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8 de mai. de 2009

Mais sobre O Culto do Amador

Recebi esse texto do Leonardo Morel que, além de músico, está fazendo sua tese de pós-graduação sobre os novos modos de se consumir música. Ele acabou de ler "O Culto do Amador" do Andrew Keen - já citado outras vezes aqui - e fez uma pequena análise do livro para nós.

O CULTO DO AMADOR

Em “O culto do amador” (Rio de Janeiro, editora Zahar, 2009), Andrew Keen defende que o modelo de democratização adotado pela internet nos dias de hoje, também conhecido como Web 2.0, contribui para a degradação da sociedade do século XXI. Segundo ele, a Web 2.0 daria poder de voz a indivíduos sem especialização, definidos por ele como “amadores”, e acarretaria o declínio de nichos mercadológicos como a indústria fonográfica e a imprensa especializada.

Na visão dele, plataformas como Myspace, Wikipédia e Youtube são responsáveis pela degradação de valores culturais e pela eliminação de postos de trabalho de profissionais e especialistas.


Em períodos de mudança é natural que algumas pessoas glorifiquem o passado, idealizando-o como parte de um território seguro onde não havia problemas e todos eram felizes. Atualmente encontramos frequentemente essa posição sendo defendida por indivíduos dos mais variados segmentos profissionais que enxergam esse momento de transição como a realização do caos.


Ora, o homem cria a tecnologia e essa transforma a sociedade, sempre foi assim. A busca pela inovação tecnológica faz parte da história humana e é inevitável que produtos e processos muitas vezes tornem-se obsoletos e simplesmente desapareçam com o tempo.


Numa perspectiva unilateral, o autor parece ignorar os benefícios que plataformas como Myspace, Youtube e Wikipédia geraram paras as pessoas, não conseguindo assim entender os motivos pelos quais tais iniciativas foram tão bem sucedidas nos dias de hoje.


Estamos vivendo num período marcado por inúmeras mudanças na sociedade causadas pelo impacto do processo de inovação tecnológica. A internet, creio eu, ainda necessita de diversos ajustes como uma regulamentação que seja formatada nos moldes atuais e que proporcione o equilíbrio entre os interesses tanto da sociedade quanto os corporativos.


Mesmo assim acho válida a leitura desse livro. Acredito que ele contribui para um debate que ainda está longe de acabar quando o assunto é internet e creio ser importante ouvir (ou ler) os diferentes pontos de vista.


Léo Morel
leonardomorel@gmail.com
http://www.myspace.com/leomorelrj