22 de set de 2009

Taxa sobre streaming de música quase matou webrádio nos EUA




Tirei esse texto do Estadão de domingo, escrito por Rafael Cabral. Serve para mostrar a insensatez da indústria da música, que, para proteger o que já ficou no passado, acaba matando o seu futuro. Precisamos começar a negociar logo taxas mais justas de remuneração na internet, que permitam que os novos negócios se firmem e nos tragam o futuro. Que sempre chega, ainda bem.


Nascido em 2004, o Pandora fez história na internet como uma rádio online que criava listas baseadas no “DNA de suas músicas preferidas”. Por conta de decisão de 2007 da Comissão Federal de Direitos Autorais dos EUA, no entanto, o negócio ficou inviável. Os sites em streaming teriam que pagar royalties de cerca de US$ 0,19 cada vez que uma música fosse executada. Seu fundador, Tim Westergren chegou a declarar ao Washington Post que pensava em “tirar o site da tomada” e que seria o fim da transmissão musical pela web. “Era uma decisão radicalmente injusta e ilógica da indústria”, disse ele, em entrevista ao Link.

Mas em vez de se conformar em perder para o lobby das rádios AM/FM, o empresário decidiu criar também o seu: os 46 milhões de usuários de cadastrados no Pandora. Westergren se organizou com outros sites e denunciou a medida, que claramente beneficiava as emissoras tradicionais. No dia 26 de junho de 2007, eles realmente “puxaram a tomada” – mas apenas em um protesto que seria determinante para forçar um reajuste que significaria nova vida para os sites em streaming.

Seria essa a primeira vez que as rádios online conseguiam resistir à pressão da indústria e, principalmente, de suas concorrentes offline – essas sim, diz Westergren, com um modelo de negócio fadado a acabar. Foi justamente pela insatisfação que elas causavam ao então pianista e produtor musical que surgiu o Pandora.
A experiência das rádios online não poderia ser mais diferente. Nós, por exemplo, temos uma coleção de 700 mil músicas, 90% delas tocadas no mês passado. Isso jamais aconteceria em emissoras comuns”, defende. Não há como negar, no entanto, que o Pandora sofreu o baque de concorrer com elas. Hoje o site é restrito aos Estados Unidos, cobra taxas de quem ouve mais que 40 horas por mês e seus usuários são impedidos de repetir faixas ou pular músicas.

Mas Westergren já tem um plano B: a telefonia celular. “Os dispositivos móveis são o caminho; 30% da nossa audiência já vem de celulares, com apenas um ano no mercado”, diz. “Eles são a chave para lugares que apenas rádios tradicionais ocupavam"
Estações online miram o celular
Assim como o Pandora, a rede social de música Last.fm, que também funciona como uma rádio online, teve de começar a cobrar seus ouvintes em março deste ano (exceto aqueles de fora dos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha) para continuar existindo.
Derrotados pela lei, os sites em streaming começaram a apostar na audiência da telefonia móvel, disposta a pagar por serviços. Acertaram em cheio.
As plataformas móveis estão revitalizando esse mercado, que estava em vias de falir por causa da questão dos royalties.Tanto o Pandora quanto o Last.fm têm aplicativos para o iPhone, Palm Pre, Blackberry e Android.

Segundo o fundador do Pandora Tim Westergren, três quartos dos assinantes da versão móvel não ouviam rádios na internet e foram atraídos pela simplicidade do streaming em contraste com os MP3 players comuns.

“Mais do que nunca, acho que o futuro próximo está nas plataformas móveis, que nos levam para os lugares que 80% das pessoas ouvem rádio: suas casas, carros e na rua”, explica. Além disso ele explica que usuários do Pandora em celulares clicam quase duas vezes mais em anúncios do que aqueles que o acessam pelo computador.

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