20 de mai de 2009

O renascimento de uma arte viva


Tradução de um artigo do Brian Eno (sim, ele mesmo!).

A indústria do disco está estagnada porque as vendas estão despencando. A tecnologia digital tornou mais fácil fazer e copiar música, resultando que a música gravada é tão prontamente disponível como água, e nem um pouco mais excitante.

Isso pode parecer uma má notícia, até que pegamos um número da Time Out. Aí você percebe que a cena ao vivo está explodindo, porque, incapazes de ganhar a vida a partir das vendas de discos, mais e mais bandas estão tocando ao vivo. Essa experiência não pode ser carregada num cartão de memória – e as pessoas estão a fim de pagar po ela, e bastante. O público dos concertos está alto como nunca: as gravações funcionam cada vez mais como anúncios para shows, e os shows se tornaram novamente a coisa real, o induplicável.

De forma similar, os festivais ao vivo têm surgido como cogumelos. Há mais deles do que nunca, e se tornaram comunidades temporárias – algo entre circos e comunas e escolas de verão, oferecendo debates politicos, oficinas, aulas de tai-chi, comédia, artes visuais, teatro, livrarias e, mais importante, a chance de pessoas se encontrarem, se medirem e trocarem ideias. A música é quase uma desculpa para a consolidação de uma nova sociedade. O que, afinal de contas, é a tarefa principal da música pop, e é bom vê-la de volta.

A duplicabilidade das gravações produziu um outro efeito inesperado. A pressão está em desenvolver conteúdo que não seja facilmente copiável – tanto que tudo que não seja música gravada está se tornando valioso para os artistas venderem. Claro que eles também querem vender sua música, mas agora eles embutirão este produto relativamente sem valor em peças dífíceis de copiar (portanto, mais valiosas). Gente que não pagaria 15 libras por um CD pagará 150 pela edição limitada com itens adicionais, fotos, booklet e DVDs. Geralmente eles já possuem a música, baixada – mas agora querem a arte. Estão comprando a arte, de uma nova maneira. Isso me sugere a possibilidade de um mercado de arte refrescantemente democrático: uma nova maneira de artistas visuais, designers, animadores e cineastas ganharem a vida. Pois quando um negócio fecha, outros abrem.

9 comentários:

  1. Sexta-feira passada, comecei a vender meu novo disco nos shows. As vendas ainda são tímidas, mas sinto o desejo das pessoas de levaram uma lembrança daquele momento pra casa, ou melhor, materializar.

    Música ao vivo é o clímax da música, ainda mais nos tempos de hoje em que mudamos completamente nosso hábitos de apreciar música. Escutamos no sonzinho vagabundo do laptop e do celular (bye bye graves), escutamos com fone de ouvido (perdemos o ambiente respirando o som) e ainda mais: mp3 é medíocre perto de um 44/16 (agudos que parecem ETs falando, já usaram um filtro pra achá-los?)

    Fui no Roger Waters no Morumbi um tempo atrás. Imaginem o que é um "pink noise" dando um 360º naquele estádio. O novo palco do U2 é surreal. Os novos sistemas de P.A cada vez mais impressionantes. Tudo está caminhando rumo aos palcos.

    Que bom que músicos de todos os lugares e patamares estão esboçando os mesmos pensamentos.

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  2. Muito oportuno essa declaração do Brian Eno!

    Será que a estamos em um movimento retro-futurístico?

    Marcus
    www.myspace.com/dawnfine

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  3. Engraçado um artista sempre tão futurista, criador de tendências, ter demorado tanto a dar uma declaração tão óbvia e superficial.

    Pelo menos, agora os artistas mais antigos estão começando a se ligar na nova realidade.

    Agora o Brian Eno está seguindo o Trent Reznor. E nós também.

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  4. É mesmo, Leoni. Pode crer. Demorou, né?

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  5. Mas o que me interessou mais no texto do Brian Eno foi ele destacar a importância dos festivais, que, lá como cá, estão bombando.

    Aliás, anteontem tivemos aqui na Tecnopop uma reunião com um diretor artístico da Som Livre. Os caras vendem prioritariamente sertanejo, forró e congêneres. O que me deixou estupefato foram os números que ele mostrou em termos de público nos shows. São grupos que nunca ouvimos falar, que às vezes nem têm CD gravado mas já fretam aviões, patrocinam times de futebol e dão shows para dezenas de milhares de pessoas. Segundo esse executivo, as únicas duas praças que essa onda não chega são Rio de Janeiro e Salvador.

    Vejam esse exemplo no Youtube. Maria Cecília e Rodolfo. Não têm nem CD e olha lá o número de exibições: 2.653.066 (dois milhões, seicentos e cinquenta e três mil e sessenta e três).

    Isso porque não têm planejamento nem boa gestão das suas carreiras. Imaginem se tivessem.

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  6. aqui em Manaus Marcelo, quase todo mês tem uma dupla sertaneja ou banda de forró l-o-t-a-n-d-o o sambódromo. O último show que eu vi por lá - fora dos populares - foi o Iron Maiden, e olha que tinha espaço sobrando.

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  7. Parece aqueles filmes de invasão de corpos....somente dois lugares seguros para a humanidade.........mas em um deles.................rola Axé!

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  8. Brien Eno muitos consideram o fundador da Ambient. Talvez, ele primeiro teve a idéia de usar a música com os sons da natureza. Posteriormente, esta descoberta foi desenvolvido para criar música para relaxamento e meditação.
    www.relaxmusicmp3.com

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