"Acho que discos foram apenas uma bolhinha no tempo e aqueles que conseguiram seu sustento com eles foram uns sortudos. Não há razão por que se ganhe tanto dinheiro vendendo discos , exceto quando tudo estava certo naquele período de tempo. Eu sempre soube que iria dar errado cedo ou tarde. Não podia durar muito, e agora está dando errado. Não me importo particularmente que seja assim e gosto da forma que as coisas vão indo. A era do disco foi apenas uma piscadela. Era com se você tivesse banha de baleia nos anos 1840 e a utilizasse como combustúvel. Antes de aparecer a gasolina, se o seu negócio fosse banha de baleia você seria o homem mais rico da Terra. Aí veio a gasolina e você ficou para trás com sua banha de baleia. Foi mal, parceiro – a história continua. Música gravada é igual a banha de baleia. No fim, outra coisa a substituirá."
“I think records were just a little bubble through time and those who made a living from them for a while were lucky. There is no reason why anyone should have made so much money from selling records except that everything was right for this period of time. I always knew it would run out sooner or later. It couldn’t last, and now it’s running out. I don’t particularly care that it is and like the way things are going. The record age was just a blip. It was a bit like if you had a source of whale blubber in the 1840s and it could be used as fuel. Before gas came along, if you traded in whale blubber, you were the richest man on Earth. Then gas came along and you’d be stuck with your whale blubber. Sorry mate – history’s moving along. Recorded music equals whale blubber. Eventually, something else will replace it.’’
Entre outras coisas, Trent Reznor comenta uma possível parada do Nine Inch Nails para se dedicar a outros projetos, alguns extra-musicais. Saiu-se com esta pérola:
"(...) I’d never want to be Gene Simmons, an old man who puts on makeup to entertain kids, like a clown going to work ... In my paranoia, I fear that if I don’t stop this, it could become that. Because it’s nice to get a paycheck, and now the only way to get a paycheck is to play live, so it’s all those things swirling around in my head."
Mas o que ele gosta mesmo é de falar, e com propriedade, do estado atual do negócio da música. Aqui vai o trecho da entrevista em que ele desenvolve o tema:
***
You’ve been very vocal about the state of the record industry and how labels have been greedy about the whole business. How do you think it can be improved, if at all?
It’s a kind of Mafia-type run business .. They have systematically taken advantage of artists over the years from The Beatles onwards. You [the artists] do all the work, they loan you money to make records, then you pay them back and they own everything. To see that system collapse is an exciting thing. There isn’t a clear answer on what the right thing to do is right now, and as a musician you’re up against a pretty difficult scenario: most kids feel it’s OK to steal music, and do freely ... The good news is that people are excited and interested in music ...
As an artist it’s your job to capitalize on that. It means generally swallowing a bitter pill and saying, ‘Hey, people don’t want to buy music, so let me give it to you. I’ll find another way to make money but I want you on my side and hearing my music. So let’s get rid of this walled garden of having to pay to hear it, here it is, give it to your friends. Hey, try to come to our show if you can, or you can buy this T-shirt of ours if you like, and that will help us out. Or, here’s a nice version of our album that we put in a cool package for a premium price and we’re only selling a couple thousands of them.’
There are ways that you can monetize your business, but the traditional way of going to a record store and having to pay for it, those days are over. In the States, there aren’t any record stores left. The only place ... is like a Best Buy where you go to buy a washing machine and there’s a tiny rack of DVDs and CDs. I think we’re in between business models right now ...
I’m trying everything I can to contribute to when that next model does come up, whatever it might be, whether it’s subscriptions or whatever, where the artist is more fairly represented and has a say and is compensated, and you’re not paying for jets for record label CEOs ... They’re in their last moments of death and I’m happy to see them go ’cause they’re all thieves and liars.
Eu estava acompanhando o Think Tank da YBMusic pelo Twitter quando apareceu um post sobre uma brasileira que estava gravando seu disco pela Artist Share. Como eu sou fã do modelo de negócio deles – acho que é algo viável e muito benéfico para os artistas brasileiros – resolvi entrar em contato com ela para saber exatamente como é que funciona. Achei-a pelo Twitter e acabei entrevistando-a por e-mail. Por conta da agenda corrida da Dani Gurgel, muitas dúvidas ainda não foram esclarecidas para mim. Adoraria perguntar bem mais, mas não posso pedir mais dela no momento.
Lá vai a entrevista:
1) Primeiro acho importante conhecer o que você já fez até aqui, composições, gravações, shows, parceria etc.
Como instrumentista, fui saxofonista por muito tempo, participando de big bands com o Zimbo Trio e regida pelo Roberto Sion.
Como cantora, fiz uma temporada de shows em 2007 que calcou tudo que faço até hoje: "Dani Gurgel e Novos Compositores".
Nessa temporada, convidava compositores que tivessem no máximo um único disco gravado pra participar do show. Meus dois últimos discos tiveram músicas desses compositores e minhas, apenas; assim como esse disco novo no qual eles participam cantando ou tocando seu instrumento
2) O modelo de negócio do Artist Share, no qual o fã financia o artista, sempre me pareceu uma excelente opção para qualquer artista que já tenha um público ou que tenha uma presença forte na rede. Não há necessidade de intermediários entre artista e público nesses tempos digitais. No seu caso, o que é que você já fazia para se conectar com seus fãs na internet?
Sempre fiz questão de ser muito presente mandando e-mails, novidades, etc. Às vezes nem precisa ser sobre um show, e sim sobre vídeos novos no YouTube, etc. Já passei por diversos sistemas. Usava programas de mailing, mandava na mão, e um dia resolvi usar o ReverbNation, onde eu piloto minha lista de quem ainda não comprou o AGORA até hoje.
3) Como você foi contatada? Você se ofereceu ou foram eles que te procuraram?
Eles tinham meu disco, e me procuraram pra gravar esse meu novo disco nesse formato.
4) Pelo que eu li no site, existem três tipos de artistas que têm diferentes serviços e possibilidades dependendo do numero de fãs: Performer, menos de 1000 cadastrados, Session Producer, entre 1000 e 5000 e Professional, mais de 5000. Você está gravando um álbum, o que só é permitido ao nível mais alto. Há quanto tempo você está “pescando”esse público? Quantos cadastrados você tem?
Já entrei no ArtistShare com mais de 5000 pessoas na minha lista, o que ajudou no convite pra lançar esse disco como Professional. Hoje concilio duas listas de e-mails. A minha antiga, e a de quem já comprou o disco.
5) Como foi que você chegou nesse patamar? Quais são os serviços e funcionalidades que o Artistshare dá ao artista para que ele possa cadastrar os fãs e ter direito de realizar projetos?
Não posso falar muito, pois eu construí minha base antes de entrar no ArtistShare. Mas estamos sempre preocupados em fazer com que as pessoas se inscrevam na lista, é um dos nossos objetivos nesse projeto.
6) Você paga alguma coisa pelos serviços deles além de uma percentagem das vendas e pré-vendas? Quanto? Qual a percentagem deles?
Eles me oferecem os serviços deles a preços especiais pra artistas. Aí depende de que serviços você usa, como Publicidade, RadioShare, etc. Todos os valores dependem do seu projeto.
7) Quais diferenças foram mais marcantes para você entre o modelo de negócio do Artistshare e o dos outros selos?
Nunca trabalhei com outros selos. Mas só entrei no ArtistShare porque é direcionado a artistas que cuidam da própria carreira. A vantagem de ser artista independente (como continuo sendo), é tomar suas próprias decisões.
8) Eu tenho acompanhado suas gravações pelo Twitter e vi que a coisa está de vento em popa, com muitos músicos, muitos arranjos sofisticados. Você está conseguindo se financiar através dos fãs ou está se bancando?
Temos patrocínio da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, com o ProAC. Essa verba será complementada com o que o público já comprou, e dificilmente a soma liquidará o disco todo.
9) Existe o risco de um disco não sair se não conseguir se financiar com os fãs? Ou alguém assume o risco? O Artist Share garante alguma coisa?
Sempre existe esse risco, e eu assumo essa responsabilidade junto a eles. Quem garante sou eu para o ArtistShare, em contrato com penalidades, para que eles garantam que terá disco para quem compra.
10) Para cada projeto há pacotes diferentes? Quem criou as categorias de financiamento e como foram calculados os valores do seu projeto? Quais são os pacotes para financiar o seu trabalho?
Foram criadas por mim em cima de uma sugestão deles para o meu projeto. Temos muitas categorias, algumas das mais interessantes são o Participante Bootleg, no qual você acompanha virtualmente todos os nossos shows de 2009, o Participante Bronze, que tem o nome na capa do disco, e o MP3 simples, que é a opção mais barata e que, como todas as outras, dá um ingresso pro show de lançamento no Auditório Ibirapuera, dia 12 de Setembro.
12) Você está satisfeita com o site?
Sim
13) Você acha que um modelo assim é viável no Brasil?
Sim, para artistas que não esperem um conto de fadas, e que não contem apenas com essa verba pra começar o disco.
14) Você tem idéia de quantas pessoas já pré-compraram o Agora e em quais formatos?
Já temos três participantes Bronze, acho que essa é a informação mais bacana, né?
15) Uma última pergunta, se não te incomodar: quem é o responsável pelas filmagens e pela formatação para a internet, você ou o Artist Share?
Quem faz tudo sou eu. Gravo os vídeos, edito, legendo e coloco, seguindo um cronograma que estabelecemos juntos.
Andando por aí, descobri esse vídeo com um debate de 28/2/2008 entre Jimmy Wales (um dos criadores da Wikipedia) e Andrew Keen (autor de O Culto do Amador).
Quem esperava um Deathmatch, deu com os burros n'água. O debate é civilizadíssimo, divertido e muito esclarecedor sobre os pontos de vista de ambos. Em alguns momentos é difícil chegar a conclusões. Às vezes eles até concordam entre si. E o Andrew Keen tem um sotaque estranho...
Para mim, alguns dos highlights da crítica de Keen - descritos aqui toscamente - são:
A falta de contexto e curadoria das informações expostas na Wikipedia e na internet em geral. Por exemplo, o que é mais importante: Hamlet ou Pokemon? Depende do contexto. Sem isso, não há como inferir valor (ou então, gasta-se um tempo que quase ninguém mais tem). Jornais e a mídia tradicional, com todos os seus defeitos, contextualizam melhor a informação. Por exemplo, se você conhece a linha editorial do jornal e quem escreve um dado artigo, você já começa a formar um mapa mental. A falta de contexto é grave para quem não tem tempo, educação ou ceticismo (os "media illiterates"). No caso da Wikipedia, o anonimato dos autores aprofunda ainda mais esse problema.
Ele também sublinha a desvalorização do criador profissional e do especialista na web 2.0, que é um grande espelho. Sites como Youtube e Google são veículos criados para colocarmos nossos conteúdos, sem remuneração. O valor econômico é vender anúncios. Se a moeda hoje é a atenção, cada minuto que passamos num desses sites é um minuto a menos num NewYorkTimes.com ou somewhere else. "It's getting harder and harder to make a living as a creative professional".
Já Jimmy Wales, otimista, defende que estamos firmemente caminhando para uma economia e profissões baseadas em conhecimento. (Minha opinião: acho que nesse caso a palavra informação é mais adequada que conhecimento. É bem diferente.) Ele concorda com Keen na necessidade de valorizar os experts, os creative professionals. Mas não especifica como nesse novo modelo.
Alguns argumentos são, hoje, óbvios - a dificuldade de remuneração do conteúdo, por exemplo. Outros, mais polêmicos. Divirtam-se e tirem suas conclusões.
Para quem ficou com a pulga atrás da orelha por conta do livro que ataca a cultura produzida pela web 2.0. Vai em inglês mesmo por que a vida anda corrida. Uma provocação para as idéias muito rígidas - às vezes elas tendem a calcificar.
To say that writer/blogger Andrew Keen is a contrarian might be an understatement. In his latest book, The Cult of the Amateur: How Today’s Internet is Killing Our Culture Keen plays the devil’s advocate against the cultural tidal wave known as the Web 2.0. I’ve been following Keen’s Twitter posts and his blog The Great Seduction for awhile now. He has a knack for fostering interesting discussions about the publishing industry, whether you agree with him or not.
1. What is the premise for your book, The Cult of the Amateur?My premise is that user-generated-content on the Internet (Web 2.0) has no economic or aesthetic value. Rather than rewarding talent, it feeds on the narcissism of our current cultural climate. Cult is a subversion of the original Web 2.0 subversion; it is Adorno-for-idiots. I argue that rather than amusing-ourselves-to-death, we are now expressing-ourselves-to-death.
2. You refer to yourself as “the anti-Christ of Silicon Valley” yet you’re an avid user of social media. How do you explain this seeming dichotomy?My next book is a cultural analysis of social media. You can’t understand social media without participating in it. Besides, you can’t be a good evil “anti-christ” without indulging in a few unholy dichotomies of your own.
3. A recent blog post from you proclaims “Blogs are dead.” What’s next then? How can authors best promote their work online?What’s next is real-time media like Twitter and Friendfeed which will transform blogs from static textual websites into platforms for live interaction with one’s audience. Authors need to aggressively promote themselves in this real-time environment. It’s an ideal place for writers to show off their talent. Any writer not on Twitter should have both their hands chopped off. In the 21st century, the shy and the reticent will starve.
4. What’s next up for you? Is there another book project on the horizon?Yes, a book (maybe with an audio commentary and some videos too) about the broad cultural forces that have shaped the current social media revolution. Everyone always says this is the next big industrial revolution. I think that’s true. So the challenge is to explain how and why today’s digital revolution is both different and very similar to the industrial revolution of the mid 19th century.
5. In your opinion, what do traditionally published book authors most need to know about where the publishing industry is headed?It’s generally going down the toilet. It will be just as bloody, perhaps even more so, than the music and newspaper businesses. Problem is that most people in publishing fetishize the physical book. And—like the physical newspaper or the vinyl long-playing record—the analog book will become an increasingly marginal high-end product.Writers, then, have to become broadcasters and video stars if they are to remain viable. Words will matter in the future, but so will sounds and images. Ugly, mute writers, therefore, should probably switch careers. It’s gonna be very bloody (funny and awful).
Para o especialista, a mesma internet que quase destruiu a indústria é agora a grande chance de salvação do negócio
Por Tatiana Gianini
Revista EXAME - Colaborador das revistas Wired e Rolling Stone, o jornalista americano Steve Knopper acaba de lançar nos Estados Unidos o livro Appetite for Self-Destruction: The Spetacular Crash of the Record Industry in the Digital Age ("Apetite para a autodestruição: a espetacular quebra da indústria das gravadoras na era digital", ainda sem previsão de publicação no Brasil). Na entrevista a seguir, Knopper fala sobre o impacto da internet na indústria da música e discute os caminhos para trazer de volta os lucros das empresas do setor.
1) Entre os erros cometidos pelas gravadoras, qual foi o que mais contribuiu para a crise atual? Quando o Napster, primeiro programa de compartilhamento de músicas pela internet, surgiu, na década de 90, as gravadoras tentaram combatê-lo em vez de buscar alianças. Isso foi fatal. Quando as gravadoras conseguiram fechar o Napster nos tribunais, os serviços de compartilhamento de músicas na internet não acabaram. Pelo contrário, eles se multiplicaram.
2) Por que as gravadoras fizeram da internet uma inimiga? Com as vendas dos CDs, as gravadoras detinham o controle de cada passo do negócio, do momento de produção do álbum à compra dele por um fã. A internet representou a quebra dessa cadeia de produção lucrativa. As gravadoras cometeram o erro de pensar que, se processassem alguns sites ou se ignorassem por um tempo a nova tendência, ela simplesmente deixaria de existir.
3) Os acordos para a venda de músicas na loja virtual iTunes, da Apple, selaram a paz entre as gravadoras e a internet? Realmente, quando a loja surgiu, foi um bom negócio para as gravadoras. Num período curto, 1 bilhão de músicas foram vendidas. Mas o problema é que a iTunes não criou margens de lucros altas para as gravadoras. Tampouco para a Apple, mas para a Apple tudo bem, porque ela só queria usar a iTunes para vender iPods.
4) As gravadoras aprenderam a lidar melhor com a internet? Elas começaram a ficar um pouco mais espertas, entendendo que as novas tecnologias podem representar a salvação de seu negócio. Está claro que o consumidor atual de música não está mais interessado apenas em ouvir um CD.
5) Qual dos novos modelos de negócios para a indústria musical o senhor considera mais promissor? Todos eles. Quando lançam um álbum hoje, por exemplo, isso não ocorre apenas no formato CD. As empresas oferecem também as faixas para download em celular e vendem os direitos para videogames como o Guitar Hero, entre outras ações. Isso é inteligente. Poderiam, no entanto, ter feito o mesmo há dez anos.
6) As gravadoras vão sobreviver? As principais gravadoras vão sobreviver. Sempre haverá algumas delas que vão continuar a produzir estrelas como Beyoncé e Justin Timberlake. Mas está cada vez mais difícil fazer isso.
7) O setor de mídia impressa também enfrenta dificuldades para adaptar seu modelo de negócios à plataforma digital. Os jornais estão cometendo os mesmos erros das gravadoras? A mídia impressa também não conseguiu encontrar até hoje um modelo online lucrativo. Assim como as gravadoras, os jornais e as revistas precisam virar rapidamente o resultado dessa partida. A história da tecnologia mostra que os velhos participantes do jogo que não se adaptam às novas regras acabam morrendo.
Gerd Leonhard está oferecendo no Twitter seu livro "The End of Control and The Future of Media" para download. Ele bate na tecla de criarmos um outro ambiente na internet onde se esqueça o controle - nesses tempos interativos, todo o cuidado é... inútil, como disse meu amigo Gustavo Corsi - e se crie uma taxa muita barata para o acesso a todo o conteúdo. Algo que pareça grátis e que estimule o consumidor a aderir.