9 de mai de 2009

Wikipedia x O Culto do Amador



Andando por aí, descobri esse vídeo com um debate de 28/2/2008 entre Jimmy Wales (um dos criadores da Wikipedia) e Andrew Keen (autor de O Culto do Amador).

Quem esperava um Deathmatch, deu com os burros n'água. O debate é civilizadíssimo, divertido e muito esclarecedor sobre os pontos de vista de ambos. Em alguns momentos é difícil chegar a conclusões. Às vezes eles até concordam entre si. E o Andrew Keen tem um sotaque estranho...

Para mim, alguns dos highlights da crítica de Keen - descritos aqui toscamente - são:
  • A falta de contexto e curadoria das informações expostas na Wikipedia e na internet em geral. Por exemplo, o que é mais importante: Hamlet ou Pokemon? Depende do contexto. Sem isso, não há como inferir valor (ou então, gasta-se um tempo que quase ninguém mais tem). Jornais e a mídia tradicional, com todos os seus defeitos, contextualizam melhor a informação. Por exemplo, se você conhece a linha editorial do jornal e quem escreve um dado artigo, você já começa a formar um mapa mental. A falta de contexto é grave para quem não tem tempo, educação ou ceticismo (os "media illiterates"). No caso da Wikipedia, o anonimato dos autores aprofunda ainda mais esse problema.
  • Ele também sublinha a desvalorização do criador profissional e do especialista na web 2.0, que é um grande espelho. Sites como Youtube e Google são veículos criados para colocarmos nossos conteúdos, sem remuneração. O valor econômico é vender anúncios. Se a moeda hoje é a atenção, cada minuto que passamos num desses sites é um minuto a menos num NewYorkTimes.com ou somewhere else. "It's getting harder and harder to make a living as a creative professional".
Já Jimmy Wales, otimista, defende que estamos firmemente caminhando para uma economia e profissões baseadas em conhecimento. (Minha opinião: acho que nesse caso a palavra informação é mais adequada que conhecimento. É bem diferente.) Ele concorda com Keen na necessidade de valorizar os experts, os creative professionals. Mas não especifica como nesse novo modelo.

Alguns argumentos são, hoje, óbvios - a dificuldade de remuneração do conteúdo, por exemplo. Outros, mais polêmicos. Divirtam-se e tirem suas conclusões.

6 comentários:

  1. "It's getting harder and harder to make a living as a creative professional".
    Essa é a nova ordem.

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  2. Olá, Marcelo. Tudo bem? Sou a Cecília e trabalho na Edelman, que é a agência de comunicação digital da Jorge Zahar Editor. Este post foi linkado no site da Zahar, na página de "O Culto do Amador" - http://www.zahar.com.br/catalogo_detalhe.asp?id=1262
    Um abraço!

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  3. Marcelo, não consegui ver o vídeo. Fica carregando e nunca acaba... Qual o link original?

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  4. Muito se reclama da internet quando se fala da não-remuneração dos conteúdos (principalmente os artísticos), entretanto, se pensarmos que nas outras mídias, os mesmos só são veiculados mediante pagamento de jabá, acaba tudo ficando no zero a zero, com a vantagem de a internet não ter filtros. Se é para não receber nada, que seja um acesso democrático. Viva a internet!

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  5. Leoni, o link para o site original é este. Já corrigi a omissão e disponibilizei-o lá no post. Mas aqui está um streaming que é uma manteiga.

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  6. Leandro, não consigo ter uma visão binária das coisas. A questão não é ser contra ou a favor da internet. Que ela é o meio democrático por excelência e que trouxe vários benefícios, não há dúvida. Mas a carência de meios de contextualizarmos a avalanche de informações disponíveis é um problema atual e crescente. É uma perda para a cultura como um todo. Outra constatação é que, com a web, vários mercados apareceram ou mesmo foram criados - os nichos. Mas a remuneração para os criadores, ao que parece, vem sumindo ou migrando - muitas vezes de quem faz para quem disponibiliza. Daí o espanto e desorientação geral.

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