o Pirate Bay não alojava arquivos, e sim links - segundo as leis suecas, a indexação de arquivos não é criminosa. A corte, no entanto, não se convenceu.
O julgamento - considerado capital especialmente para a combalida indústria fonográfica - deve chegar à Suprema Corte da Suécia. Esse era o próximo passo prometido pelos criadores do site que contabiliza 22 milhões de usuários, caso perdessem na quinta.
À BBC, o CEO da Federação Internacional da Indústria Fonográfica, John Kennedy, afirmou que os suecos não agiam por princípio - a não ser o do dinheiro. "Esses caras não estavam fazendo nada por princípios, estavam nesta para encher o bolso. Não havia mérito algum a respeito do comportamento deles, era tudo repreensível."
Kennedy acredita que chegou a hora de a indústria musical dar um olé no quadro atual, que comporta muitos sites à imagem e semelhança do PTB. "Havia esta percepção de que pirataria é OK e que a indústria deveria simplesmente aceitá-la. O veredicto de sexta vai mudar isso."
Ao mesmo canal, dias antes, Sunde disse não enxergar diferença entre PTB e Google. Se a pena impetrada nesta sexta vingar, o sueco não poderá vir ao 10° Fórum Internacional de Software Livre, no qual estava agendado uma das mais importantes das 14 atrações internacionais, ao lado do fundador da Free Software Foundation, Richard Stallman. O Fils acontece em Porto Alegre, entre os dias 24 e 27 de junho.
Até agora, o golpe mais forte sobre o site datava de 31 de maio de 2006. Na época, policiais invadiram e apreenderam computadores na empresa que hospedava os servidores do Pirate Bay.
14 de abr. de 2009
Igual a DRM, só que mais sinistro

Andrew Dubber escreveu em seu site New Music Strategies sobre uma nova maneira de rastrear arquivos mp3, em estudo por algumas gravadoras.
Desta vez, com "marcas d`água". A ideia é que seja completamente invisível (e inaudível) para o ouvinte, mas rastreia de onde o mp3 (ou outro formato) tenha vindo, e, na maioria dos casos, informe sobre a pessoa que originariamente o comprou.
Leia mais no New Music Strategies.
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30 de mar. de 2009
Bob Dylan de graça. Só hoje.
Leoni me avisou: Bob Dylan está disponibilizando no seu site uma música inédita. Mas só hoje. Vejam só a mensagem que eles mandam para os cadastrados:
Dear Friends,
We are excited to offer you a free download of BEYOND HERE LIES NOTHIN' from Bob Dylan's new album TOGETHER THROUGH LIFE.
BEYOND HERE only hints at the variety of tone, mood and feeling on an album that critics are already buzzing about.
Pre-order the album now and get a great vintage Bob Dylan poster, only available from bobdylan.com.
Sorry to say that this download is only available for free for one day; from midnight Monday March 30th, through midnight, March 31st.
Enjoy!
your friends at bobdylan.com
24 de mar. de 2009
Música de graça
Vamos discutir algumas ideias?
No meu site eu tenho dado uma canção inédita por mês para os cadastrados - que recebem um e-mail avisando que ela já está disponível. Além do arquivo em MP3 – nada de DRM, pelo amor de Deus! – de boa qualidade, eles encontram letra, cifras, ficha-técnica, textos sobre a composição e a gravação e uma foto para a capa virtual do single.
É tudo gratuito e oficial. Eu parti da idéia de que a venda de música já é algo insignificante e que, muito mais que vender, é importante ter a atenção das pessoas. A única coisa que eu peço em troca é o e-mail delas para que eu possa mandar outras canções, avisar quando eu lançar um show novo ou uma nova promoção etc.
Tenho procurado outros artistas que façam algo semelhante no Brasil mas ainda não encontrei. Adoraria trocar experiências e resultados.
O que vocês acham dessa estratégia? Conhecem alguém que tenha uma conduta semelhante?
No meu site eu tenho dado uma canção inédita por mês para os cadastrados - que recebem um e-mail avisando que ela já está disponível. Além do arquivo em MP3 – nada de DRM, pelo amor de Deus! – de boa qualidade, eles encontram letra, cifras, ficha-técnica, textos sobre a composição e a gravação e uma foto para a capa virtual do single.
É tudo gratuito e oficial. Eu parti da idéia de que a venda de música já é algo insignificante e que, muito mais que vender, é importante ter a atenção das pessoas. A única coisa que eu peço em troca é o e-mail delas para que eu possa mandar outras canções, avisar quando eu lançar um show novo ou uma nova promoção etc.
Tenho procurado outros artistas que façam algo semelhante no Brasil mas ainda não encontrei. Adoraria trocar experiências e resultados.
O que vocês acham dessa estratégia? Conhecem alguém que tenha uma conduta semelhante?
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