7 de abr de 2009

Sai Virgin, entra Jesus

Deu na Piauí que o local onde funcionava a Virgin Megastore do Times Square, até o mês passado, vai virar uma loja de roupas com temas evangélicos chamada Forever 21, de um fervoroso empresário coreano.

A matéria conta a história do grupo Virgin, desde quando era uma lojinha londrina especializada em rock experimental alemão dos anos 60.

Vejam um trecho:

A Forever 21 está plantada em cidades dos Estados Unidos, da Coréia, do Canadá, da China, da Indonésia, da Arábia Saudita, da Malásia, de Cingapura e dos Emirados Árabes, entre outros países e continentes anexados a seu império comercial. Mas é o seu próximo endereço que tem dado mesmo o que falar. Até meados do ano que vem, abrirá suas portas num dos melhores pontos de Nova York, a Times Square, na Broadway, entre as ruas 45 e 46 – onde, até dias atrás, funcionava a Virgin Megastore, loja de discos que já foi um grande símbolo mundano do sucesso temporal. Estima-se que, este ano, antes mesmo do outono americano, cinco outras megastores da Virgin sumirão dos Estados Unidos. A da Times Square acabou em março.

A troca da Virgin pela Forever 21 é mais um golpe na combalida indústria da música, e mais um sinal de que a indústria da moda, com crise ou sem crise, não pára de crescer. Como acontecia com a Virgin no começo da década, na época em que o filme Alta Fidelidade retratou o sufoco de Rob Gordon, um comerciante de bairro fictício mas verossímil, que só trabalhava com bolachas de vinil e ameaçava naufragar na onda dos CDs distribuídos por megastores.

Tudo nessa história parece que foi ontem. A primeira Virgin Megastore surgiu em Londres trinta anos atrás. Ficava na Oxford Street, esquina com a Tottenham Court Road. Seu fundador, Richard Branson, ainda longe de virar sir Richard Branson, partiu dessa base local para consolidar um conglomerado que se alastrou pelo ramo do turismo, dos jogos e das telecomunicações. Um de seus braços, a Virgin Galactic, aceita reservas para vôos interplanetários. Como a Forever 21, sua sucessora na Times Square, os negócios de Branson tiveram um começo modesto em 1971, no bairro londrino de Notting Hill Gate, com o nome de Virgin Records and Tapes.

Era um bom momento para abrir uma loja desse tipo na Inglaterra. Os Beatles haviam se dissolvido, mas John Lennon e Paul McCartney se lançavam em carreiras solo. Led Zeppelin, Rolling Stones, The Who e Pink Floyd se revezavam nas paradas de sucesso. Mas a Virgin Records and Tapes nasceu contra a corrente. Especializava-se em Krautrock, um tipo de rock experimental nascido na Alemanha nos anos 1960, que chegava à Inglaterra com certo atraso. De brinde, a loja ainda oferecia aos fregueses comida vegetariana.


Tem mais no site da Piauí.

3 comentários:

  1. Bom, venho acompanhando os debates, mas é a primeira vez que participo ativamente.
    Acho que isso é mais uma reafirmação de como é necessário discutirmos saídas e propostas como fazemos nesse blog. As lojas de disco estão falindo, as gravadoras estão quebrando e o mercado comercial de música está agonizando já faz um tempo, mas agora a situação chegou ao nível da saída, ou nada e, eles, (as gravadoras/executivos da música) começaram a buscar saídas. Enfim, nada que vocês já não saibam.
    Mas queria compartilhar uma notícia que li hoje no site meio e mensagem (sobre publicidade e propaganda) e talvez fomentar uma discussão:

    Rádio Ibiza e Som Livre lançam selo musical

    Gravadora une-se a empresa de marketing fonográfico em projeto que visa certificar novas bandas e artistas e propiciar ações para marcas e clientes.

    O link é esse:
    http://www.meioemensagem.com.br/novomm/br/Conteudo.jsp?origem=rss&IDconteudo=120545

    Não sei se todos vão conseguir ler, acho que precisa ser cadastrado.

    Quelquer coisa eu posto outro comentário com a matéria ou envio para os resonsáveis fazerem um post.

    Mas e aí? Será que é uma das solução viáveis?

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  2. Felipe, obrigado pela indicação. Realmente só é possível entrar no M&M com senha. Você poderia enviar a matéria para mcp@tecnopop.com.br? Obrigado!

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  3. Não me soa tão estranho assim. Aquele lugar, a Virgin da Times Square, já foi a minha igreja. Lá dentro, mais de uma vez, eu tive vontade de me jogar de joelhos ao chão e agradecer ao Senhor.

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