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9 de jun. de 2009

Indaba Music: mixando online


Descobri o Indaba Music não me perguntem como, pois já esqueci. Indaba é uma palavra zulu que evoca espírito de colaboração e comunidade. O negócio lá é propiciar projetos colaborativos de música, inclusive com uma ferramenta de mixagem online.

Ao se inscrever, você pode criar Sessions na área MyStudio, fazendo upload de seus arquivos de referência e as trilhas independentes.

Como a coisa é organizada como uma comunidade, você indica para os outros as características do seu projeto (estilo, instrumentos, andamento etc.) e o que você está precisando (um baixista, um produtor, arranjador etc.). Você pode deixar o projeto aberto a experiências de estranhos ou não, assim como licenciá-lo pelo Creative Commons. Também tem outras ferramentas disponíveis, como um blog.

O mais legal mesmo é o editor de música online (Session Console). Programado em Flash, tem o visual e o comportamento típicos dos GarageBands e similares. Só que ainda é, compreensivelmente, muito limitado em recursos. Mas é surpreendentemente ágil se considerarmos que é online. Vejam abaixo um vídeo explicativo do Session Console.



Eu diria que é ainda uma brincadeira deliciosa, inclusive para gente grande. Mas, com o avanço da velocidade de acesso no futuro, pode se tornar coisa séria.

Ah, é de graça, mas com limite de uso. Totalmente liberado, são 100 dólares por ano.

2 de jun. de 2009

Eu quero meu Spotify

Spotify, para quem ainda não sabe e não sonha com ele, é um serviço de streaming on demand. Ou seja, você pode ouvir qualquer música a qualquer momento que quiser, pode criar, trocar e compartilhar listas com outros usuários, sem ter que baixar nenhuma canção. No momento só existe na Europa. A previsão de implantação para os EUA é para o fim desse ano, assim como a portabilidade total. No momento é um aplicativo para desktop. Embora já existam alguns aplicativos que solucionem parcialmente esse problema como no vídeo abaixo:



Não é impressionante?

Para entender melhor a trajetória do Spotify, aí vai um vídeo como Daniel Ek, o inventor dessa história, no qual ele relata os dois anos de conversações com gravadoras e editoras para conseguir lançar o aplicativo.


The Music Void - Daniel Ek on MUZU.

Eu quero meu Spotify!!!

31 de mai. de 2009

Dani Gurgel é a primeira brasileira no Artist Share

Think Tank 4 - Parte 2: "ArtistShare é o novo modelo? O marketing do Radiohead só vale pro Radiohead?" from yb music on Vimeo.



Eu estava acompanhando o Think Tank da YBMusic pelo Twitter quando apareceu um post sobre uma brasileira que estava gravando seu disco pela Artist Share. Como eu sou fã do modelo de negócio deles – acho que é algo viável e muito benéfico para os artistas brasileiros – resolvi entrar em contato com ela para saber exatamente como é que funciona. Achei-a pelo Twitter e acabei entrevistando-a por e-mail. Por conta da agenda corrida da Dani Gurgel, muitas dúvidas ainda não foram esclarecidas para mim. Adoraria perguntar bem mais, mas não posso pedir mais dela no momento.

Lá vai a entrevista:

1) Primeiro acho importante conhecer o que você já fez até aqui, composições, gravações, shows, parceria etc.

Como instrumentista, fui saxofonista por muito tempo, participando de big bands com o Zimbo Trio e regida pelo Roberto Sion.

Como cantora, fiz uma temporada de shows em 2007 que calcou tudo que faço até hoje: "Dani Gurgel e Novos Compositores".

Nessa temporada, convidava compositores que tivessem no máximo um único disco gravado pra participar do show. Meus dois últimos discos tiveram músicas desses compositores e minhas, apenas; assim como esse disco novo no qual eles participam cantando ou tocando seu instrumento

2) O modelo de negócio do Artist Share, no qual o fã financia o artista, sempre me pareceu uma excelente opção para qualquer artista que já tenha um público ou que tenha uma presença forte na rede. Não há necessidade de intermediários entre artista e público nesses tempos digitais.
No seu caso, o que é que você já fazia para se conectar com seus fãs na internet?

Sempre fiz questão de ser muito presente mandando e-mails, novidades, etc. Às vezes nem precisa ser sobre um show, e sim sobre vídeos novos no YouTube, etc. Já passei por diversos sistemas. Usava programas de mailing, mandava na mão, e um dia resolvi usar o ReverbNation, onde eu piloto minha lista de quem ainda não comprou o AGORA até hoje.

3) Como você foi contatada? Você se ofereceu ou foram eles que te procuraram?

Eles tinham meu disco, e me procuraram pra gravar esse meu novo disco nesse formato.

4) Pelo que eu li no site, existem três tipos de artistas que têm diferentes serviços e possibilidades dependendo do numero de fãs: Performer, menos de 1000 cadastrados, Session Producer, entre 1000 e 5000 e Professional, mais de 5000. Você está gravando um álbum, o que só é permitido ao nível mais alto. Há quanto tempo você está “pescando”esse público? Quantos cadastrados você tem?

Já entrei no ArtistShare com mais de 5000 pessoas na minha lista, o que ajudou no convite pra lançar esse disco como Professional.
Hoje concilio duas listas de e-mails. A minha antiga, e a de quem já comprou o disco.

5) Como foi que você chegou nesse patamar? Quais são os serviços e funcionalidades que o Artistshare dá ao artista para que ele possa cadastrar os fãs e ter direito de realizar projetos?

Não posso falar muito, pois eu construí minha base antes de entrar no ArtistShare.
Mas estamos sempre preocupados em fazer com que as pessoas se inscrevam na lista, é um dos nossos objetivos nesse projeto.

6) Você paga alguma coisa pelos serviços deles além de uma percentagem das vendas e pré-vendas? Quanto? Qual a percentagem deles?

Eles me oferecem os serviços deles a preços especiais pra artistas. Aí depende de que serviços você usa, como Publicidade, RadioShare, etc.
Todos os valores dependem do seu projeto.

7) Quais diferenças foram mais marcantes para você entre o modelo de negócio do Artistshare e o dos outros selos?

Nunca trabalhei com outros selos. Mas só entrei no ArtistShare porque é direcionado a artistas que cuidam da própria carreira.
A vantagem de ser artista independente (como continuo sendo), é tomar suas próprias decisões.

8) Eu tenho acompanhado suas gravações pelo Twitter e vi que a coisa está de vento em popa, com muitos músicos, muitos arranjos sofisticados. Você está conseguindo se financiar através dos fãs ou está se bancando?

Temos patrocínio da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, com o ProAC. Essa verba será complementada com o que o público já comprou, e dificilmente a soma liquidará o disco todo.

9) Existe o risco de um disco não sair se não conseguir se financiar com os fãs? Ou alguém assume o risco? O Artist Share garante alguma coisa?

Sempre existe esse risco, e eu assumo essa responsabilidade junto a eles. Quem garante sou eu para o ArtistShare, em contrato com penalidades, para que eles garantam que terá disco para quem compra.

10) Para cada projeto há pacotes diferentes? Quem criou as categorias de financiamento e como foram calculados os valores do seu projeto? Quais são os pacotes para financiar o seu trabalho?

Foram criadas por mim em cima de uma sugestão deles para o meu projeto.
Temos muitas categorias, algumas das mais interessantes são o Participante Bootleg, no qual você acompanha virtualmente todos os nossos shows de 2009, o Participante Bronze, que tem o nome na capa do disco, e o MP3 simples, que é a opção mais barata e que, como todas as outras, dá um ingresso pro show de lançamento no Auditório Ibirapuera, dia 12 de Setembro.

12) Você está satisfeita com o site?

Sim

13) Você acha que um modelo assim é viável no Brasil?

Sim, para artistas que não esperem um conto de fadas, e que não contem apenas com essa verba pra começar o disco.

14) Você tem idéia de quantas pessoas já pré-compraram o Agora e em quais formatos?

Já temos três participantes Bronze, acho que essa é a informação mais bacana, né?

15) Uma última pergunta, se não te incomodar: quem é o responsável pelas filmagens e pela formatação para a internet, você ou o Artist Share?

Quem faz tudo sou eu. Gravo os vídeos, edito, legendo e coloco, seguindo um cronograma que estabelecemos juntos.

17 de mai. de 2009

Conteúdo como software



O New York Times está encontrando um jeito de sobreviver que já é uma tendência: entregar conteúdo como software. Já há bandas fazendo o mesmo através dos iPhone apps.

9 de mai. de 2009

Wikipedia x O Culto do Amador



Andando por aí, descobri esse vídeo com um debate de 28/2/2008 entre Jimmy Wales (um dos criadores da Wikipedia) e Andrew Keen (autor de O Culto do Amador).

Quem esperava um Deathmatch, deu com os burros n'água. O debate é civilizadíssimo, divertido e muito esclarecedor sobre os pontos de vista de ambos. Em alguns momentos é difícil chegar a conclusões. Às vezes eles até concordam entre si. E o Andrew Keen tem um sotaque estranho...

Para mim, alguns dos highlights da crítica de Keen - descritos aqui toscamente - são:
  • A falta de contexto e curadoria das informações expostas na Wikipedia e na internet em geral. Por exemplo, o que é mais importante: Hamlet ou Pokemon? Depende do contexto. Sem isso, não há como inferir valor (ou então, gasta-se um tempo que quase ninguém mais tem). Jornais e a mídia tradicional, com todos os seus defeitos, contextualizam melhor a informação. Por exemplo, se você conhece a linha editorial do jornal e quem escreve um dado artigo, você já começa a formar um mapa mental. A falta de contexto é grave para quem não tem tempo, educação ou ceticismo (os "media illiterates"). No caso da Wikipedia, o anonimato dos autores aprofunda ainda mais esse problema.
  • Ele também sublinha a desvalorização do criador profissional e do especialista na web 2.0, que é um grande espelho. Sites como Youtube e Google são veículos criados para colocarmos nossos conteúdos, sem remuneração. O valor econômico é vender anúncios. Se a moeda hoje é a atenção, cada minuto que passamos num desses sites é um minuto a menos num NewYorkTimes.com ou somewhere else. "It's getting harder and harder to make a living as a creative professional".
Já Jimmy Wales, otimista, defende que estamos firmemente caminhando para uma economia e profissões baseadas em conhecimento. (Minha opinião: acho que nesse caso a palavra informação é mais adequada que conhecimento. É bem diferente.) Ele concorda com Keen na necessidade de valorizar os experts, os creative professionals. Mas não especifica como nesse novo modelo.

Alguns argumentos são, hoje, óbvios - a dificuldade de remuneração do conteúdo, por exemplo. Outros, mais polêmicos. Divirtam-se e tirem suas conclusões.

29 de abr. de 2009

As loucuras imperdíveis de Josh Freese


Josh Freese é um grande baterista. Já gravou e tocou com Devo, NIN, Sting, Guns and Roses, The Offspring, Avril Lavigne e muitos outros artistas. Agora resolveu lançar seu segundo disco solo de uma forma inteiramente nova, adaptado que está aos novos tempos de Música 2.0.

Sua estratégia foi a de conseguir atrair a atenção – atenção é a nova distribuição – inovando inteiramente nos pacotes possíveis para se adquirir seu novo trabalho. As idéias são tão inusitadas que muita gente resolveu conferir aquela insanidade.

Querem ver?

Os preços variam de $ 7,00 a $ 75.000,00! Pagando menos você recebe os arquivos das canções e três vídeos filmados e dirigidos pelo próprio. Por $ 15,00 além dos arquivos você recebe um CD e um DVD. As inovações começam quando se paga $ 50,00: além do pacote anterior, você recebe uma camiseta, seu CD vem autografado e o próprio artista liga para sua casa para agradecer a compra - e você tem 5 minutos para perguntar qualquer coisa que desejar sobre ele ou qualquer artista com quem ele já trabalhou. Num pulo rápido para $ 250,00 – que já vendeu os 25 pacotes disponíveis – ao invés do telefonema, o artista vai almoçar com você em um dos dois restaurantes que ele indica e te dá baquetas e peles de bateria autografadas. Dos 10 pacotes de $ 500,00 metade já foi para quem quer encontrar com Josh em Venice para flutuarem num tanque de privação sensorial e, depois, jantar no Sizzler.

E aí? Está achando que é muita loucura? Pois tem muito mais.

Os preços vão subindo e junto a proximidade. Ele pode te dar aulas de bateria, lavar seu carro ou sua roupa, sair para encher a cara com você, cortar seu cabelo, fazer massagem, escrever uma canção sobre você (além de gravá-la e produzir um clipe dela com a sua co-direção), passear com você na Disneylândia e deixar você dirigir o seu Volvo na volta, te levar para jogar mini-golfe com os integrantes do DEVO, te deixar escolher qualquer peça em seu guarda-roupa até chegar ao pacote de $ 75.000,00 que inclui te levar na turnê por alguns dias, compor, gravar e lançar um EP de 5 canções sobre a sua vida, escolher uma de suas baterias para levar de presente – qualquer uma! -, se você tiver uma banda ele pode se transformar num integrante por um mês, se você não tiver ele pode ser seu assistente pessoal por um mês e mais algumas loucuras que vale a pena ler em seu site.

Vamos aos fatos:

Ele vendeu 25 pacotes de $ 250,00, cinco de $ 500,00, cinco de $ 1.000,00, dois de $ 2.500,00, dois de $ 5.000,00 e um de $ 20.000,00!! São $ 48.750,00 de receita bruta – mas o cara vai ter despesa! – com 40 pacotes vendidos. Ele conseguiu vender seu trabalho por mais de $ 1000,00 por pessoa.

Ele disse que nem se importa com quantos CDs ele vai vender – pacotes de $ 15,00. Também pudera. Para chegar a esses valores ele teria que vender mais de 3.000 cópias de um produto que muito pouca gente vai querer. Ainda mais de um artista novo. Ele está oferecendo o que ninguém nunca vai poder digitalizar: presença, bastidores, loucura e criatividade. Não é à toa que ele é o baterista do NIN. Trent Reznor está fazendo escola. Quem quer se matricular?

Vejam o próprio falando sobre suas invenções


14 de abr. de 2009

O modelo do NIN para bandas novas!!!!

O mesmo cara, Mike Masnick, que falou sobre o cwf +rtb = $$$ analisando o case do NIN volta a carga em quatro vídeos sobre a fórmula de negócios do novo mundo onde o gratuito não é sinônimo de nenhum dinheiro. A fórmula é fazer uma comunidade crescer e criar escassez real de atenção e acesso. Complicado? Ele cita o Google que oferece serviço gratuito e tem o dinheiro gerado pelos anúncios, que só são lucrativos porque muita gente usa a ferramenta que é realmente boa para que as pessoas se localizem nesse mar de informação. Cita novamente o NIN, mas depois dá bons exemplos de criatividade entre artistas novos. Vale a pena ver.
O primeiro serve de introdução, o segundo explica e o terceiro e quarto são de perguntas do público.

Para quem não conseguir visualizar os vídeos - eu não consegui -, vai o link








8 de abr. de 2009

Mais sobre o modelo de negócios do Trent Reznor

Essa é uma palestra muito interessante do MIDEM sobre o porque do sucesso das inovações do NIN.
Vale a pena. Tenho seguido o Michael Masnick no Twitter e tem sempre alguns insights interessantes.

7 de abr. de 2009

Trent Reznor fala sobre seu modelo de negócio



Ninguém melhor que ele para dar o caminho das pedras. Ninguém foi tão bem sucedido quanto ele nesse novo mundo.
Ouçamos respeitosamente.

26 de mar. de 2009

Sequência do vídeo do Think Tank

http://vimeo.com/ybmusic/videos
São 12. Eu só vi o primeiro.
Vou dar uma olhada nos que têm títulos mais interessantes. Depois nos falamos a respeito.

Esse é o segundo da série.

Think Tank, parte 2 - "Se tirar o logotipo você já não sabe mais quem é o artista" from yb music on Vimeo.

25 de mar. de 2009

Think Tank da YB Music em Sampa

Vou começar a ver os vídeos de uma turma brasileira discutindo música. Deve ser muito legal. E é em português!!


Think Tank - Parte 1: "Vale a pena ter disco?" from yb music on Vimeo.

Gerd Leonhard e o futuro da música

Esse é o vídeo que eu citei no blog "Mais um e-book". Assim vocês têm menos trabalho. O entrevistador também é ótimo.

Mais um e-book



Gerd Leonhard está oferecendo no Twitter seu livro "The End of Control and The Future of Media" para download. Ele bate na tecla de criarmos um outro ambiente na internet onde se esqueça o controle - nesses tempos interativos, todo o cuidado é... inútil, como disse meu amigo Gustavo Corsi - e se crie uma taxa muita barata para o acesso a todo o conteúdo. Algo que pareça grátis e que estimule o consumidor a aderir.

Alguém tem idéias sobre o assunto?

Vale a pena conferir.

E dá para ir baixando capítulo a capítulo.

Quem entender bem inglês pode assistir um a entrevista com o autor.