18 de abr de 2009

O que a indústria do conteúdo perde com a condenação do Pirate Bay

Tradução livre do blog da Wired

Sites como Pirate Bay ensinaram e continuam ensinando lições valiosas à indústria de conteúdo sobre como lidar como o mundo emergente da mídia social – Facebook, Orkut, MySpace, imeem, YouTube etc. - no qual as vendas formam uma pequena fatia das receitas, e no qual o que importa é quem gosta do quê e quem presta atenção a quê.

Dentre o que é mais importante temos as listas de amigos, os uploads dos usuários, os filtros de conteúdo dos mesmos usuários, marketing viral, conteúdo patrocinado por anúncios e a possibilidade de se garimpar muita informação valiosa.

As gravadoras sempre ficaram intrigadas com a quantidade impressionante de usuários que sites como Napster e Kazaa reuniam, embora ficassem reticentes em tirar vantagem disso.

Existe muita informação vital para as majors quando ela monitora a rede de compartilhamento de arquivos, como: a música mais baixada de um álbum que vazou pode dar a indicação de que single escolher; onde uma banda deve tocar pode vir dos IPs dos fãs; que artistas têm públicos semelhantes e podem dividir um show etc.

Vários sites foram “vencidos” pelas gravadoras e o Pirate Bay pode ser mais um. Mas nesse meio tempo novas formas de compartilhamento continuam a surgir, incluindo redes privadas e encriptadas. E com os espelhos que o Pirate Bay tem em outros paises, é provável que ele consiga continuar a operar. Alem disso, o Pirate Bay é só um engenho de busca focado em arquivos de filmes, música etc. Ele mesmo não tem conteúdo próprio. Google, Yahoo e MSN também levam a arquivos ilegais.

Mesmo com a indústria celebrando outra vitória sobre o compartilhamento de arquivos, o mundo está mudando rapidamente na direção de serviços on-demand, nas nuvens onde se pode ouvir música e ver vídeos de uma forma mais social e mais rápida que nos com bit torrent.

Os sites P2P criaram o DNA das redes sociais e dos novos negócios - mas são considerados inimigos. E os Facebooks da vida contêm mais dados dos usuários que os P2P aumentando as chances de se criar receitas através de publicidade, recomendações e, até, vendas ocasionais.

A vitória sobre o Pirate Bay, se ela realmente acontecer, só vai tirar a possibilidade de se conhecer melhor os hábitos e gostos de milhões de usuários – e potenciais consumidores.

A grande lição dos P2P é: Venda anúncios quando o conteúdo for gratuito e tente vender para as pessoas algo que elas não possam ter gratuitamente, seja algum bônus, acesso instantâneo, ingressos para show, boxes luxuosos, relacionamento etc.

Processos como esse contra o Pirate Bay fazem sentido na superfície, mas em outro nível são um jeito engraçado de dizer “Obrigado”.

6 comentários:

  1. Vou jogar uma para bate bola: O que faz mais dinheiro em música, o público fiel ou o ouvinte de fim de semana? O curioso ? E qual desses grupos é o maior ?(em número de indivíduos). O download gratuito de MP3s 128 não estaria mais relacionada ao segundo grupo? A venda de formatos de maior qualidade de audio não seria mais para o primeiro grupo? A gratuidade então não deveria ser uma forma de se transformar pessoas do segundo grupo(Curioso) em pessoas do primeiro(fiéis)? Sendo assim as gravadoras não deveriam fazer enormes Sites de banco (biliotecas) de gratuidades para concorrerem com outros sites de downloads, atraírem a atenção e, em seguida garantirem "presentes" e promoções para produtos mais caros, luxuosos e exclusivos para seus fiéis pagadores?
    Será que fui simplório demais?

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  2. Faz todo o sentido, mas estou exausto para comentar. Segunda eu volto ao tema.

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  3. acho que existe sim um espaço para a venda de conteúdo digital, mas para que ela aconteça é necessária uma combinação de fatores como boa junção de hardware e software, valor aceitável e facilidade de pagamento. ainda assim, não acho que este modelo venha a vencer a troca gratuíta em termos de volume.

    acho que o ponto chave deste artigo está neste trecho:

    "A grande lição dos P2P é: Venda anúncios quando o conteúdo for gratuito e tente vender para as pessoas algo que elas não possam ter gratuitamente, seja algum bônus, acesso instantâneo, ingressos para show, boxes luxuosos, relacionamento etc."

    precisamos nos concentrar em vender o não digitalizável: a experiência presencial, os objetos especiais, etc.

    grande abraço pra você leoni, vc fez falta na discussão que tivemos eu, pereira e mais alguns amigos este feriado.

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  4. Michel, fico felicíssimo pela sua visita aqui, tanto pela amizade quanto por seu conhecimento de causa. Sinta-se realmente em casa e contribua sempre que e como quiser. Abração.

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  5. MINHA HUMILDE OPINIÃO:
    Como o Michel disse, também acho que o principal ponto do artigo para o que a gente vem discutindo está em:

    "tente vender para as pessoas algo que elas não possam ter gratuitamente, seja algum bônus, acesso instantâneo, ingressos para show, boxes luxuosos, relacionamento etc."

    E aí, acho que mais que mais uma vez voltamos ao exemplo do Trent Reznor (guardando as devidas proporções, de fama e dinheiro gasto). Não foi exatamente isso que nós vimos no modelo de negócios dele? Ítens exclusivos negociados pela internet? Quem deu uma olhada naquele case do Year Zero também pode perceber os ítens exclusivos que foram disponibilizados para os fãs.

    Gostaria de destacar, também, a parte que fala de "RELACIONAMENTO". Acho que esse pode ser um dos maiores (melhores) benefícios negociados com o consumidor. Na era da interatividade, do compartilhamento e da produção de conteúdo pelo consumidor, não tem como um artista, principalmente um músico, se manter distante do seu público. Pode paracer meio demodé falar disso porque parece que todo mundo já entendeu, mas ainda tem gente que acha que fazer do site um blog e postar algumas coisas de vez em quando é se relacionar com o público. Tem gravadora que ainda tenta transformar o artista no último Deus do momento. Acho que a coisa é mais profunda, é deixar o cara participar realmente, estreitar o laço com ele. Não só oferecer conteúdo exclusivo, mas deixar ele se sentir exclusivo.
    Mais uma vez dou um exemplo da casa, o do nosso companheiro de discussåo LEONI. Para começar o site dele é uma grande comunidade dos fãs do Leoni. Ao invés de estar no Orkut, o público dele vai ali discutir. Porque? Porque o Leoni está ali. Lá o público pode escolher músicas do show dele, pode interagir entre si, agora pode até se tornar pareceiro dele em uma música e o Leoni está presente nas discussões e fala diretamente com o pessoal. Isso ninguém pode vender. Só o artista pode dar ao seu público. Os MP3's qualquer site pode oferecer, mas o artista não. Ele é único e os seus fãs querem falar diretamente com ele, não mandar cartas para a portaria da gravadora.

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  6. O nível da discussão está ficando altíssimo! Estão todos convidados a participar com textos e ideias.

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